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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

SAIBA COMO LIDAR COM OS MOMENTOS DE DIFICULDADE



Às vezes, como agora, movida por certos movimentos que se alastram como ondas por todo o nosso planeta, sinto uma urgência em falar sobre certos assuntos.
O mundo inteiro vem sendo sacudido por acontecimentos que abalam a todos nós. Estruturas que pareciam confiáveis e seguras, de um momento para outro, mostram toda a sua fragilidade. Prédios caem sob a força da natureza, a economia mundial treme, as pessoas perdem-se em meio a um pânico que só torna tudo pior. Coletivamente, estamos enfrentando um tsunami simbólico, uma enorme onda que está varrendo o planeta, espalhando medo, insegurança e angústia.
Como podemos enfrentar, de forma mais equilibrada, um momento como esse?
Eu penso no ser humano como um ser ainda inacabado. Evoluímos biologicamente, mas ainda temos um longo caminho até nos tornarmos uma espécie realmente viável. A evolução precisa continuar acontecendo (e continua), agora no nível da nossa consciência. Precisamos nos tornar mais sábios, com urgência! Precisamos evoluir em nossos valores ou corremos o risco de não conseguir seguir adiante. Precisamos aprender a escolher melhor o que queremos.
Quando será que compreenderemos, enquanto espécie, o quanto são ilusórias a maior parte de nossas buscas e desejos?
Montamos nossa casa na superfície da vida, nessa mesma superfície que está sendo varrida por uma onda gigante de acontecimentos que não podemos controlar. Valorizamos coisas que são impermanentes e isso nos deixa com uma constante sensação de insegurança. Nunca podemos descansar, precisamos continuar sempre refazendo os castelos de areia que insistimos em construir à beira-mar.
Eu sei que você já ouviu falar sobre isso várias vezes, mas tente sentir, por um instante o que as palavras transmitem.
A verdade é que não existe segurança real em nada que esteja fora de nós. A segurança não está em nossos bens materiais, não está na espessura das paredes de nossas casas, não está nas pessoas que aparentemente nos protegem. Qualquer coisa que exista fora de nós pode ser varrida do mapa de um momento para o outro, essa é a verdade, mesmo que seja incômodo para você ouvi-la.
A única segurança real, que não pode jamais ser levada de nós, é a segurança que podemos encontrar em nosso íntimo. É a segurança que podemos encontrar ao sentir que existe, dentro de nós, um espaço de força e sabedoria. É a segurança de que, resgatada essa sabedoria, conseguiremos lidar com o que quer que venha em nossa direção.
Precisamos aceitar algo:
- Não temos poder para controlar a vida.
Nenhum de nós tem como controlar a vida. Não podemos controlar o que vai nos acontecer. Não podemos impedir que as bolsas caiam, não podemos impedir que nossos bens sejam roubados, por mais medidas protetoras que tenhamos tomado; não podemos impedir que uma pessoa que amamos nos abandone. Não podemos aprisionar a vida e obrigá-la a seguir na direção que nos é mais confortável.
Podemos, isso sim, fazer o nosso melhor. Podemos construir nossas casas em um lugar mais seguro, esse que existe dentro de nós. Podemos aprender a valorizar e cuidar com carinho do que temos, podemos valorizar nossos relacionamentos, podemos ser observadores e evoluir no sentido de fazer escolhas mais sábias. Mas, feito isso, não há mais o que fazer.
E é nesse momento, mergulhados em uma inevitável sensação de impotência, que podemos “ser” mais. Podemos resgatar de nossas profundezas as pérolas poderosas capazes de aliviar nossa dor. É nesses momentos em que, atirados ao chão pela fragilidade humana, nos descobrimos sobre-humanos ao não desistir. É nesses momentos que, mesmo abalados, seguimos em frente, confiantes de que encontraremos uma maneira de nos tornarmos mais inteiros.
A força brota em nós quando nos recusamos a ser controlados pelo medo.
A força vem quando paramos de sofrer pelo que não podemos controlar e assumimos responsabilidade por aquilo que está ao nosso alcance, um passo por vez.
A força vem quando percebemos em nós algo maior que não pode ser destruído. Quando sentimos a existência desse “algo” em nossas profundezas (chame isso como quiser: sua luz, sua essência, sua sabedoria...), uma coisa muito especial acontece: diminuímos sensivelmente o nosso sofrimento.
Subitamente encontramos paz em meio ao tormento. E, acredite, de dentro dessa paz enxergamos melhor.
Nos momentos de dificuldade, mais do que em qualquer outro, precisamos ser capazes de manter a paz, para que possamos manter a lucidez, encontrar saídas, elaborar soluções criativas, fazer o que precisa ser feito. Essa é a hora em que temos a chance de nos apropriar de nossa tenacidade, de nossa capacidade de seguir adiante (quando muitos desistem), de superar nossos medos e descobrir a força de um coração que age (cor-agem). É a hora de ir além do cotidiano robótico em que vivemos e experimentar a força de nossas asas, que se recusam a parar de bater.
Assim, em momentos de desafios, procure aquilo que existe além das fronteiras conhecidas do seu ser. E acredite, existe lá alguém mais sábio e poderoso, uma parte sua que pode ajudar você a enfrentar seus desafios, a reverter a seu favor esse momento aparentemente sombrio e assustador. Talvez você esteja assistindo ao nascimento de si mesmo.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

MOMENTOS DE DOR


Todos passamos por momentos difíceis vez ou outra na vida. Muitas vezes parece que o mundo se derrama sobre nós com a fúria dos ventos e das tempestades e nos sentimos levados por uma espiral enlouquecida que derruba tudo ao nosso redor até que nada familiar reste.
Se começarmos a sofrer por algo, é preciso aceitar essa situação e não fugir dela. Devemos, sim, ir ao seu encontro já nos primeiros sinais, descobrir suas causas, e reajustar o caminho, antes que uma pequena dor se transforme num monstro maior do que nós Não há como evitar, por mais que tentemos, por mais cuidadosos que sejamos, não podemos evitar os movimentos dolorosos da vida. Como um vulcão, a dor muitas vezes brota de dentro de nós cuspindo fogo e labaredas.
Outras vezes parece um mar em fúria que nos engole com suas ondas incontroláveis. Existe ainda aquela dor persistente que vai-nos enlouquecendo aos poucos, algo parecido com o que sentiríamos se nos sentássemos sobre um formigueiro.
Não importa a natureza do desafio, uma coisa é verdade: quanto mais resistimos, mais expostos e vulneráveis ficamos!
Seja lá qual for a forma como a dor venha visitar você, receba-a em sua sala de visitas. Sirva-lhe um chá quente e saboroso. Cuide para que vocês tenham alguns momentos da mais profunda paz. Olhe bem no centro de seus olhos e pergunte-lhe:
- Por que você veio me visitar? O que quer me dizer?
Não tente evitar ou negar a dor. Isso é impossível. Converse com a dor. Ouça seus argumentos: pergunte-lhe a razão de sua visita.
A dor é uma mensageira da alma. Sofremos quando insistimos em ficar estagnados. Sofremos quando nos recusamos fazer um movimento necessário. Sofremos quando resistimos à vida. A dor é uma mensageira que vem com a missão de nos fazer caminhar, seguir adiante.
É claro que não há como evitar tudo isso, mas sempre podemos escolher. Podemos resistir ou nos mover. Quanto mais resistimos, mais dói. Quando nos movemos, deixamos para trás o que nos fazia sofrer, até que um dia aquilo se torna uma lembrança que, se bem trabalhada, ganha o status de sabedoria.
A dor vem para trazer algo à tona, para nos fazer ver o que nos recusamos a enxergar, vem para abrir nossos olhos, para rasgar nosso coração, para despertar a nossa consciência. É a alma nos alfinetando porque nos quer mais felizes. Não é uma punição, não é uma maldição, é um ato de amor do Universo tentando nos tornar ainda melhores do que somos.
Não que esse seja o único caminho de crescimento e transformação, é claro que existem trilhas mais amenas. Mas mesmo nestas, vez ou outra pisamos em um espinho, topamos com uma pedra ou somos picados por uma abelha irada que teve sua colméia perturbada por nossa distração.
Assim, quando estiver imerso em algum tipo de dor, evite a tentação de fugir dela.
Plante-se bem no meio daquela sensação, abra os ouvidos e ouça o que ela tem a lhe dizer. Feito isso, levante-se, erga a cabeça e mova-se.
Evite mascará-la criando falsos estados de fortaleza. Muitas pessoas associam dor à fraqueza e a escondem até de si mesmos. Fingem que não estão sofrendo e com isso afastam-se da ajuda possível - aquela que vem da própria dor.
Outro dia eu li que algumas pessoas nascem sem a possibilidade de sentir dor, fisicamente falando, e que essas pessoas são muito vulneráveis. Imagine se você tiver uma apendicite e não sentir nada? Imagine se tiver uma úlcera e não sentir nada?
A dor é protetora!
A dor nos protege de nós mesmos. Se seguíssemos sempre em sintonia com os movimentos da vida não precisaríamos sentir dor.
Fique atento sempre que algo for dolorido para você. Reajuste seu caminho logo nos primeiros sinais.
Não espere que a dor tenha que se tornar monstruosa para que você a ouça.
Assim, quando uma abelha picar você, não a mate... apenas lhe peça para ser mais específica!

domingo, 20 de dezembro de 2009

A PRESSA


A pressa faz com que pulemos etapas, nos atropela antes que tenhamos tempo de sonhar com alguém a quem poderíamos amar. E sem o sonho, se vai o desejo, e se vai o gancho inicial que permitiria a união de duas pessoas. A pressa nos leva a encontros desprovidos de alma, nos lança a trocas meramente físicas que não têm força suficiente para criar laços mais profundos. Hoje em dia temos pressa para tudo. Se antes um contrato levava dez ou vinte dias para chegar ao outro lado do mundo, ser assinado e devolvido; hoje chega num toque do teclado do seu micro. Se antes uma refeição levava horas para ser preparada, hoje basta colocar uma embalagem no micro-ondas e, alguns segundos depois, a comida está lá fumegante no seu prato.
É fato, basta observar: os relacionamentos vêm seguindo o mesmo caminho. Não se vê mais o jogo de conquista, a sedução inteligente, a corte, como se dizia antigamente. Hoje tudo é instantâneo.
A pressa em obter a posse do outro, com sua anuência, acaba tendo efeitos que a maioria das pessoas não percebe. Por incrível que pareça, tal ânsia é como a assinatura da sentença de morte do possível relacionamento.
- Morreu, antes mesmo de ter a chance de nascer.
Ora, para que um relacionamento se estabeleça é necessário que exista desejo pelo outro, não apenas o desejo carnal, mas o desejo de estar mais próximo daquela pessoa, não só no mundo corporal objetivo, mas também na subjetividade do seu ser.
Idealizar é necessário
Aos que anseiam por um relacionamento cabe pensar que desejamos aquilo que não temos. É no vazio do “não ter” que nasce a semente ardente do desejo; é no vazio que se sonha com o que poderia vir a ser. Assim, é necessário que exista um espaço em branco no qual possamos derramar a nossa idéia do ser amado. Estou aqui falando da idealização, dessa fase de “imaginar” o outro, algo que necessariamente precisa acontecer para que suportemos dar início a um relacionamento. Ora, se eu não “acreditar” - nem que na fantasia de quem ainda não conhece o outro o suficiente para de fato “saber” - se eu não acreditar que aquela pessoa possa ser bacana, me fazer bem, compartilhar sonhos comigo... como darei a ela chance de se aproximar de mim?
“Desidealizar” também é necessário...
Tudo a seu tempo!
É claro que, depois de cumprida a tarefa de permitir a aproximação inicial entre duas pessoas, a idealização precisará ser contestada, faz parte de nosso amadurecimento. Mais para frente no relacionamento, precisaremos exercitar uma visão mais realista e perceber que aquela pessoa não é exatamente o que sonhamos, precisaremos perceber quem de fato é aquele ser, por baixo das coisas que projetamos nele. E exercitar a nossa tolerância e a nossa capacidade de aceitar aquela pessoa como ela realmente é.
Mas sem essa idealização inicial, nada acontece, aceitemos isso ou não.
E para que esse primeiro passo com relação ao outro aconteça, é preciso espaço, o espaço em branco que nos permite projetar nossos sonhos e anseios amorosos. O espaço que temos quando não estamos ao lado da pessoa. O espaço que temos enquanto nos perguntamos se o outro irá ou não ligar, se irá ou não vir em nossa direção. O espaço que temos enquanto nos perguntamos se um dia aquela pessoa irá nos beijar e deitamos no sofá tentando imaginar como será o toque daquelas mãos, ou tentamos nos lembrar do som da sua voz. Esse espaço vazio no qual derramamos nosso desejo, delicioso espaço no qual sonhamos e idealizamos o ser amado.
A pressa, no entanto, nos rouba esse espaço. A pressa faz com que pulemos etapas, nos atropela antes que tenhamos tempo de sonhar com alguém a quem poderíamos amar. E sem o sonho, se vai o desejo, e se vai o gancho inicial que permitiria a união de duas pessoas. A pressa nos leva a encontros desprovidos de alma, nos lança a trocas meramente físicas que não têm força suficiente para criar laços mais profundos.
Na pressa vivemos tudo de forma tão crua que se torna impossível estabelecer vínculos, tudo se torna rapidamente descartável e sem sabor. Na pressa e na ânsia de ter alguém a nosso lado, selamos nosso destino solitário. Ou seja, na pressa, sem perceber, criamos desamor.
Assim, se puder, tente acalmar sua ansiedade, caminhe com mais tranquilidade e firmeza na direção do que quer. Não perca seu ritmo interno e não permita jamais que outra pessoa faça você caminhar numa velocidade que não seja também a sua.
Enviado por http://rosani1964.blogspot.com/