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terça-feira, 16 de abril de 2013

AH! SE EU SOUBESSE!



Quando chegamos no plano espiritual, a maioria dos espíritos pensa algo muito parecido: - Ah! Se eu soubesse...
Se soubesse que a vida real não era na matéria... se eu soubesse que a realidade não é de sofrimento, mas de paz e liberdade... se eu soubesse que nada que existia na matéria é permanente, que lá é tudo passageiro, eu não teria brigado no trânsito, não teria batido nos meus filhos, não teria me apegado a tantas coisas efêmeras...
Ah! Se eu soubesse... teria ajudado muito mais gente; teria me enriquecido com amor e luz; teria deixado de lado esses problemas pequenininhos; teria feito caridade aos necessitados; teria deixado o amor fluir; teria me atirado no bem sem nenhuma preocupação; teria sido mais humilde, teria vivido em paz...
Ah! Se eu soubesse... teria passado mais com aqueles que amo; teria me preocupado menos; teria tido mais paciência; teria me soltado mais, me desprendido mais; teria vivido mais livre, de forma mais espontânea, mais natural; teria visto o lado bom de tudo; teria valorizado as coisas simples da vida.
Ah! Se eu soubesse... se soubesse que a vida na Terra vai e vem, que tudo se esvai, que nada é permanente, que não existe algo fixo, imutável. Se eu soubesse que tudo começa e termina, que os relacionamentos começam e terminam, que a dor lateja e depois vem o alívio.
Ah! Se eu soubesse... se soubesse que os arrogantes sobem, ficam no topo e caem por si mesmos; caem pelo seu próprio castelo de cartas da ilusão que criaram. Se eu soubesse que os ricos podem se tornar pobres de espírito, e que os pobres podem ser muito ricos de espírito.
Se eu soubesse que as diferenças sociais se extinguem, que na morte todos somos filhos do universo, que a fome é saciada, que a sede é aliviada, que a violência só traz mais violência, que os injustiçados são compensados, que os perdidos sempre se encontram, e quem está demasiadamente seguro de si acaba se perdendo.
Ah! Se eu soubesse... que a vida espiritual é a vida real, que as mágoas corroem o espírito, que a cobiça gera insatisfação, que a lisonja só cria humilhação, que a preguiça gera estagnação.
Se eu soubesse que o medo é sempre maior do que a mente engendrou eu teria me arriscado mais, teria ousado, teria tido a coragem de ser o que eu sou, teria retirado essa máscara que encobria minha verdade, teria desatado o compromisso com o logro, com a burla, teria assumido minha integridade sem divisões, sem fragmentos.
Ah! Se eu soubesse... não teria cortejado o sucesso, não teria me atirado ao poço fundo, vazio e solitário da avidez, não teria me enganado de que, ao atingir o topo, a descida é o único caminho.
Se eu soubesse que o mundo é uma doce miragem eu rejeitaria a pueril busca pela sensualidade. Largaria com afinco os prazeres e vícios da juventude. Se eu soubesse que tudo muda e nada se encerra, teria posto de lado as moléstias da nostalgia.
Ah! Se eu soubesse, teria menos pressa, olharia mais para a vida, veria mais o nascer do dia, comeria com calma o pão de cada manhã, teria plantado uma árvore, corrido no jardim, deitado no chão e rolado na grama. Teria mergulhado e me perdido no tempo, solto em reflexões sobre os mistérios da vida. Teria me desimpedido de autocobranças, teria me aceitado como sou e aceitado o milagre da vida como ela é.
Ah! Se eu soubesse... que o mar espiritual é infinito de bênçãos, não teria digladiado por um copo de água ao lado do grandioso oceano da plenitude. Teria deixado todas as quimeras de lado, e vivido mais a vida, a existência, o cosmos, a liberdade, o eterno presente e a eterna aurora.
Ah! Se eu soubesse... teria renunciado aos hábitos arraigados, as discussões estéreis, a especulação teórica.
Se eu soubesse, teria permanecido mais na natureza, observando os pássaros, molhando as mãos no rio, sentindo o vento, me aquecendo ao sol da manhã, sujado as mãos na lama e sentido o frescor da chuva.
Se eu soubesse que sou um ser em desenvolvimento na essência inesgotável e eterna da vida, teria sido infinitamente mais livre e feliz.

2 comentários:

Rô... disse...

oi minha amiga,

Hugo estava extremamente inspirado,quando escreveu esse texto,
é uma lição de vida,pra se ter na cabeceira e ler a todo momento...

beijinhos

Sonia Sidney disse...

Maria José,
Por saber disso, eu choro menos, sorrio mais, e ajudo o máximo de gente possível, pois, sou profissional da saúde pública.
Minha função me abre um leque de possibilidades de resolver o que muita gente não gosta de fazer para não se envolver.
Não se envolver com o outro, é não envolver consigo mesmo.

sonia.