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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

INTIMIDADE: PRÓS E CONTRAS



As pessoas desancam o casamento. Dizem que o amor mingua, que o sexo começa a rarear, que a rotina é acachapante. Dizem, dizem, mas as pessoas seguem casando e mantendo-se casadas por quilométricos anos. Qual é a boa dessa história? Uma joia chamada intimidade. Íntimos, muitos acreditam, são duas pessoas que possuem relações físicas e emocionais entre si. É bem mais que isso. Intimidade é você não precisar verbalizar tudo o que pensa, é aceitar a solidão do outro, é estarem familiarizados com o silêncio de cada um. Intimidade é não precisar estar linda em todos os momentos, não precisar ser coerente em todas as atitudes, é rirem juntos de uma história que só eles conhecem o final.
Intimidade é ler os olhos, os lábios e as mãos de quem está com você. Mais do que repartir um endereço, é repartir um projeto de vida. Não basta estar disponível, não basta apoiar decisões, não basta acompanhar no cinema: intimidade é não precisar ser acionado, pois já se está mentalmente a postos.
Intimidade é não ter vergonha de ser o que a gente é, não precisar explicar coisa alguma, ser compreendido e brigar sabendo que nada irá se romper. Intimidade é não precisar andar na ponta dos pés pelos corredores de uma vida compartilhada.
Muitos mantém-se casados por causa desse idílio que é não precisar se anunciar todo dia como um investimento seguro, podendo inclusive usar aquelas camisetas puídas e comer o "s" de um palavra no plural sem que a sua cotação desabe. Só há uma coisa ruim na intimidade: a falta que faz um pouco de cerimônia.
Calcinhas penduradas no banheiro, o telefonema sempre na mesma hora da tarde, o arroto que dispensa o pedido de desculpas, o lençol amarfanhado, a TPM todo santo mês, o mesmo perfume, as mesmas reações, o mesmo cardápio. O lado negro de um matrimônio feliz.
O casamento dá uma intimidade rara, apaziguadora, salutar. Não há máscaras nem teatro: é o habitat natural de um homem e de uma mulher que se querem como são. A intimidade salva as relações extensas, a não ser quando as corrói. Contradição maquiavélica. O melhor e o pior dos mundos, nos obrigando a escolher entre o habitual e a novidade, entre a paz e a adrenalina, entre a rede e o salto. Sedução x segurança: que vença o melhor.

5 comentários:

Maria Teresa Valente disse...

Acredito que viver a intimidade com o outro, só quando se amam. Casamento não é um programa é dar a mão para viver a vida, não cabe cerimônias. Amei a escolha do texto Maria José, agradeço, aprendendo sempre, abraços carinhosos
Maria Teresa

Wanderley Elian Lima disse...

Adoro os textos de Martha Medeiros, mas esse está sendo politicamente correto ou citar casamento só entre homem e mulher. Hoje o mundo mudou, e as relações mudaram.
Bjux

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Cada um falará de si e do seu tempo.
Casar é um passo que nos fez crescer e não parar na vida.
Casar é amar, é dar-se numa partilha e numa construção plena.
Serei feliz sempre que cumpro a minha missão de marido, pai, amante e que juntos construímos cada dia.

Mal,muito mal vão aqueles que se acomodam no casamento e que fazem amor por prazer pessoal,cegos de uma partilha e de uma comunhão sempre nova e sempre cativante.

Santa Cruz disse...

Maria José: O Casamento é um passo que duas pessoas que se amam dão, mas tem que ser um amor verdadeiro entre um homem e uma mulher, tem que ser uma partilha completa entre os dois e os filhos cumprindo os dois a sua missão de pais e ao mesmo mesmo tempo de marido e mulher é isso que deve acontecer, porque o amor não é só sexo ou prazer pessoal.Bom fim de semana.
Beijos
Santa cruz

Antonio Celso da Costa Brandão Brandão disse...

Muito bom o texto da Martha Medeiros.