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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

EU, VOCÊ E O TEMPO (I)


Preciso deixar-te agora
nesse exato momento
porque um sopro de vento
em meus ouvidos balbuciou
que o nosso tempo acabou
 
Tenho que deixar-te
bem aqui nesse lugar
e não devo ficar
por nem mais um segundo
porque partida
tem hora certa pra todo mundo
 
Se ela acontece antes do tempo necessário
fica parecendo um retalho
que de algum tecido foi arrancado
deixando-o inutilizado
 
Se acontece fora da hora  
é como se fosse algum membro
que acabou sendo amputado
sem ter havido ainda a certeza
que teria gangrenado
 
Se acontece depois do tempo marcado
dá a impressão de algo mofado
que esquecido e guardado
 não é possível mais ser recuperado
 
Então deixo-te agora
nesta exata hora
sem torturas, sem demora
sem arrependimentos
sem nenhum tipo de questionamento
 
O tempo
tem seu momento certo
é o dono de todas as questões
é o pai das soluções
tem sua medida, seu peso
e se não é respeitado
tem seu preço cobrado
 
O tempo não faz promoção
não se permite entrar em liquidação
não aceita subornos pra passar mais depressa
e nem com reza ele admite andar devagar
o tempo não pode parar
e nem correr pra chegar
e é por isso então
que agora vou te deixar
 
Me leve na tua recordação
pra que na tua história eu possa ficar
 lembrando sempre que pra mim
foi uma glória te amar
 
Estou te deixando
e de alguma forma tentando
recuperar a máquina do meu coração
que junto de ti tantas vezes parou em vão
 
 Por muitas peças ela composta
e agora, diante da nossa separação
novamente ficarão
completamente expostas
 a desregular, enferrujar, desengrenar
quem sabe...
até no ferro velho ir parar
 
Meu coração é assim
tem um milhão de engrenagens
e se apenas uma não consegue funcionar
ele corre o risco de parar
 
Mesmo assim
estou te deixando agora
e nunca te esqueças
que com a ajuda do tempo
 fiz isso no melhor momento.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

QUASE




Quase é pouco demais
Por isso o melhor é correr atrás
Do tudo, do completo,
Do inteiro, do repleto.
Quase tem aspecto de derrota
E em verdade ninguém suporta
Ser quase amado,
Ser quase querido,
Ser quase respeitado.
Quase é menos que nada
Afinal, nada é algo que já se definiu
E quase é alguma coisa que nunca se concluiu.
Quase tem aparência de retalhos
De tecidos ordinários,
Tem o sabor amargo do jiló
E machuca como se amarrasse com um nó.
Quase não fortalece, não alimenta,
Não engrandece, não sustenta.
Quase tem cheiro de indiferença,
Não tem força e nem resistência,
Não tem credibilidade e nem consistência.
Quase é como subir uma escada
E ao seu topo jamais chegar
Portanto o que há no final dela
Nunca se poderá alcançar.
Quase é um fundo de poço tão profundo
Que chega a não fazer parte desse mundo.
Se o quase, de alguma forma, o satisfaz
Eu sinto muito pois é bem capaz
Que você não viva em paz.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

PENSANDO EM CERTOS SONHOS




A gente tem sonhos que esconde em baixo das cobertas, varre pra debaixo do sofá, guarda dentro do armário.
A gente tem sonhos que não revela, que vão ficando velhos dentro de nós, mofados, amarelados, mas mesmo assim não desistimos de sonhá-los.
A gente tem alguns sonhos possivelmente impossíveis, mas impossivelmente tentadores e cada um desses sonhos vai arrombando uma certa porta que existe no nosso imaginário e tentando acontecer.
Sonhos coloridos que nos fazem fechar os olhos e perder minutos do dia imaginando se tudo fosse verdade, sonhos atrevidos que nos fazem sorrir no meio de uma multidão.
Temos sonhos, divagamos, depois voltamos à realidade e pensamos: quanta bobagem!!! Mas, quem dera também se fosse tudo verdade, quem dera houvesse um espaço dentro do mundo pra que fosse tudo realidade.
A gente tem sonhos até infantis, tem sonhos doloridos e sofridos, sonhos de saudade, de passado de algum tempo em que tudo foi realizado.
Ultimamente tenho enrolado meus sonhos num papel dourado, colocado dentro de uma caixinha reluzente, trancado e jogado a chave lá no fundo... e vou caminhando prá lá... sem nada esperar, nem pensar.
Vamos ver o que pode acontecer, pode ser que quando eu chegue lá meus sonhos estejam ainda a me esperar, aí abrirei a caixinha e verei o que aconteceu... se o meu amontoado de sonhos envelheceu ou se ainda haverá tempo dentro do meu tempo para realizá-los.
Até logo, vou partindo rumo ao futuro. Torça por mim, quando me reencontrar com meus sonhos, lhe dou notícias minhas, lhe conto se eles todos morreram ou se finalmente floresceram.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O TEMPO



Há uma cerca no meio da vida. Uns pulam para o lado de lá, outros não. Uns conseguem transpô-la. Outros tentam, mas não são bem sucedidos.
Ela é alta, muitas vezes de arame farpado. Se você atravessá-la, não terá como voltar. Se você não tentar, não terá como saber o que tem do lado de lá.
Você não terá como contar com ninguém nessa travessia, terá que fazê-la sozinho. Não haverá ninguém que lhe ajude nessa tarefa. Também não haverá quem lhe escore caso caia.
Se você realmente conseguir atravessar essa cerca, nunca poderá contar a ninguém que ficou do lado de cá, como é o lado de lá, assim como quem está do lado de lá, também não tem como contar para alguém que está do lado de cá, como são as coisas por lá.
Você não tem como levar ninguém junto com você. Essa travessia é única, exclusiva de cada um. A decisão de atravessar também é só sua. O arrependimento ou a vitória de ter conseguido, também é só seu. O momento dessa decisão é importante. É agora ou nunca.
Você tem um prazo para tomar essa atitude, não o deixe expirar. Se você não atravessar essa cerca, o próprio tempo poderá lhe mostrar que o lado de lá valia a pena. Caso você tome essa atitude antes do tempo, ele também lhe mostrará que não era o momento certo.
Se você tomar a iniciativa depois do tempo, não será mais possível essa travessia. O temo tem seu próprio tempo. Você terá sempre que sintonizar o seu tempo ao tempo do tempo. Ele não dá trégua, ele não se atrasa, nem se adianta. Ele não volta atrás, nem pula etapas.
Essa é a única coisa na vida da qual somos realmente escravos – O TEMPO. Não adianta correr atrás dele, nem é possível adiantar-se a ele. Também não espere por ele sentado. Caminhe com ele, lado a lado.
Na maratona entre você e o tempo o vencedor é aquele que consegue largar junto dele e cruzar a reta de chegada no mesmo milésimo de segundo que ele. Atravessando a cerca ou não, que seja no tempo certo e principalmente se ele lhe mostrar que a travessia se faz realmente necessária.
Dê tempo ao tempo, espere o seu tempo e acompanhe o tempo. Nada chega antes do tempo, nada se vai depois do tempo. Nada se transforma sem que o tempo permita e nada morre sem que ele autorize.
Obedeça o tempo, não tente atravessar a cerca se não tiver a certeza que deve fazer isso e se tiver que fazê-lo, não o faça nem antes, nem depois do tempo.