Páginas

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O PERDÃO



Precisamos parecer um pouco com os outros para compreendê-los, mas precisamos ser um pouco diferentes para amá-los. [Paul Géraldy (poeta e dramaturgo francês – 1885-1983)]
O perdão é uma ferramenta indispensável para nossa libertação. Se me perguntarem qual o sentimento mais libertador, eu direi, sem pensar muito, que é o ato de perdoar. O perdão, através do verdadeiro acolhimento e da real compreensão da situação que nos magoou, consegue nos encaminhar para a alforria de qualquer dor, cisão, e nos abre o caminho para a verdadeira inteireza.
Quando me refiro ao ato de perdoar, não é sobre o perdão eclesiástico, por medo de arder no fogo do inferno. Muito menos referente à submissão de outrem à nossa própria altivez, nos delegando algum poder ou superioridade, como se tivéssemos o poder divino de decisão. Não estou falando também de empurrar emoções para debaixo do tapete, motivado(a) pela ilusão de que sentimentos reprimidos não representam ameaças.
Não. Falo sobre a compreensão genuína das nossas mágoas, ressentimentos, medos e melindres, para que possamos acolhê-los, compreendê-los e perdoar a nós mesmos e aos outros.
Viver, conviver, compartilhar significam ganhos e perdas nas relações. As pessoas são diferentes, têm suas dificuldades, suas inseguranças, suas carências, e quando isso é colocado em xeque ou em confronto com o outro, o cálice transborda.
Na maioria das vezes sobram ressentimentos, amarguras e uma terrível sensação de decepção e desamparo.
Quem nunca se sentiu assim? Pois é, mas a vida continua e precisamos estar inteiros e disponíveis para sermos quem em verdade somos. Não podemos carregar uma bagagem pesada e estarmos, ao mesmo tempo, livres e íntegros.
Quando um copo está cheio, uma gota o faz transbordar. As pessoas são humanas, como nós; erram, acertam; não se pode esquecer que ninguém é igual sempre. O que eu fui ontem, certamente não é mais o que sou hoje.
Os sentimentos mudam, os valores também. Ficarmos atrelados ao passado, seja nosso ou do outro, é estúpido, improdutivo e, o pior, involutivo.
Ser tomado pela fúria e por mágoas demanda muita adrenalina, desgaste físico, emocional, mental e energético. Perdemos muito, em todos os sentidos, com essas emoções.
Precisamos exonerar pensamentos obsessivos que insistem em nos perseguir e se instalar em nosso emocional.
Se estamos lotados de raiva, rancor e anseios de retaliação, contaminamos nosso ambiente, as pessoas, nossos projetos, nossos desejos, e perdemos essa energia fecunda que nos faz prósperos, bem-sucedidos, amados, criativos, generosos e consequentemente inteiros e mais felizes.
“Uma certa vez um velho índio disse: dentro de mim, existem dois cachorros: um deles é cruel e perverso, o outro, generoso e magnânimo. Os dois estão sempre brigando! Quando perguntaram qual dos dois cães ganharia a briga, o sábio índio parou, refletiu e respondeu: Aquele que eu alimento!”

4 comentários:

Claudia disse...

Muito linda esta postagem...perdoar sempre - obrigatório!!!

✿ chica disse...

Muito linda e o perdão é preciso, vale muito, desde que venha do coração e seja realmente verdade! beijos,chica

Calu disse...

Oi Maria Jose,
nunca é demais estar-se debatendo este tema, levando à reflexão necessária por cada dia e cada situação referente.
Concordo com a autora sobre o ato de perdoar; não é fácil, mas é ato libertador.
Um abraço,
Calu

Cidinha disse...

Oi, Maria... Uma linda mensagem e reflexção. Importante ter-se conciência da importância do perdão na nossa vida. È divino! Gostei muito também da imagem. Querida amiga, quero deixar um grande abraço ao seu Pai. Belo texto e foto! Um ser iluminado... muitas bençãos sempre, saúde e paz! Bjos e boa semana.