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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

RENDIÇÃO


Perdoa-me, Senhor, se estou cansada de meus sonhos falidos, longe de ti, vagando, estrada a estrada, nas muitas quedas de meus tempos idos.
Jesus, se posso ainda despenhar-me na treva em que o passado me envolvia, que a tua previdência me desarme qualquer inclinação à rebeldia.
Se ainda posso afundar-me em desalinho, replantando ilusões para frutos amargos, não me deixes a sós, nos passos do caminho, conserva-me no chão de meus próprios encargos.
Se agindo ou imaginando, estiver a ferir nos gestos sem razão de que ainda me valho, guarda-me no dever sem meios de fugir à escravidão bendita do trabalho.
Nas construções verbais a que me entrego no anseio de encontrar tarefas benfazejas, não consintas que eu diga às sombras que carrego, induze-me a falar, conforme o que desejas.
Quando vacile ou tente desertar da luz bendita com que me renovas, não me deixes sair de meu justo lugar, mesmo à custa de crises e de provas.
Despoja-me, Senhor, da sombra que me enlaça, a minha teimosia chega ao fim, consente-me entender o que queres que eu faça, ajuda-me, Senhor, a esquecer-me de mim...

domingo, 26 de julho de 2009

NÃO PERCAS TEMPO


Não deixes para mais tarde a palavra calma e boa. Que salva, anima e perdoa, curando ofensa ou pesar: talvez muita gente esteja na pauta do que eu te digo, pedindo-te um gesto amigo que não se deve adiar.
Às vezes, num só abraço, numa frase ou num sorriso, temos nós o que é preciso em qualquer reparação. Faze agora o bem que possas, não aguardes outro dia, bondade semeia e cria vida nova no coração.
Haja o que houver em caminho, não guardes ressentimento, todo minuto é momento de ajudar e recompor. Não apontes, nem lastimes a incompreensão que te alcança, para quem segue a esperança. Deus é a presença do amor.

domingo, 31 de maio de 2009

MENSAGEM DA PAZ


Às vezes, cismas, coração amigo, como varar a treva, a cilada e o perigo, fazendo luz no próprio ser. Das perguntas que fiz, onde a aflição me encosta, deu-me a vida por única resposta: — Esquecer, esquecer.
Perguntei à roseira, aberta em pétalas e cores, como agüentar espinhos, produzindo flores por ofício e dever. Balançando a folhagem, a roseira me disse simplesmente: — Esquecer, esquecer.
Indaguei do diamante burilado, que lâmina lhe dera a forma de bordado, por estrela a esplendor. E a pedra, recordando lágrima perdida, respondeu, como que louvasse o sofrimento e a vida: — Esquecer, esquecer.
Inquiri da mulher pela maternidade, como criar um filho e dá-lo à humanidade, amando intensamente, a chorar e a sofrer. Comentando o progresso e o mundo, em novo brilho, ela disse, beijando as mãos do próprio filho: — Esquecer, esquecer.
Desse modo, também alma fraterna e boa, se buscas elevar-te, esquece-te e abençoa, não fujas à lição, se queres aprender... Serve e conquistarás o reino do amor puro, ouvindo a voz do céu, chamando-te ao futuro: — Esquecer, esquecer.