Perdoa-me, Senhor, se estou cansada de meus sonhos falidos, longe de ti, vagando, estrada a estrada, nas muitas quedas de meus tempos idos.
Jesus, se posso ainda despenhar-me na treva em que o passado me envolvia, que a tua previdência me desarme qualquer inclinação à rebeldia.
Se ainda posso afundar-me em desalinho, replantando ilusões para frutos amargos, não me deixes a sós, nos passos do caminho, conserva-me no chão de meus próprios encargos.Se agindo ou imaginando, estiver a ferir nos gestos sem razão de que ainda me valho, guarda-me no dever sem meios de fugir à escravidão bendita do trabalho.
Nas construções verbais a que me entrego no anseio de encontrar tarefas benfazejas, não consintas que eu diga às sombras que carrego, induze-me a falar, conforme o que desejas.
Quando vacile ou tente desertar da luz bendita com que me renovas, não me deixes sair de meu justo lugar, mesmo à custa de crises e de provas.
Despoja-me, Senhor, da sombra que me enlaça, a minha teimosia chega ao fim, consente-me entender o que queres que eu faça, ajuda-me, Senhor, a esquecer-me de mim...


