Páginas

Mostrando postagens com marcador Cenyra Pinto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cenyra Pinto. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 6 de julho de 2011

A SUPERFÍCIE DO LAGO



E o lago era de uma beleza sem par. Suas águas aos raios do sol ou ao clarão do luar, brilhavam e, ao toque suave da brisa, se movimentavam com tanta cadência, obrigando aquele que por ali passasse, a parar, extasiado, ante tanta grandiosidade.
Mas a tempestade se avizinha, um tufão assustador remove tudo por onde passa e das montanhas rolam pedras que, num barulho ensurdecedor, caem ao fundo desse lago. Então ficamos decepcionados com a sua transformação. À penetração violenta de corpos estranhos e ao açoite do vento, aquelas águas cristalinas, brilhantes, convidando-nos a que nelas nos refletíssemos, transformaram-se num amontoado de detritos e lama, vindo à tona o que se ocultava no seu fundo. Dormitavam essas águas tão maravilhosas, sobre um leito de imundícies. Mas a sua superfície era tão bela, tão magnífica...
Que desencanto!...
Assim como esse lago são muitas criaturas; de aparência tão cativante, belas, cultas, serenas, enfim, levando consigo todos os dotes capazes de atrair todos que passarem no seu caminho. Sua fineza, seu requinte convidam a que delas nos acerquemos para desfrutar de sua companhia tão agradável...
Mas, algo acontece que as desgostam, uma nuvem mais escura ensombra o seu céu azul. São convidadas pela vida a uma experiência difícil, então aquela mesma desilusão que tivemos com a transformação do lago, teremos diante de sua reação. Aquele verniz de educação, aquela bondade estampada na sua fisionomia, aquela serenidade se diluem e vemos os desmandos dessas almas, ainda tão superficiais.
Mas assim como um lago pode ser dragado e suas águas ficarem limpas e transparentes desde a sua superfície até o seu leito, assim essas almas poderão, se o desejarem, também se deixarem dragar para que sua presença não seja apenas agradável e bela por fora, mas que o seu interior, seja igualmente límpido e capaz de, mesmo atingido pelas tempestades das circunstâncias da vida, permanecerem serenas.
A beleza física, os dotes intelectuais são acessórios agradáveis, mas não indispensáveis. A verdadeira beleza, aquela que não fenece com o tempo e deixa sempre o suave aroma de sua passagem, é a da alma que se libertou das ilusões do mundo, conservando a serenidade das águas tranquilas de um lago, exterior e sobretudo, interiormente.
Enviado por Jorge do blog
Nectan Reflexões

terça-feira, 21 de abril de 2009

EU SOU O CAMINHO


Há muitos caminhos à nossa frente.
Qual deles devemos trilhar?
Um nos convida pela beleza da vegetação, pelo perfume que exala das suas flores coloridas.
Outro, com regatos mansos e arbustos verdejantes, onde os pássaros canoros gorjeiam amorosamente.
Outro nos oferece a planície infinda e ao longe, como se o horizonte fosse o fim, o repouso, a tranqüilidade.
E outros e outros, cada qual com seus atrativos naturais e encantadores.

Nossa mente se extasia e leva ao nosso coração essas miragens magníficas e o coração se enternece e os olhos choram.
Tanta beleza à nossa disposição! Tanta coisa sublime, encantadora, e nós, quantas vezes, choramos porque nossas posses não nos permitem assistir a espetáculos de diversões mundanas.
Tudo está à disposição de todos; à frente de todos: as criaturas ainda são como borboletas; não se satisfazem em percorrer um caminho que as leve a um fim determinado.
Querem adejar, ora aqui, ora ali, sempre ávidas de novidades que supram a sua falta de acuidade para aquilatar do que realmente vale a pena ser apreciado.
Almas desse calibre vivem aí, aos milhões, tontas, esvoaçantes, cheias de complexos, a se torturarem intimamente por não poderem encontrar a vereda que as liberte de suas deficiências.
Ter muito é saber viver com o que se tem e sentir-se feliz em qualquer situação e em qualquer ambiente.
Quantos caminhos abertos? Mas na realidade, só há um caminho... “EU SOU O CAMINHO”... tudo mais é miragem.
As flores perfumadas simbolizam a essência das almas puras: o regato manso; a serenidade; os arbustos; a força viva da natureza que brota, sem que a mão do homem semeie.
É a vontade que deve brotar com vigor, dentro do ser, para impulsioná-lo para a frente.
O céu constelado é o convite para que o homem, contemplando o firmamento, admirando tanta grandiosidade, deixe o orgulho e a vaidade e procure brilhar como as estrelas no céu da sua bondade e amor fraterno.
Enfim, tudo, todos os caminhos são simbólicos, porque o homem é o ser privilegiado que tem à sua frente, tudo que o possa fazer feliz.
Transmutemos, com vontade firme, tudo que seja contrário à evolução, em dons imperecíveis, e o caminho se apresentará iluminado dentro de nós, e poderemos dizer como disse o Mestre: “EU SOU O CAMINHO”.