Tenho e sempre tive a
convicção de que esta vida aqui é uma estação de uma longa viagem de origem e
destino desconhecidos.
Mas todas as vidas: a
minha, a sua, a de todos, passam pelo mesmo caminho que leva ao crescimento
humano e espiritual.
Tem quem queira passar
voando pela estrada. Tem quem queira interrompê-la abruptamente. Tem quem passe
alheio a tudo, até mesmo à vida.
Esse aí não vive na
verdade, passa o tempo inteiro da viagem sentado à beira do caminho. Sem
aprender, sem progredir, sem crescer. Não viaja, nem vive, só sobrevive.
Pra alguns a viagem é
curta, nem chega a desembarcar, embarca de volta. Pra outros a viagem é longa!
Há quem leve na bagagem
experiências ruins. N’outras bagagens as experiências ruins se transformam em
peso. Pesam muito, viram mágoa e se transformam em doença.
Na
minha bagagem, transformo as experiências ruins em aprendizado. Isso as torna
leves.
Na minha estrada observo
cada pedrinha do caminho. O sol, a chuva, as folhas, as plantas, animais. Sou
feliz por viver, por respirar, andar, enxergar, poder falar, ter corpo
perfeito, cérebro que funciona, mente que trabalha.
Observo especialmente o
ser humano e suas diversas vestes. Não as do corpo, porque são irrelevantes,
mas as da alma.
A veste da cultura pode
encobrir uma personalidade bronca, rude, vazia, egoísta.
O ouro, a riqueza, podem
encobrir a pobreza extrema do espírito
Em contrapartida a veste
da simplicidade pode encobrir um espírito de um estado de nobreza irretocável,
sutil, de uma elevação indescritível.
Fim de ano é tempo de
repensar. Reavaliar o que foi feito durante um ano inteiro e sobre o que se
pretende mudar. Ano novo é hora de novos sonhos, novas autopropostas.
Nem o cenário nem o
figurino são essenciais, são meros detalhes. Não importa se vou virar o ano
dormindo. Só não posso dormir por mais um ano. Fechar os olhos aos meus
objetivos, às minhas metas, ao meu melhoramento.
Se eu fizer isso não será
um ano novo. Não será nada além de “mais um novo ano velho”.
Fecho o ano agradecendo.
Agradecendo a chance de existir, de respirar, andar, enxergar. Ter tido o
privilégio de ser trazida a terra pelos meus anjos: pai e mãe. Ter uma família
especial, ter tido uma infância de sonhos e oportunidade de aprendizado de
vida, de valor imensurável. Oportunidade de ter saúde bastante para dar vida à
outra vida.
Oportunidade de trabalho,
sob todos os ângulos. Pela oportunidade da queda que ensina a levantar, pela
oportunidade dos enganos, pra aprimorar escolhas. Pela
tentativa constante e incansável de manter mãos e coração limpos. Pela presença
de pessoas que me amam e a quem amo também.
E o presente de amigos
“presentes”, os mais distantes, os de sempre e os que chegaram de surpresa.
Estou pronta pra me
revisar, me reavaliar. Estou de malas prontas.
Faça as malas você também.
Deixe pra traz o que você não conseguiu melhorar. Melhore-se, melhore a vida de
quem puder, melhore o seu jeito de olhar e agir com o outro, com o mundo.
Siga em frente e boa viagem!
