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terça-feira, 10 de julho de 2012

SOBRE A DURAÇÃO DE UM ARCO-ÍRIS



Se um arco-íris dura mais do que quinze minutos, não o olhamos mais. A constatação é do filósofo alemão Goethe e representa muito do que vai na alma humana, nestes dias.
Nós, da geração do imediato, do prático, do instantâneo, acabamos tendo dificuldade em nos demorarmos em qualquer experiência que seja, mesmo que prazerosa.
Por que será que muitos de nós acostumamos com a beleza e, então, deixamos de contemplá-la?
Por que será que muitos nos habituamos com as coisas boas que temos na vida e deixamos de valorizá-las?
Alguns não observam mais as estrelas como se, depois de algum tempo, perdessem sua grandiosidade, seu mistério e deixassem de ser interessantes.
Alguns esquecem de olhar o pôr do sol. Afinal, ele acontece todo dia e talvez não nos surpreenda mais.
Outros deixam de admirar a esposa, o marido, os filhos, como se esses arco íris, que temos ao nosso lado, perdesse suas cores ao longo da convivência.
Alguns ainda deixam de se deslumbrar com a própria existência, após alguns anos de luta, esquecendo que cada dia é um novo milagre, uma nova chance, um novo arco celeste multicolor.
De tão focados no trabalho e nas questões práticas da vida cotidiana, que aprendemos a ser, acabamos nos tornando grandes distraídos.
Sim, distraídos no sentido de esquecidos, pouco atenciosos no que diz respeito às questões mais importantes da existência.
Por isso, em alguns momentos na vida precisamos parar tudo. Parar até de pensar tantas coisas ao mesmo tempo.
As técnicas de meditação nos ensinam este valioso hábito: limpar a mente. Pensar numa coisa de cada vez. Pensar em algo por muito tempo, sem deixar que a mente fique pulando de galho em galho.
Precisamos aprender a observar cada arco-íris até o fim, saboreando esses instantes de maravilhosa beleza, sem deixar que passem, assim correndo, ou tão rápido, como dizemos popularmente.
A pressa não é apenas inimiga da perfeição, mas também, da alegria, do deleite e das emoções verdadeiras.

5 comentários:

Jeanne Geyer disse...

Olá, estou recuperando os amigos e linkando no novo blog;
http://amorinicioefim.blogspot.com.br/
pretendo recuperara as visitas e as amizades da blogosfera, pois o face está se tornando repetitivo.
o texto escolhido é sensacional, todos deveriam refletir sobre esta apatia que acomete a humanidade. eu ainda curto estas maravilhas como um presente de Deus!
Bjs

Luís Coelho disse...

É verdade. Parece que procuramos tudo e que não queremos nada.
Entramos e saímos na mesma velocidade de quem anda insatisfeito e com nada se realiza.

Cris Tarcia disse...

Realmente, vivemos numa correria, e pra nada. Tanta coisa boa , simples fica no caminho. Aprender esta presente a cada momento.

Beijos

Liz - Como as Cerejas da Minha Janela... disse...

E Goethe escreveu isto em 1790, mais ou menos. Imagine qual não seria a sua constatação nos dias de hoje?... ou será que nada mudou de lá para cá, mesmo ? ...

Li outro dia sobre uma pessoa que se encantava com a folha que corria pelas sarjetas, levada pelas águas da chuva que caia... achei tão bonito... ela parou para olhar a folha...

Um beijo querida!!!

She disse...

Ah que post interessante!
Beijo, beijo! ;)
She