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domingo, 22 de novembro de 2009

A ÁGUIA E A GRALHA


Uma Águia, saindo do seu ninho no alto de um penhasco, capturou uma ovelha e a levou presa às suas fortes garras. Uma Gralha, que testemunhara a tudo, tomada de inveja, decidiu que poderia fazer a mesma coisa.
Ela então voou para o alto e tomou impulso, e com grande velocidade, atirou-se sobre uma ovelha, com a intenção de também carregá-la presa às suas garras.
Ocorre que estas acabaram por ficar embaraçadas no espesso manto de lã da Ovelha, e isso a impediu inclusive de soltar-se, embora o tentasse com todas as suas forças.
O Pastor das ovelhas, vendo o que estava acontecendo, capturou-a. Feito isso, cortou suas penas, de modo que não pudesse mais voar. À noite a levou para casa, e entregou como brinquedo para seus filhos.
“Que pássaro engraçado é esse?”, perguntou um deles.
“Ele é uma Gralha, meus filhos. Mas se você lhe perguntar, ele dirá que é uma Águia.”
Moral da História:
Não devemos permitir que a ambição nos conduza para além dos nossos limites.

O CAVALO E O LOBO


Um Lobo vindo de um campo de aveia encontrou no caminho um Cavalo, e assim falou para ele:
“Gostaria de dar uma sugestão ao senhor para ir até aquele campo. Ele está cheio de grãos de aveia selecionados, que eu guardei com cuidado apenas para lhe servir, pois sendo meu amigo, terei o maior prazer ao vê-lo mastigando.”
Ao que o cavalo lhe responde:
“Se aveia tem sido alimento para os Lobos, você jamais poderia alimentar sua barriga, apenas satisfazendo os seus ouvidos.”
Moral da História:
Homens de má reputação, quando se prestam a fazer uma boa ação, não conseguem ter crédito.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O LAVRADOR E A CEGONHA


Uma Cegonha de natureza simples e ingênua por ser boa, foi convidada por um bando de Garças, a visitar com elas, um campo que fora recentemente semeado. Mas, a festa acabou bruscamente, quando todo o bando foi capturado numa armadilha colocada no local, pelo lavrador dono daquele cultivo.
A Cegonha pediu então ao lavrador que a deixasse ir embora. Ela argumentou dizendo: “Por favor, deixe-me ir embora, Eu pertenço à família das Cegonhas, que são conhecidas pela sua honestidade e bom caráter. Veja, até minhas penas são diferentes da plumagem delas. Além disso, não sabia que as Garças estavam vindo roubar suas sementes.”
Respondeu então o agricultor: “Você pode ser um bom pássaro, e tudo que diz pode ser verdadeiro, mas eu capturei você na companhia de Garças destruidoras de plantações, e assim, terá a mesma punição que reservei para elas.”

Moral da História: Você é julgado a partir das companhias com quem anda.

O LAVRADOR E A SERPENTE


Uma Serpente, tendo feito sua toca perto da entrada de uma cabana, deu uma mordida no filho menor do Lavrador que ali morava, e este veio a falecer, causando grande angústia e aflição aos seus pais.
O Pai da criança resolveu então matar a serpente. No dia seguinte, quando ela saiu do buraco em busca de alimento, ele desferiu-lhe um golpe com seu machado. Mas, na ânsia de acertar com um só golpe antes que ela escapasse, errou a cabeça, e cortou apenas a ponta da sua cauda.
Depois de algum tempo, o camponês, com medo de também ser atacado pela serpente, resolveu fazer as pazes, e para agradá-la, deixou perto do buraco, uma porção de pão e sal.
A Serpente então disse: “Doravante, não pode existir paz entre nós, pois sempre que eu vir você, lembrarei da minha cauda cortada, enquanto que, sempre que você me vir, lembrará da morte do seu filho.”

Moral da História: É muito difícil esquecermos das injúrias sofridas, especialmente na presença dos seus causadores.

O LADRÃO E O CÃO DE GUARDA


Um ladrão veio à noite para assaltar uma casa. Ele trouxe consigo vários pedaços de carne, para que pudesse acalmar um feroz Cão de Guarda que vigiava o local. A carne serviria para distraí-lo, de modo que não chamasse a atenção do seu dono com latidos.
Assim que o ladrão jogou os pedaços de carne aos pés do cão, disse-lhe então o animal: - “Se você
estava querendo calar minha boca, cometeu um grande erro. Tão inesperada gentileza vinda de suas mãos, apenas serviram para me deixar ainda mais atento. Sei que por trás dessa cortesia sem motivo, você deve ter algum interesse oculto, de modo a beneficiar a si mesmo e prejudicar o meu dono”.

Moral da História: Gentilezas inesperadas é a principal característica de alguém com más, ou segundas intenções.

O LEÃO E OS TRÊS TOUROS


Três touros, amigos desde longa data, pastavam juntos e tranqüilos no campo.
Um Leão, escondido no mato, espreitava-os na esperança
de fazer deles seu jantar, mas receava atacá-los enquanto estivessem em grupo.
Finalmente, por meio de ardilosas e traiçoeiras palavras, ele conseguiu criar entre eles a discórdia e separá-los.
Assim, tão logo eles pastavam sozinhos, atacou-os sem medo algum, e um após outro, foram sendo devorados sempre que sentia fome.
Moral da História: União é força.

O LEÃO E O RATO


Um Leão dormia sossegado, quando foi despertado por um Rato, que passou correndo sobre seu rosto. Com um bote ágil ele o pegou, e estava pronto para matá-lo, ao que o Rato suplicou: - “Ora, se o senhor me poupasse, tenho certeza que um dia poderia retribuir sua bondade. ”
Rindo por achar ridícula a idéia, assim mesmo, ele resolveu libertá-lo.
Aconteceu que, pouco tempo
depois, o Leão caiu numa armadilha colocada por caçadores. Preso ao chão, amarrado por fortes cordas, sequer podia mexer-se.
O Rato, reconhecendo seu rugido, se aproximou e roeu as cordas até deixá-lo livre. Então disse: - “O senhor riu da simples idéia
de que eu seria capaz, um dia, de retribuir seu favor. Mas agora sabe, que mesmo um pequeno Rato é capaz de fazer um favor a um poderoso Leão”.
Moral da História: Nenhum ato de gentileza é coisa vã. Não podemos julgar a importância de um favor, pela aparência do benfeitor.

O MOSQUITO E O TOURO


Um Mosquito que estava voando, a zunir em volta da cabeça de um Touro, depois de um longo tempo, pousou em seu chifre, e pedindo perdão pelo incômodo que supostamente lhe causava, disse: “Mas, se, no entanto, meu peso incomoda o senhor, por favor é só dizer, e eu irei imediatamente embora!”
Ao que lhe respondeu o Touro: “Oh, nenhum incômodo há para mim! Tanto faz você ir ou ficar, e, para falar a verdade, nem sabia que você estava em meu chifre.”
Com frequência, diante de nossos olhos, julgamos-nos o centro das atenções e deveras importantes, bem mais do que realmente somos diante dos olhos do outros.

Moral da História: Quanto menor a mente, maior a presunção.

OS GAROTOS E AS RÃS


Alguns garotos estavam brincando às margens de uma lagoa, onde vivia uma família de Rãs. Os garotos se divertiam atirando pedras na lagoa, de modo que estas saíssem pulando sobre a superfície da água.
Logo a superfície da lagoa estava repleta de pedras que voavam por todos os lados, e os garotos mal conseguiam se conter de tanta alegria.
Mas, para as pobres Rãs dentro da água, a situação era desesperadora, de pavor.
Por fim uma delas, a mais velha e corajosa do grupo, colocou a cabeça para fora da água e rogou: “Por favor, caras crianças, parem com tão cruel brincadeira. Ainda que isso possa ser divertido para vocês, também pode significar a morte para nós!”

Moral da História: Sempre é bom pensarmos antes, se o motivo de nossa diversão, não é causador de males para os outros!

OS VIAJANTES E A ÁRVORE


Dois viajantes, exaustos, depois de caminharem sob o escaldante sol do meio dia, decidiram descansar à sombra de uma frondosa árvore.
Após deitarem-se debaixo daquela refrescante e oportuna sombra, um dos viajantes, ao reconhecer que tipo de árvore era aquela, disse para o outro:
“Como é inútil esse Plátano![1] Não produz nenhum fruto, e apenas serve para sujar o chão com suas folhas.”
“Criaturas ingratas!”, disse uma voz vindo da árvore. “Vocês estão aqui sob minha refrescante e acolhedora sombra, e ainda dizem que sou inútil e improdutiva?”

Moral da História: Alguns homens desprezam suas melhores graças apenas porque nada lhes custam.

Nota[1]: Espécie de árvore ornamental de grande porte.

OS VIAJANTES E A BOLSA DE MOEDAS


Dois homens viajavam juntos ao longo de uma estrada, quando um deles encontrou uma bolsa cheia de alguma coisa. E ele disse: “Veja que sorte a minha, encontrei uma bolsa, e a julgar pelo peso, deve estar cheia de moedas de ouro.”
E lhe diz o companheiro: “Não diga encontrei uma bolsa; mas, nós encontramos uma bolsa, e quanta sorte temos. Amigos de viagem devem compartilhar as tristezas e alegrias da estrada.”
O “sortudo”, claro, se nega a dividir o achado. Então escutam gritos de: “Pega ladrão!”, vindo de um grupo de homens armados com porretes, que se dirigem, estrada abaixo, na direção deles. O viajante “sortudo”, logo entra em pânico, e diz. “Estamos perdidos se encontrarem essa bolsa conosco.”
Replica o outro: “Você não disse ‘nós’ antes. Assim, agora fique com o que é seu e diga, ‘Eu estou perdido’.”

Moral da História: Não devemos exigir que alguém compartilhe conosco as desventuras, quando não lhes compartilhamos também as nossas alegrias.

O LOBO E A OVELHA


Um lobo, muito ferido devido às várias mordidas de cachorros, repousava doente e bastante debilitado em sua toca.
Como estava com fome, ele chamou uma ovelha que ia passando ali perto, e pediu-lhe para trazer um pouco da água de um regato que corria ao lado dela.
Assim, falou o lobo, se você me trouxer água, eu ficarei em condições de conseguir meu próprio alimento.
Claro, respondeu a ovelha, se eu levar água para você, sem dúvida eu serei esse alimento.
Moral da História: Um hipócrita não consegue disfarçar suas verdadeiras intenções, apesar das palavras gentis.

sábado, 12 de setembro de 2009

O GAROTO PASTOR E O LOBO


Um Jovem Pastor de ovelhas, encarregado que fora de tomar conta de um rebanho perto de um vilarejo, por três ou quatro vezes, fez com que os moradores e donos dos animais, viessem correndo apavorados ao local do pasto, sempre motivados pelos seus gritos: “Lobo! Lobo!”.
E quando eles chegavam ao pastoreio, imaginando que o jovem estava em apuros com o Lobo, encontravam-no zombando do pavor que estes demonstravam.
O Lobo, entretanto, por fim, de fato se aproximou do rebanho. Então, o jovem pastor, agora realmente apavorado, tomado de pavor, gritava desesperado: “Por Favor, venham me ajudar; o Lobo está matando todo o rebanho!”. Mas, ninguém deu ouvidos aos seus gritos.
Moral da História:
Ninguém acredita em um mentiroso, mesmo quando fala a verdade.

O GATO E O GALO


Um gato, ao capturar um galo, ficou imaginando como achar uma desculpa, qualquer que fosse, para justificar o seu desejo de devorá-lo.
Acusou ele então de causar aborrecimentos aos homens, já que cantava à noite e não deixava ninguém dormir.
O galo se defendeu dizendo que fazia isso em benefício dos homens, e assim eles podiam acordar cedo para não perder a hora do trabalho.
O gato respondeu; “Apesar de você ter uma boa desculpa eu não posso ficar sem jantar.” E assim comeu o galo.
Moral da História:
Quem é mau caráter, sempre vai achar uma desculpa para tornar legítimas suas ações.

O GALO DE BRIGA E A ÁGUIA


Dois galos estavam disputando em feroz luta, o direito de comandar o galinheiro de uma chácara. Por fim, um põe o outro para correr e é o vencedor.
O Galo derrotado afastou-se e foi se recolher num canto sossegado do galinheiro.
O vencedor, voando até o alto de um muro, bateu as asas e exultante cantou com toda sua força.
Uma Águia que pairava ali perto, lançou-se sobre ele e com um golpe certeiro levou-o preso em suas poderosas garras.
O Galo derrotado saiu do seu canto, e daí em diante reinou absoluto livre de concorrência.
Moral da História:
O orgulho e a arrogância é o caminho mais curto para a ruína e o infortúnio.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O CAVALO E O SEU TRATADOR


Um zeloso empregado de uma cocheira, costumava passar dias inteiros limpando e escovando o pêlo de um cavalo que estava sob seus cuidados.
Entretanto, ao mesmo tempo, roubava os grãos de aveia destinados a alimentar o pobre animal, e os vendia para obter lucro.
Então o cavalo se volta para ele e diz: — Acho apenas que se o senhor de fato desejasse me ver em boas condições, me acariciava menos e me alimentava mais.
Moral da História:Devemos desconfiar daqueles que vivem se gabando e fazendo questão de demonstrar publicamente suas próprias virtudes.

O CARVALHO E OS JUNCOS


Um grande carvalho, ao ser arrancado do chão pela força de forte ventania, rio abaixo é arrastado pela correnteza. Levado pelas águas, ele cruza com alguns Juncos, e em tom de lamento exclama: — Gostaria de ser como vocês, que de tão esguios e frágeis, não são de modo algum afetados por estes fortes ventos.
E Eles responderam: — Você lutou e competiu com o vento, por isso mesmo foi destruído. Nós ao contrário, nos curvamos, mesmo diante do mais leve sopro da brisa, e por esta razão permanecemos inteiros e a salvo.
Moral da História:
Para vencer os mais fortes, não devemos usar a força, mas antes disso, inteligência e humildade.

O CEGO E O FILHOTE DE LOBO


Um Cego de nascença possuía a habilidade de distinguir diferentes animais, apenas tocando-os com suas mãos.
Trouxeram-lhe então um filhote de Lobo, e colocando-o em seu colo, pediram que o apalpasse e depois descrevesse que animal seria aquele.
Ele correu as mãos sobre o animal, e estando em dúvida, comentou:
Eu com certeza não sei se isto é o filhote de uma Raposa ou o filhote de um Lobo; mas de uma coisa eu tenho certeza, ele jamais seria bem vindo dentro de um curral de ovelhas.
Moral da História:
As más tendências são mostradas já na primeira infância.

O CERVO DOENTE


Um Cervo doente e incapaz de andar, repousava quieto em um pequeno pedaço de pasto fresco.
E aqueles que se diziam seus amigos, então vieram em grande número para saber de sua saúde. E cada um deles, servia-se à vontade da escassa grama daquele reduzido pasto, que lá estava para seu próprio sustento.
Assim ele morreu, não da doença da qual padecia, mas por falta de alimento, uma vez que não podia caminhar para ir buscar em outro lugar.
Moral da História:
As más companhias sempre trazem mais infortúnios que alegrias.

O CORVO E O JARRO


Um Corvo, que estava sucumbindo de sede, viu lá do alto um Jarro, e na esperança de achar água dentro, voou até ele com muita alegria.
Quando lá chegou, descobriu para sua tristeza, que o Jarro continha tão pouca água em seu interior, que era impossível alcançá-la com seu curto bico.
Ainda assim, ele tentou de tudo para beber a água que estava dentro do Jarro, mas com um bico tão curto, todo seu esforço foi em vão.
Por último ele pegou tantas pedras quanto podia carregar, e uma a uma, colocou-as dentro da Jarra. Ao fazer isso, logo o nível da água ficou ao alcance do seu bico, e desse modo ele salvou sua vida.
Moral da História:A necessidade ou a crise é a mãe de todas as invenções.