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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

APERTO DE MÃO




Você se lembra da sua infância, quando caía e se machucava?
Lembra o que sua mãe fazia para acalmar a dor?
Minha mãe me levava no colo até sua cama e beijava meu machucado. Então, ela sentava ao meu lado, pegava minha mão e falava: “Quando doer, aperta minha mão e vou dizer: Eu te amo!”
Era sempre assim: eu apertava sua mão e, sem falhar uma sóvez, ouvia: “Filho, eu te amo!”
Às vezes eu fingia ter me machucado só para passar por esse ritual com ela.
À medida que fui crescendo, o ritual mudou, mas minha mãe sempre encontrava um modo de diminuir a dor e aumentar a alegria em qualquer área da minha vida.
Numa época difícil, ela tinha sempre meus chocolates preferidos, recheados com amêndoas, quando eu chegava em casa.
Lá pelos meus vinte e poucos anos, mamãe muitas vezes telefonava num fim de tarde convidando-me para vermos o pôr-do-sol ou o nascer da lua.
Deixava bilhetinhos amorosos sobre meu travesseiro quando eu chegava tarde em casa e, quando fui morar sozinho, mandava-me lembrancinhas, agradecendo as visitas que eu lhe fazia.
Mas minha melhor lembrança continuou sendo ela segurando minha mão quando eu era pequeno e repetindo: Quando doer, aperta minha mão e vou dizer: Eu te amo!”
Eu já tinha trinta e tantos anos quando uma manhã meu pai telefonou para o meu trabalho.
Era um homem seguro e lúcido, mas a voz soava confusa e amedrontada. “Filho, há algo errado com sua mãe. Já chamei o médico, mas, por favor, venha logo que puder!”
Quando cheguei, papai andava de um lado para outro na sala e mamãe estava deitada no quarto, olhos fechados, as mãos sobre o estômago.
Chamei por ela, tentando manter a voz o mais calma possível.
Disse-lhe que eu estava ai e ela me perguntou: “É você, filho?” Respondi que sim.
Eu não estava preparado para a próxima pergunta e, quando a ouvi, congelei, sem saber o que responder.
“Filho, eu vou morrer?”
Meus olhos se encheram de lágrimas enquanto olhava minha mãe querida ali, deitada, tão desamparada.
Ao tentar descobrir o que responder, pensei: “O que mamãe diria num momento desses?”
Hesitei por um instante, esperando que as palavras viessem.
Disse-lhe: “Mamãe, não sei se você vai morrer, mas fique tranqüila, tudo acabará bem!”
Apertei sua mão e disse-lhe: “Eu amo você!”
Ela gemeu: “Filho, sinto tanta dor!”
Mais uma vez fiquei sem saber o que falar. Sentei a seu lado na cama e me ouvi dizendo: "Mamãe, quando doer, aperta minha mão e vou dizer: Eu te amo!”
Ela apertou minha mão. “Mamãe, eu te amo!”
Essa cena se repetiu muitas vezes durante os dois anos seguintes, até seu falecimento.
Nós nunca sabemos quando virão os momentos em que seremos testados. Mas sei que, quando chegarem, com quem quer que eu esteja, oferecerei o ritual de amor de minha mãe: “Quando doer, aperta minha mão e vou dizer: Eu te amo!”
Texto enviado por Roy Lacerda do blog
MomentoBrasil e foi aqui postado, por ser pertinente à proposta do Arca.

9 comentários:

Dilmar Gomes disse...

Amiga Maria, que linda história de vida do Roy.
Um abração. Tenhas um lindo fim de semana.

Cidinha disse...

Olá, amiga Maria. Que belo texto. Muita emoção! Uma ternura tão grande. Tanto amor! Bela imagem. Obrigada amiga! Desejo um bom fim de semana e todo carinho pra vc.

Vida*** disse...

Me emocionei!! Senti estar ao teu lado. Uma mensagem que toca o coração. Tão bom saber que temos com quem compartilhar um aperto de mão. Seja em que circunstãncia for. Abençõada seja seu dias. Gosto muito de ler o que escreve sob. histórias reais de vida. Abço com carinho. Paz e Luz sempre.

Rô... disse...

oi minha amiga,

só tenho uma coisa pra dizer:
emoção e aprendizado
juntinhos,
nesse lugar iluminado...

beijinhos

Ilca Santos disse...

Olá Maria José,
Linda e comovente essa mensagem, toca fundo. Um belo exemplo de amor e generosidade!
Que seu final de semana seja maravilhoso!
Um beijo, amiga.

AugustoCrowley disse...

Lindissimo!

Bengts fotoblogg disse...

Great post, very nice.

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Querida amiga

E dependendo
de quem aperte
a nossa mão,
o que era medo
se transforma em calma,
e o que era grito,
se faz silêncio.


Que sempre existam
sonhos a habitar teu coração.

josenaide coelho disse...

Devemos demonstrar
o mais rápido que
puder as formas
de amor que podemos
dar aos nossos queridos
enquanto há tempo
porque depois de hoje
já era passado e é
tarde o que poderíamos
ter feito,o tempo
não volta e se temos
saúde é pra desejar
tudo de belo o que tem
nessa vida.
Mesmo nos decepcionando
não devemos ter
orgulhos.
Beijos e bom sábado!