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quinta-feira, 31 de maio de 2012

SE O AMOR PUDESSE GRITAR




Não sei dizer se é a falta do tempo, ou não querer perdê-lo, que nos leva a buscar coisas prontas ou pelo menos que nos deem o menor trabalho possível. É como se quiséssemos cortar caminho para chegar ao mesmo ponto que o coração visa.
No nosso relacionamento com outras pessoas temos também uma certa tendência a, ao invés de construir relações, querer encontrar coisas feitas, situações prontas e que nos deem segurança. Construir significa ter trabalho, empenhar-se, dar de si e, por que não, ceder e perder-se um pouco na busca de um encontro profundo.
Nos lamentamos pelo que não foi construído para nós e nos esquecemos do nosso poder de reparar, recuperar e reconstruir. Se temos um sonho, por que esperar que outros ponham as escadas no caminho para que subamos às nuvens? Colocando, nós, cada degrau, saberemos onde estaremos pisando.
Aquilo que exige de nós tempo e esforço merecerá uma alegria muito maior no dia da conquista.
Uma das histórias reais e mais bonitas que conheço é essa dessa filha que foi abandonada pela mãe quando criança. Ela cresceu com o sonho de ter uma mãe e já na idade adulta procurou pela mesma, colocando de lado todos os porquês de tanto abandono, de tantos anos de dor e solidão. Ela "decidiu" ter a mãe e tem. Cuida dela como se fosse a flor mais linda e preciosa do mundo, por que ela conhece o que é desejar e não ter e escolheu não viver a vida lamentando-se pelo tempo perdido. Constrói álbuns a partir do tempo que recuperou, vai acumulando lembranças para o dia do amanhã e saudade sincera para o possível dia da partida. Penso que abençoada é essa mãe e preciosa é essa filha. Precioso é esse ser humano.
Nossas razões nos colocam limitações. Os erros alheios nos parecem imperdoáveis e punidos somos nós pela rejeição da construção de uma vida diferente e nova, os quais seríamos o arquiteto, pedreiro e feliz proprietário.
Quando deixamos de falar com uma pessoa porque nosso coração ficou ferido, vamos colocando a felicidade num passo a frente e aquele momento de zanga fica perdido. Se tínhamos dez oportunidades de sermos felizes, teremos apenas nove porque nosso coração foi orgulhoso demais e isso falou mais alto.
Toda felicidade não é utopia. Utopia é pensar que permanecendo na nossa dureza e guardando nossas razões estaremos ganhando alguma coisa. Sonhos não são quimeras, são desejos que nosso coração pode realizar.
Se o amor pudesse sempre gritar, se ele pudesse segurar nosso rosto para a direção do sol e das flores, seríamos mais felizes, menos sérios, menos graves, mais leves, mais próximos do céu.

6 comentários:

Denise disse...

Demais!
Gostei muito da reflexão que ela fazendo, nos obriga a fazer tb....levei pro face...digno de compartilhar com muitas pessoas, né?

Bjo, Maria José!

Rô... disse...

oi minha amiga,

ah,se pudesse...
muito bom pensar sobre isso tudo,
adorei sua escolha!!!

beijinhos
e amanhã você estará comigo no meu cantinho

Mari disse...

Boa noite amiga! Que lindo texto, uma bela história...


Bjo cheio de mimo!


http://mariasimagempessoal.blogspot.com.br

Ilca Santos disse...

Olá amiga querida,
Que lindas e sábias palavras!
Belo texto, nos leva a uma grande reflexão! Adorei!
Amiga, ontem fez 2 anos que a minha Thais partiu, fiz um post especial em sua homenagem.
Um beijo em seu coração e obrigada pelo carinho.

Kinha disse...

Achei linda a histórioa da filha que foi atrás da mãe.

Cynthia (Astroterapia Junguiana) disse...

Olá Maria, o Amor é uma palavra que deve ser cultivada, belo texto, bjs Cynthia