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quarta-feira, 8 de junho de 2016

QUEM SOMOS




“Para saber quem somos, basta que se observe o que fizemos da nossa vida. 
Os fatos revelam tudo, as atitudes confirmam. 
O que você diz - com todo respeito - é apenas o que você diz.”

segunda-feira, 6 de junho de 2016

TUDO DARÁ CERTO




“O jeito é curtir nossas escolhas e abandoná-las quando for preciso, mexer e remexer na nossa trajetória, alegrar-se e sofrer, acreditar e descrer, que lá adiante tudo se justificará, tudo dará certo.”

sábado, 4 de junho de 2016

AMOR AUTÔNOMO




O amor, na essência, necessita de apenas três aditivos: correspondência, desejo físico e felicidade. Se alguém retribui seu sentimento, se o sexo é vigoroso e se ambos se sentem felizes na companhia um do outro, nada mais deveria importar. Por nada, entenda-se: não deveria importar se outro sente atração por outras pessoas, se outro gosta de fazer algumas coisas sozinho, se o outro tem preferências diferentes das suas, se o outro é mais moço ou mais velho, bonito ou feio, se vive em outro país ou no mesmo apartamento e quantas vezes telefona por dia. Tempo, pensamento, fantasia, libido e energia são solteiros e morrerão solteiros, mesmo contra nossa vontade. Não podemos lutar contra a independência das coisas. Aliança de ouro e demais rituais de matrimônio não nos casam. O amor é e sempre será autônomo…




terça-feira, 1 de dezembro de 2015

RESPOSTAS PRECISAS



Quem é você?
Do que você gosta?
Em que acredita?
O que deseja?
Dia e noite somos questionados e as respostas costumam ser inteligentes, espirituosas e decentes.
Tudo para causar a melhor impressão aos nossos inquisidores.
Ora, quem sou eu!
Sou do bem, sou honesto, sou perseverantes, sou bem humorado, sou aberto – não costumamos economizar atributos quando se trata da nossa própria descrição.
Do que gostamos?
De coisas belas.
No que acreditamos?
Em dias melhores.
O que desejamos?
A Paz Universal.
Enquanto isso, o demônio dentro de nós, revira o estômago e faz cara de nojo.
É muita santidade para um pobre-diabo, ninguém é tão imaculado assim!
A despeito do nosso inegável talento como divulgadores de nós mesmos e da nossa falta de modéstia ao descrever nosso perfil no Orkut, a verdade é que o que dizemos, não tem tanta importância.
Para saber quem somos, basta que se observe o que fizemos da nossa vida. Os fatos revelam tudo, as atitudes confirmam.
O que você diz – com todo respeito – é apenas o que você diz!
Quantos amigos você manteve?
Em que consiste sua trajetória amorosa?
Como educou seus filhos?
Quanto houve de alegria no seu cotidiano?
Se ficou devendo dinheiro.
Como lidou com tentativas de corrupção?
Em que circunstâncias mentiu?
Como tratou empregados, balconistas, porteiros, garçons?
Que impressão causou nos outros – não naqueles que o conheceram por cinco dias, mas com quem conviveu por vinte anos, ou mais?
Quantas pessoas magoou na vida?
Quantas vezes pediu perdão?
Quem vai sentir sua falta?
Pra valer! Vamos lá!
Podemos maquiar algumas respostas ou podemos silenciar sobre o que não queremos que venha à tona. Inútil.
A soma dos nossos dias assinará este inventário. Fará um levantamento honesto.
Cazuza já nos cutucava: “... suas ideias correspondem aos fatos?”
De novo: o que a gente diz, é apenas o que a gente diz.
Lá no finalzinho da vida que construímos é que se revelará o mais eficiente detector de mentiras.
Entre a data do nosso nascimento e a desconhecida data da nossa morte, acreditamos ainda estar no meio do percurso, então seguimos nos anunciando como bons partidos, incrementando nossas façanhas, abusamos da retórica como se ela fosse uma espécie de photoshop que pudesse sumir com nossos defeitos.
Mas é na reta final que nosso passado nos calará e responderá por nós.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

DOR FÍSICA X DOR EMOCIONAL


O maior medo do ser humano, depois do medo da morte, é o medo da dor. Dor física: um corte, uma picada, uma ardência, uma distensão, uma fratura, uma cárie. Dor que só cessa com analgésico, no caso de ser uma dor comum, ou com morfina, quando é uma dor insuportável. Mas é a dor emocional a mais temível, porque essa não tem medicamento que dê jeito.
Uma vez, conversando com uma amiga, ficamos nessa discussão por horas: o que é mais dolorido, ter o braço quebrado ou o coração? Uma pessoa que foi rejeitada pelo seu amor sofre menos ou mais do que quem levou 20 pontos no supercílio? Dores absolutamente diferentes. Eu acho que dói mais a dor emocional, aquela que sangra por dentro. Qualquer mãe preferiria ter úlcera para o resto da vida do que conviver com o vazio causado pela morte de um filho.
As estatísticas não mentem: é mais fácil ser atingida por uma depressão do que por uma bala perdida. Existe médico para baixo astral? Psicanalistas. E remédio? Antidepressivos. Funcionam? Funcionam, mas não com a rapidez de uma injeção, não com a eficiência de uma cirurgia. Certas feridas não ficam à mostra. Acabar com a dor da baixa-estima é bem mais demorado do que acabar com uma dor localizada.
Parece absurdo que alguém possa sofrer num dia de céu azul, na beira do mar, numa festa, num bar. Parece exagero dizer que alguém que leve uma pancada na cabeça sofrerá menos do que alguém que for demitido. Onde está o hematoma causado pelo desemprego, onde está a cicatriz da fome, onde está o gesso imobilizando a dor de um preconceito? Custamos a respeitar as dores invisíveis, para as quais não existem prontos-socorros. Não adianta assoprar que não passa.
Tenho um respeito tremendo por quem sofre em silêncio, principalmente pelos que sofrem por amor. Perder a companhia de quem se ama pode ser uma mutilação tão séria quanto a sofrida por Lars Grael, só que os outros não enxergam a parte que nos falta, e por isso tendem a menosprezar nosso martírio. O próprio iatista terá sua dor emocional prolongada por algum tempo, diante da nova realidade que enfrenta. Nenhuma fisgada se compara à dor de um destino alterado para sempre.