Páginas

domingo, 20 de dezembro de 2009

A PRESSA


A pressa faz com que pulemos etapas, nos atropela antes que tenhamos tempo de sonhar com alguém a quem poderíamos amar. E sem o sonho, se vai o desejo, e se vai o gancho inicial que permitiria a união de duas pessoas. A pressa nos leva a encontros desprovidos de alma, nos lança a trocas meramente físicas que não têm força suficiente para criar laços mais profundos. Hoje em dia temos pressa para tudo. Se antes um contrato levava dez ou vinte dias para chegar ao outro lado do mundo, ser assinado e devolvido; hoje chega num toque do teclado do seu micro. Se antes uma refeição levava horas para ser preparada, hoje basta colocar uma embalagem no micro-ondas e, alguns segundos depois, a comida está lá fumegante no seu prato.
É fato, basta observar: os relacionamentos vêm seguindo o mesmo caminho. Não se vê mais o jogo de conquista, a sedução inteligente, a corte, como se dizia antigamente. Hoje tudo é instantâneo.
A pressa em obter a posse do outro, com sua anuência, acaba tendo efeitos que a maioria das pessoas não percebe. Por incrível que pareça, tal ânsia é como a assinatura da sentença de morte do possível relacionamento.
- Morreu, antes mesmo de ter a chance de nascer.
Ora, para que um relacionamento se estabeleça é necessário que exista desejo pelo outro, não apenas o desejo carnal, mas o desejo de estar mais próximo daquela pessoa, não só no mundo corporal objetivo, mas também na subjetividade do seu ser.
Idealizar é necessário
Aos que anseiam por um relacionamento cabe pensar que desejamos aquilo que não temos. É no vazio do “não ter” que nasce a semente ardente do desejo; é no vazio que se sonha com o que poderia vir a ser. Assim, é necessário que exista um espaço em branco no qual possamos derramar a nossa idéia do ser amado. Estou aqui falando da idealização, dessa fase de “imaginar” o outro, algo que necessariamente precisa acontecer para que suportemos dar início a um relacionamento. Ora, se eu não “acreditar” - nem que na fantasia de quem ainda não conhece o outro o suficiente para de fato “saber” - se eu não acreditar que aquela pessoa possa ser bacana, me fazer bem, compartilhar sonhos comigo... como darei a ela chance de se aproximar de mim?
“Desidealizar” também é necessário...
Tudo a seu tempo!
É claro que, depois de cumprida a tarefa de permitir a aproximação inicial entre duas pessoas, a idealização precisará ser contestada, faz parte de nosso amadurecimento. Mais para frente no relacionamento, precisaremos exercitar uma visão mais realista e perceber que aquela pessoa não é exatamente o que sonhamos, precisaremos perceber quem de fato é aquele ser, por baixo das coisas que projetamos nele. E exercitar a nossa tolerância e a nossa capacidade de aceitar aquela pessoa como ela realmente é.
Mas sem essa idealização inicial, nada acontece, aceitemos isso ou não.
E para que esse primeiro passo com relação ao outro aconteça, é preciso espaço, o espaço em branco que nos permite projetar nossos sonhos e anseios amorosos. O espaço que temos quando não estamos ao lado da pessoa. O espaço que temos enquanto nos perguntamos se o outro irá ou não ligar, se irá ou não vir em nossa direção. O espaço que temos enquanto nos perguntamos se um dia aquela pessoa irá nos beijar e deitamos no sofá tentando imaginar como será o toque daquelas mãos, ou tentamos nos lembrar do som da sua voz. Esse espaço vazio no qual derramamos nosso desejo, delicioso espaço no qual sonhamos e idealizamos o ser amado.
A pressa, no entanto, nos rouba esse espaço. A pressa faz com que pulemos etapas, nos atropela antes que tenhamos tempo de sonhar com alguém a quem poderíamos amar. E sem o sonho, se vai o desejo, e se vai o gancho inicial que permitiria a união de duas pessoas. A pressa nos leva a encontros desprovidos de alma, nos lança a trocas meramente físicas que não têm força suficiente para criar laços mais profundos.
Na pressa vivemos tudo de forma tão crua que se torna impossível estabelecer vínculos, tudo se torna rapidamente descartável e sem sabor. Na pressa e na ânsia de ter alguém a nosso lado, selamos nosso destino solitário. Ou seja, na pressa, sem perceber, criamos desamor.
Assim, se puder, tente acalmar sua ansiedade, caminhe com mais tranquilidade e firmeza na direção do que quer. Não perca seu ritmo interno e não permita jamais que outra pessoa faça você caminhar numa velocidade que não seja também a sua.
Enviado por http://rosani1964.blogspot.com/

11 comentários:

Adelia Ester disse...

Maria José, vivemos atualmente na era do fast- food. E em termos de relacionamentos, isto é lamentável, pois atropelam-se etapas extremamente importantes. O sentir fica em defasagem e sem ele o ser humano se deteriora cada vez mais. Beijos.

Chris... ჱܓ disse...

Hoje tudo é apressado... E se a gente não acompanhar, somos taxados de retrogrado...
Com essa correria, passamos pela vida e não vivemos...
A humanidade está cada vez mais superficial...

Muito gostoso de ler teus textos... Parabéns!

Te desejo um Natal de muita paz e amor entre os seus... E que o espírito natalino se prolongue por todos os dias do novo ano...
Feliz Natal e um 2010 de muitas felicidades e realizações!
Bjos!

Jorge disse...

Maria José,
O mundo confunde amor com paixão. O que o homem busca não é relacionar-se com intenção de ser feliz, mas ser feliz relacionando-se. Nessa troca apenas superficial, vem-se o apego pois o sentido de posse fala mais alto. Tudo é "meu", esquecendo-se que do jeito que o homem vem ao mundo, também vai do mesmo jeito: sem nada, a não ser as que vivenciou com o coração.

Maria José, um doce beijo

Jorge

Lice Soares disse...

Bom texto. Boa reflexão para esse tempo tão apressado em que, na pressa, grandes valores se tornam pequenos, criando em nós um mundo vazio.
Parabéns.

Kelly disse...

Escreveu exatamente tudo que penso sobre o assunto...beijo e uma ótima semana

angela disse...

As relações estão mudando e a gente estranha pois faz parte de outro época, de outra educação, mas se olharmos ao lungo da história veremos que as relações mudam. Se é melhor ou pior não sei dizer, só sei que o que se distancia do coração não é bom.
beijos

ONG ALERTA disse...

Maria José, espero que Alessandra possa também conhecer a Marcela e juntas viver neste novo universo, nossas filhas talvez tivessem pressa para vir e ir, fizeram sua história da melhor maneira que puderam, nos enssinaram muitas coisas e nós ensinamos a elas o que foi necessário, esta época para nós não é fácil, penso que poderíamos dormir e agordar só em janeiro, e mais um ano...
Pressa engraçado para nós voou...pensei que eu nem sobreviveria um ano, vai passar mais um...depois mais...enfim como conseguimos chegar até aqui???
Marcela e Alessandra um dia quero acordar sem pressa e poder abraçar como se fosse seu primeiro dia...te amo, te adoro tu mora no meu coração, paz crianças....

Pelos caminhos da vida. disse...

Cada dia que passa me assusto cada vez mais com a pressa em tudo, tento não acompanhar esse ritmo assim não perco nada de importante que passe em minha vida sem eu perceber.

Um gde abraço amiga.

Uma semana de muitas e muitas bençãos.

beijooo.

KG disse...

Que nos anos vindouros possamos ter mais Paz em nossos corações!
Que a humanidade possa compreender a não existência de continentes, países, etnias, culturas e religiões... Somos todos Irmãos e seres humanos! Apenas isso...

Um Feliz Natal e um ano maravilhoso a vc e a todos esses incríveis blogueiros que, junto conosco, nos ajudam a melhorar o mundo de alguma forma!



"What Do You Say?(What Do You Say)
Will The Human Race Be Run In A Day? (In A Day)
Or Will Someone Save This Planet We're Playing On?
Is It The Only One? (What Are We Going To Do?) "

Pipes Of Peace


Bjs e abraços, KG

Unknown man disse...

Maria José,

Quem tem pressa, não vive. Quando olhamos para trás, percebemos que nada fizemos no sentido de crescimento.
E estamos aqui é justamente para aprender, amadurecer e crescer. A pressa nos tira este fato que se torna fardo à medida que o tempo passa. No fim, perceberemos que apenas cansamos sem nada realizar.

Maria José, doce amiga, tenha um maravilhoso Natal de luz!!!!

Com amor,
Uman

MOMENTOBRASILCOM.COM disse...

Maria José, lí duas vezes este texto. Usou de sagacidade e a perspicácia da PSICÓLOGA. Todo relacionamento sadio requer o eqilíbrio entre a emoção(coração) e a razão(cérebro). A globalização trouxe tb a rapidez de raciocínio, a ampliação da sagacidade. Como dizem alguns hj em dia a "fila anda". Quem ñ se atualização é deixado p/ tras.A felicidade só bae na porta uma única vez! Tem-se que montar no "cavalo q/passa selado à nossa frente" e a inteligencia e rapidez de raciocínio p/ diminir a velocidade. Abrçs.Roy Lacerda.