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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A JANELA DOS OUTROS


No livro, de ficção (Os Desafios da Terapia) do psiquiatra Irvin Yalom, ele discute alguns relacionamentos padrões e reais entre terapeuta e pacientes.
Ainda no início do livro, ele conta a história de uma paciente que tinha um relacionamento difícil com o pai.
Quase nunca conversavam, mas surgiu a oportunidade de viajarem juntos de carro e ela imaginou que seria um bom momento para se aproximarem.
Durante o trajeto, o pai, que estava na direção, comentou sobre a sujeira e degradação de um córrego que acompanhava a estrada.
A garota olhou para o córrego a seu lado e viu águas límpidas, um cenário de Walt Disney.
E teve a certeza de que ela e o pai realmente não tinham a mesma visão da vida.
Seguiram a viagem sem trocar mais palavra.
Muitos anos depois, esta mulher fez a mesma viagem, pela mesma estrada, desta vez com uma amiga.
Estando agora ao volante, ela surpreendeu-se: do lado esquerdo, o córrego era realmente feio e poluído, como seu pai havia descrito, ao contrário do belo córrego que ficava do lado direito da pista.
E uma tristeza profunda se abateu sobre ela por não ter levado em consideração o então comentário de seu pai, que a esta altura já havia falecido.
Parece uma parábola, mas acontece todo dia: a gente só tem olhos para o que mostra a nossa janela, nunca a janela do outro.
O que a gente vê é o que vale, não importa que alguém bem perto esteja vendo algo diferente.
A mesma estrada, para uns, é infinita, e para outros, curta. Para uns, o pedágio sai caro; para outros, não pesa no bolso.
Boa parte dos brasileiros acredita que o país está melhorando, enquanto que a outra perdeu totalmente a esperança.
Alguns celebram a tecnologia como um fator evolutivo da sociedade, outros lamentam que as relações humanas estejam tão frias.
Uns enxergam nossa cultura estagnada, outros aplaudem a crescente diversidade.
Cada um gruda o nariz na sua janela, na sua própria paisagem.
Eu costumo dar uma espiada no ângulo de visão do vizinho.
Me deixa menos enclausurada nos meus próprios pontos de vista, mas, em contra partida, me tira a certeza de tudo.
Dependendo de onde se esteja posicionado, a razão pode estar do nosso lado, mas a perderemos assim que trocarmos de lugar.
Só possuindo uma visão de 360 graus para nos declararmos sábios.
E a sabedoria recomenda que falemos menos, que batamos menos o martelo e que sejamos menos enfáticos, pois todos estão certos e todos estão errados em algum aspecto da análise.
É o triunfo da dúvida.
Vale a pena pensar nisso!

10 comentários:

A.S. disse...

Maria José!

O teu estilo de escrita é delicioso!
Sente-se cada uma das palavras... porque cada uma parece ter vida!
Os textos são lindos...

Beijos
AL

Flor do Campo disse...

Belo texto...Tudo depende dos olhos de quem vê!

Crista disse...

Que esse mês de fevereiro te dê muita felicidade e um susto enoRRRRRRRRme!!!!
Um susto????Por que?????
É que eu desejo que teu blog seja escolhido o melhor blog do pedaço!!!!
Viu a responsabilidade que tens para comigo e para aqueles que te lêem????
Quem manda ser o MÁXIMO!!!!!!!
Carinhosamente...
Olhos azuis....azuis como a cor do céu!

Zininha disse...

Tudo tem os dois lados...
Temos que saber olhar...
Bom momento este meu...o de estar aqui com você...
Beijos...

Bloguinho da Zizi disse...

Querida Maria José
Eu aprendi que não existe errado ou certo. Tudo nos leva às experiências que precisamos para o nosso crescimento como Ser de Luz que Somos.
Lindo texto.
gratidão

*Adriana disse...

Olá, amiga!!

Martha Medeiros é simplesmente espetacular!! Ela é incrível, leio e releio as suas crônicas sem me cansar.

Ótima postagem!!

um grande abraço

Adriana

Jorge disse...

maria José,
Acredito na necessidade de se ter bom-senso. Assim, somente analisando a maneira de outros verem, terei uma resposta mais próxima da realidade. As diferenças, não importa em quê, nos faz ampliar a visão da vida. Já imaginou se todos gostassem do azul, o que seria do verde?
Aprender é olhar com nossos olhos e a dos outros e ponderar.

Meu Anjo,
Um beijo, de coração,
Jorge

HELENA AFONSO disse...

GOSTEI DA SUA HISTÓRIA.... verdadeira....por acaso também acabo de fazer meu post sobre uma janela.....que me marcou....e que igualmente eu também não fiz tanto caso na devida altura....
BEijinho, HELENA

ONG ALERTA disse...

precisamos saber ver tudo que nosso coração permitir ver, paz, um abraço Lisette.

alegria de viver disse...

Querida amiga
Nosso orgulho não deixa a gente ver com exatidão o outro, felizmente o ser humano tem muito para aprender, digo assim porque acho que é o unico caminho a ser seguido.
Com muito carinho BJS.