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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

ENFRENTANDO O LUTO


Como a vida é delicada, frágil! Os segundos que se substituem não se repetem e o instante em que pode transformar toda uma história em pedaços de lágrimas, onde o chão parece desaparecer sob os pés e o coração fica tão dolorido que parece que nunca vai encontrar remédio para curar-se.
Ninguém gosta de falar sobre perdas, alguns evitam até pensar, mas todos temos que, um dia ou outro, enfrentar. Quando pensamos na vida, não queremos pensar nas possibilidades das perdas, que nos fazem sofrer antecipada e inutilmente.
Mas se a vida é um caminho onde subimos e descemos, é também um campo onde plantamos, colhemos e onde certas flores são carregadas tão repentinamente, que nos pegam desprevenidos. E quando isso acontece, que fazer mais que abraçar a dor e esperar que os dias seguintes nos façam acordar desse pesadelo? Viver o luto é aceitar a dor e a partida e aprender a continuar a viver. Talvez seja justamente isso o mais difícil: viver depois, reencontrar a alegria, o gosto, reaprender a olhar o belo e desejá-lo.
Algumas pessoas desenvolvem um sentimento de culpabilidade em aceitar novamente o presente da vida, o sorriso e o recomeçar. Elas sentem como se estivessem traindo quem se foi, porque devem continuar.
Ora, o amor não diminui ou não fica diferente porque aprendemos a viver sem os que se foram. O espaço conquistado no nosso coração, pelos que nos amaram e os que amamos, ficará definitivamente marcado.
Porém, isso não pode e não deve impedir ninguém de viver. É preciso aprender a viver com e apesar de. É preciso aprender a viver com a dor, com a falta, com a saudade e apesar do adeus.
E é preciso se reconstruir. Completar o luto é aceitar que a última página de uma história tenha sido definitivamente virada, que aquele livro se encerrou, mas que a vida para quem fica, continua.
A vida é uma dádiva do céu, que continua azul e infinito e onde as estrelas continuam a brilhar, mesmo na mais negra escuridão.

11 comentários:

Simone Anjos disse...

Maria José,
Esse texto chegou no momento certo para compartilhar com duas amigas que perderam entes queridos recentemente. E é claro é uma lição para todos nós porque apesar da dor a vida continua.
Obrigada por compartilhar.
Beijos na alma,

J.F.S. disse...

Abrir a ferida para curar mais rápido. Existe tanto que temos para aprender. Que bom partilhar com o Mundo estes textos sobre a vida.
Bjuuuu.

Bloguinho da Zizi disse...

Assunto difícil esse, Maria José.
É a maior certeza que temos na vida e não nos acostumamos a ela.
Realmente a sensação, além da perda, é de culpa.
Lembro que, quando do falecimento de minha mãe, fui a uma consulta com um médico homeopata e disse da minha tristeza por tê-la perdido, ao que ele me perguntou:
- Aonde a senhora perdeu sua mãe?
Fiquei entre chocada, revoltada e abobalhada ao mesmo tempo. Não consegui responder...
Aliás, até hoje.

meu carinho pra vc

Dilmar Gomes disse...

Amiga Maria José, Realmente é muito difícil assimilar a dor da perda de um ente querido. Nenhum pai, nenhuma mãe nunca aceitarão facilmente a perda de um filho, pois isto é uma transgressão da ordem natural das coisas. Só o tempo, remédio para os males, pouco a pouco vai fazendo com que a gente entenda que todos nós viemos a este mundo com um tempo mais ou menos delimitado, e, quando chega a hora da partida, aceitando ou não, ela acontece. Um dia entendemos que o espírito é imortal. O aparelho corpóreo morre, mas o espírito sobe e passado o período necessário de estada no mundo espiritual retorna ao planeta em um novo corpo. Nessas idas e vindas, certamente, haveremos de nos cruzar novamente com os nossos entes queridos. Mas mesmo compreendendo o processo, há momentos em a saudade pega pesado com a gente.
Um grande abraço, amiga. Tenhas um linda tarde/noite.

O SENHOR DO TEMPO disse...

BOA NOITE
VIM LHE PRESTIGIAR O ARTIGO

E CONTEMPLAR O VOSSO ESPAÇO

GRANDE ABRAÇO BRUNO

(בן ברוך) Ben Baruch disse...

Paz querida Maria José!
Em nossa caminhada pela vida que D'us nos concedeu, passamos muitas vezes por dissabores, angústias e desilusões que nos fazem "perder" o gosto pela vida, abre um buraco em nosso coração e acreditamos que não fomos agraciados por Ele para uma vida feliz. Não poucas vezes quando nos vemos privados da convivência física daqueles que amamos e que partiram para a morada celeste, esse buraco parece ser ainda maior. É comum, para muitos de nós pobres mortais, espíritos endividados e que ainda não conseguimos assimilar toda a profundidade dos aspectos espirituais envolvidos nessa separação, procurarmos preencher esse vazio com coisas exteriores, mas, infelizmente, elas não o preenchem, ao contrário. Só o amor pela vida e pelo próximo pode preenchê-la. Acredite: Se fosse vantajoso para nós compreender os desígnios de D'us de forma clara e límpida, Ele não nos teria negado este conhecimento.
Muita paz!
Ben Baruch

ONG ALERTA disse...

Amiga a dor nos ensina a sermos melhores, mas a dor trás o sentimento mais difícil a saudade.
Aprendemos todo dia e aprendemos que o tempo é nosso maior aliado ele náo cura mas mostra que podemos sim continuar a iluminar este mundo...Muita energia em 2012, beijo Lisette!!!

Cidinha disse...

Olá, Maria, a vida realmente é um dádiva do céu. Seguimos o nosso caminho pois o amor de Deus nos consola e o pesadelo vai embora. A saudade ficara sempre em nosso coração! Bjos e todo carinho pra vc.

Viviane Moraes disse...

Mariaaa
Feliz 2012!
Muita luz, tranquilidade e coragem para enfrentar as questões que a vida nos coloca.
Bjs no seu coração

MOMENTOBRASILCOM.COM disse...

MARIA JOSÉ:

Exatamente para explicar e mostrar tudo o que o texto trata, O Evangelho Segundo o Espiritismo, dedicou o Cap. 5º e intitulou-o de: PERDAS dE ENTES QUERIDOS, amor. Bjs. Roy Lacerda.

Paty Michele disse...

Muito bom texto. Perdi meu irmão há 10 meses e ainda não consegui fazer com que minha mãe e minha irmã aprendam a conviver com essa ausência.

Um abraço!