segunda-feira, 20 de maio de 2013

A BUSCA DO AMOR


Em plena juventude, como fruto verde que aguarda a primavera, esperei intensamente pelo amor. Todas as manhãs, abria a janela de minha alma e esperava que o novo dia me trouxesse o amor.
E porque ele tardasse a chegar, fechei as portas e janelas, selei os portões e saí pelo mundo. Andei por caminhos inúmeros e estradas solitárias. Por vezes, ouvia o cortejo do amor que passava ao longe. Corria e o que conseguia ver era somente corações em festa, risos de alegria. O amor passara e eu continuava só.
Algumas noites, chegando às cidades com suas mil luzes piscando vida, ousava olhar para dentro dos recintos. Via mães acalentando filhos, cantando doces canções de ninar, casais trocando juras, crianças dividindo brincadeiras entre risos e folguedos.
Em todos estava o amor. Somente eu prosseguia solitário e triste.
Depois de muito vagar, tendo enfrentado dezenas de invernos, resolvi retornar. De longe, pude sentir o perfume dos lírios. Quando me aproximei, pude ver o jardim saudando-me.
– Você voltou! – Falaram as rosas, dobrando as hastes à minha passagem.
– Seja bem vindo! – Disseram as margaridas, agitando as corolas brancas.
– É bom tê-lo de volta! – Saudaram os girassóis, mostrando suas coroas douradas.
Tanto tempo havia se passado e, de uma forma mágica, os jardins estavam impecáveis. As cores bem distribuídas formavam arabescos na paisagem.
Uma emoção me invadiu a alma. Abri as portas e janelas do meu ser. Debruçado à janela da velhice, fitando a ponte que me levará para além desta dimensão, o amor passa por minha porta.
Apressadamente, coloco flores de laranjeira na casa do meu coração. Atapeto chão para que ele entre, iluminando a escuridão da minha solidão. Tremo de ternura. Já não sofro desejo, nem aflição.
Os olhos felizes do amor fitam os meus olhos quase apagados, reacendendo neles a luz que volta a brilhar. Há tanta beleza no amor que me emociono.
Superado o egoísmo, não lhe peço que entre e domine o meu coração rejuvenescido. Em razão disso, agora que descubro de verdade o que é o amor, não o retenho. Deixo-o seguir porque amando, já não peço nada. Agora posso me doar aos que vêm atrás, em abandono e solidão.
Aprendi a amar.
Feliz é a criatura que descobriu que o melhor da vida é amar.
Feliz o que leu e entendeu o cântico do pobre de Assis: é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, é melhor amar que ser amado.
Por ser de essência divina, o amor supre na criatura todas as suas necessidades e a torna feliz, mesmo em meio às dificuldades, lutas e tristezas.
Redação do momento espírita, com base no livro Estesia, ditado pelo espírito Rabindranath Tagore, psicografia de Divaldo Pereira Franco.

sábado, 18 de maio de 2013

DIANTE DA ETERNIDADE



Diante do horizonte mais amplo de nossas vidas, face sua eternidade, se nos conscientizarmos mais do quão a existência física é curta, efêmera, certamente pensaremos melhor antes de jogar fora as oportunidades que nos são dadas para sermos felizes, e de também nos dedicarmos a promover a felicidade dos outros.
Não sabemos por quanto tempo, sejam anos ou dia, poderemos desfrutar da convivência com nossos familiares, amigos, colegas de trabalho, enfim, todas as pessoas que fazem parte de nosso círculo de relacionamento. Afinal, muitos de nós são “chamados” por Deus ainda muito cedo, inesperadamente... E não podemos prever como e nem quando isso ocorrerá a cada um de nós...

Alguns sequer chegam a nascer... vendo interromper sua efêmera jornada na matéria ainda no ventre materno. Alguns “nos deixam” antes mesmo de atingir a maturidade... Outros, um pouco mais tarde...

Dentre todos, felizmente, há os que conseguem bem aproveitar sua existência, acumulando em sua “bagagem” experiências enriquecedoras que os acompanharão no seu retorno à “Pátria Celeste”.

De fato, não sabemos por quanto tempo ainda faremos parte do mundo visível, nem quando será chegada a “nossa hora da partida”, e tampouco o momento da despedida de ninguém.

Em decorrência dessa nossa verdadeira “alienação” de consciência relativa a valorização que devemos conferir à esta nossa vida, aos seus objetivos maiores, e de nossa responsabilidade perante o Pai, nos despreocupamos e negligenciamos com os esforços e com a cuidadosa atenção que devemos ter. Para conosco mesmo... E para com todos que nos cercam.

Nos deixamos influenciar pelo nosso “orgulho ferido”, nos desequilibramos e permitimos ser emocionalmente afetados pela supervalorização que damos à insignificâncias, naturais do cotidiano e do convívio entre as pessoas. E acabamos por nos aborrecer desnecessariamente.

Muitas vezes nos calamos quando deveríamos falar e falamos além do necessário quando o recomendável seria permanecer em silêncio. Exigimos “compreensão” para com nossas “pequenas falhas”, mas nem sempre agimos amorosamente com o que pré-julgamos se constituir nos “grandes erros” dos outros. Julgamos com a severidade que não queremos nos seja aplicada e exigimos total complacência para conosco. Infelizmente, essa é a “justiça” aceita pelo nosso atual nível de evolução.

Diante dessa realidade a pautar nossos passo, desperdiçamos tempo por demais precioso. Às vezes, nos permitimos a anos de desencontros e de “desamor”. Evitamos o contato, não oferecemos o aconchego, o carinho e o abraço fraterno que tanto nossa alma pede e que confessamos à intimidade de nosso travesseiro, tudo porque nosso orgulho e insensatez impedem essa aproximação. Não damos um beijo amoroso porque nossa altivez o impede murmurando que não estamos habituados a essas “demonstrações” e tampouco manifestamos nosso querer bem, nosso amor, porque achamos que “o outro” já deve saber o que nós sentimos. Perdemos a maravilhosa oportunidade de amar e “bloqueamos” o amor que tanto clamamos e que nos seria destinado, impedindo que ele chegue até nós.

E assim, deixamos transcorrer o tempo permanecendo taciturnos e “fechados” em nosso orgulho, enraizando na alma – cada vez mais – a nossa intransigência, nossa amargura para com os outros e, sem nos darmos conta, para conosco mesmo.

No “mundo consumista” em que vivemos atualmente, reclamamos daquilo que não temos ou então achamos que não temos o suficiente. Cobramos muito... dos outros... da vida... e de nós mesmos. Nos desgastamos com frustrações e angústias... Costumamos comparar nossas vidas com as daqueles que materialmente possuem mais do que nós. E se experimentássemos nos comparar com aqueles que possuem menos? Seguramente, essa nova avaliação nos surpreenderia, fazendo uma enorme diferença.

E com isso o tempo vai passando... Passamos pela vida sem ter aproveitado a “oportunidade” do aprendizado e da prática da Lei do Amor que Jesus nos ensinou. Substituímos, sofrendo e nos “arrastando” porque não “ousamos contrariar” nosso amor próprio... Até que, finalmente, “acordamos” e olhamos para trás; muitas vezes tarde demais para a presente vida material... E então, nos perguntamos: E agora?

Agora... já... hoje! Ainda é tempo de reconstruir, de dar o abraço amigo, de dizer uma palavra carinhosa, de agradecer a Deus por nossa vida, por tudo aquilo que nos cerca e pelo que a Misericórdia Divina nos disponibiliza para desfrutarmos material e espiritualmente.

Nunca se é velho demais, ou jovem demais, para se rever posições, para perdoar, para sermos perdoados e para amar; dizer uma palavra gentil ou fazer um gesto carinhoso.

Não se permita ficar preso aos “tropeços” do passado... O que passou, passou, e já produziu suficientes “danos”. Impeça que permaneça indefinidamente a causar estragos em sua vida. As experiências vividas serviram para nosso aprendizado.

Agora é o momento de pensarmos no “daqui para frente”, em nosso futuro... E ele poderá ser do tamanho de nossos sonhos!

Não tarde em buscar a reconciliação com seus “companheiros de jornada”, e principalmente para com sua própria essência, e aproveite...

Ainda há tempo para exalar o amor fraterno ao seu derredor, harmonizar sua alma e voltar a sorrir. Ainda há tempo de voltar-se para nosso Pai, o Deus de Amor que nos criou e agradecer pela vida, rogando pelas forças que nos faltam para fazermos, o quanto antes, a “reforma íntima” necessária à nossa vida, desde já e para toda a eternidade!

Reflita... E não perca mais tempo!

sexta-feira, 17 de maio de 2013

DESCULPE O TRANSTORNO, ESTOU EM CONSTRUÇÃO



Ao longo da nossa caminhada, causamos transtornos na vida de muitas pessoas porque somos imperfeitos...
Nas esquinas da vida, dizemos palavras impróprias e sem necessidade...

Com pessoas mais próximas, costumamos agredir sem intenção, e às vezes, intencionalmente. Mas agredimos...

Não respeitamos o tempo do outro, os desejos do outro, a história do outro...

Acreditamos que o mundo gira em torno de nós, dos nossos desejos e o outro é apenas um detalhe...

Vamos por aí causando transtornos e concluímos que, não estamos prontos, mas em construção...

Tijolo a tijolo. É assim a nossa vida. O templo da nossa história vai ganhando vida...

Esquecemos que o outro também está em construção e também causa transtornos...

Um tijolo cai e nos machuca, outras vezes é o cimento que suja o nosso rosto...

E o tempo todo nós temos que limpar e cuidar das feridas.

Assim como os outros que convivem conosco também tem que fazer...

Quando não sou eu é o outro, um conjunto de erros meus, seus, deles, nossos...

Todas as pessoas erram, temos que compreender que os transtornos são muitas vezes involuntários, que os erros dos outros são semelhantes aos nossos erros...

Simples assim: Se eu errei, se eu magoei, se eu julguei mal, desculpe-me por todos esses transtornos...

ESTOU EM CONSTRUÇÃO...

quinta-feira, 16 de maio de 2013

DESCANSA, CRIANÇA!



Os dias agitados e as preocupações, muitas vezes, nos levam para bem distante dos sonhos acalentados na infância. As alegrias da meninice há muito foram tragadas pelo tempo, implacável, que exige cada vez mais concentração nas questões do dia a dia.
As responsabilidades, naturalmente, foram ocupando o lugar das brincadeiras descontraídas e o sorriso inocente foi dando lugar a um cenho marcado pelas preocupações e as dores da caminhada.

O tempo, que se desenrolava sem pressa, agora cobra o seu tributo, exigindo cada vez mais a participação nas decisões sérias da vida.

Quando nos damos conta, aquela criança já partiu há muito... Sentimos uma saudade imensa dos dias risonhos e parece impossível reviver os mesmos sonhos, as mesmas alegrias, as mesmas esperanças de outrora.

Parece que os anos roubaram a confiança que se tinha no futuro e a dureza insiste em se instalar no coração... Os passos ligeiros e saltitantes, agora são lentos e arrastados...

E aquela criança, onde está? Ainda é possível dar um tempo e acordar a criança que dorme, na intimidade desse adulto tão mergulhado nas questões amargas.

Deixa tua dureza derreter-se frente ao novo que te é dado, dia após dia. Para isso, basta buscar um lugar que te permita ouvir as águas rolando nos seixos. Elas trazem uma canção que o teu coração já conhece...

Observa o vento que balança as folhas das árvores... É o mesmo que toca tua fronte ilumina. Acompanha o voo do pássaro sob o céu, e sente... o teu Espírito é tão livre quanto ele.

Sente o silêncio abençoado da natureza que te permite comungar com ela a quietude, a paz que vai em teu ser. Olha as flores, mistura tuas cores e cria teu próprio arco-íris.

Deixa teu coração presente em tuas palavras, em tuas decisões, em teus silêncios. Deixa a saudade vir e te avisar de um tempo precioso, onde viveste em liberdade, em alegria e vê... ainda é tempo de ser feliz.

Relembra tua história e o caminho que fizeste... Quanto aprendeste, quanto mudaste e quanto ainda há por ser feito. O tempo não para, ele continua fiel à tua natureza: sê também fiel à tua natureza e resgata tuas fontes cristalinas, tua alegria generosa, tua confiança no agora, tua dança, tua segurança em ti mesmo.

O mundo não tem outro propósito senão o de te ensinar que és a criança de Deus, e para a criança de Deus toda a criação é presente, todo amor é dado.

Descansa, criança! Teu jardim ainda é o mais bonito e floresce mansamente aos olhos Daquele que tem por alegria olhar, amar e cuidar de todas as tuas flores.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

DEFININDO SAUDADE



Para definir saudade, basta entender que saudade é apenas saudade, e como senti-la saber...
Saudade é aquela sentida vontade de reviver um momento de felicidade, vivido em doce cumplicidade...

É a saudade que podemos entender, e que não nos faz sofrer...

Sempre a dor da partida de alguém que amamos e que deixa marcas perenes, deixa saudade, fica o desejo de sentir o toque, o cheiro, trazendo para nossos sentidos a ilusão da presença anelada.

Sente-se o toque da mão, o cheiro, a presença enfim, como algo que não tem fim...

Assim age a saudade, conseguimos sentir a presença ausente, dando verdade à frase “juntos ainda que distantes...” Assim, está certa a frase já ouvida: “A saudade é o amor que fica...”


terça-feira, 14 de maio de 2013

A GALINHA AFETUOSA



Gentil galinha, cheia de instintos maternais, encontrou um ovo de regular tamanho e espalmou as asas sobre ele, aquecendo-o carinhosamente. De quando em quando, beijava-o, enternecida. Se saía a buscar alimento, voltava apressada, para que lhe não faltasse o calor vitalizante.
E pensava garbosa: “Será meu pintainho! Será meu filho!”
Em formosa manhã de céu claro, notou que o filhotinho nascia, robusto. Criou-o, com todos os cuidados.
No entanto, em dourado crepúsculo de verão, viu-o fugir pelas águas de um lago, sobre as quais deslizava contente. Chamou-o, como louca, mas não obteve resposta. O bichinho era um patinho arisco e fujão.
A galinha, desalentada por haver chocado um ovo que lhe não pertencia à família, voltou muito triste, ao velho poleiro; todavia, decorrido algum tempo e encontrando outro ovo, repetiu a experiência.
Nova criaturinha frágil veio à luz. Protegeu-a, com ternura, dedicou-se ao filho com todas as forças, mas, em breve, reparou que não era um pintainho qual fora, ela mesma, na infância. Tratava-se de um corvo esperto que a deixou em doloroso abatimento, voando a pleno céu, para juntar-se aos escuros bandos de aves iguais a ele.
A desventurada mãe sofreu muitíssimo. Entretanto, embora resolvida a viver só, foi surpreendida, certo dia, por outro ovo, de delicada feição. Recapitulou as esperanças maternas e chocou-o. Dentro em pouco, o filhote surgia. A galinha afagou-o, feliz, mas, com o transcurso de algumas semanas, observou que o filho já crescido perseguia ratos à sombra. Durante o dia, dava mostras de perturbado e cego; no entanto, em se fazendo a treva, exibia olhos coruscantes que a amedrontavam. Em noite mais escura, fugiu para uma torre muito alta e não mais voltou. Era uma coruja nova, sedenta de aventuras.
A abnegada mãe chorou amargamente. Porém, encontrando outro ovo, buscou ampará-lo. Aninhou-se, aqueceu-o e, findos trinta dias, veio à luz corpulento filhote. A galinha ajudou-o como pôde, mas, em breve, o filho revelou crescimento descomunal. Passou a mirá-la de alto a baixo. Fez-se superior e desconheceu-a. Era um pavãozinho orgulhoso que chegou mesmo a maltratá-la.
A carinhosa ave, dessa vez, desesperou-se em definitivo. Saiu do galinheiro gritando e.se dispunha a cair nas águas de rio próximo, em sinal de protesto contra o destino, quando grande galinha mais velha a abordou, curiosa, a indagar dos motivos que a segregavam em tamanha dor.
A mísera respondeu, historiando o próprio caso. A irmã experiente estampou no olhar linda expressão de complacência e considerou, cacarejando:
- Que isso, amiga? Não desespere. A obra do mundo é de Deus, nosso Pai. Há ovos de gansos, perus, marrecos, andorinhas e até de sapos e serpentes, tanto quanto existem nossos próprios ovos. Continue chocando e ajudando em nome do Poder Criador; entretanto, não se prenda aos resultados do serviço que pertencem a Ele e não a nós, mesmo porque a escada para o Céu é infinita e os degraus são diferentes. Não podemos obrigar os outros a serem iguais a nós, mas é possível auxiliar a todos, de acordo com as nossas possibilidades. Entendeu?
A galinha sofredora aceitou o argumento, resignou-se e voltou, mais calma, ao grande parque avícola a que se filiava.
O caminho humano estende-se repleto de dramas iguais a este. Temos filhos, irmãos e parentes diversos que de modo algum se afinam com as nossas tendências e sentimentos. Trazem consigo inibições e particularidades de outras vidas que não podemos eliminar de pronto. Estimaríamos que nos dessem compreensão e carinho, mas permanecem imantados a outras pessoas e situações, com as quais assumiram inadiáveis compromissos. De outras vezes, respiram noutros climas evolutivos.
Não nos aflijamos porém. A cada criatura pertence a claridade ou a sombra, a alegria ou tristeza do degrau em que se colocou. Amemos sem egoísmo da posse e sem qualquer propósito de recompensa, convencidos de que Deus fará o resto.