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sábado, 8 de maio de 2010

QUERO VOLTAR A SER FELIZ


Fui criada com princípios morais comuns.
Quando criança, ladrões tinham a aparência de ladrões e nossa única preocupação em relação à segurança era a de que os “lanterninhas” dos cinemas nos expulsassem devido às batidas com os pés no chão quando uma determinada música era tocada no início dos filmes, nas matinês de domingo.
Mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos eram autoridades presumidas, dignas de respeito e consideração.
Quanto mais próximos, e/ou mais velhos, mais afeto.
Inimaginável responder deseducadamente à policiais, mestres, aos mais idosos, autoridades.
Confiávamos nos adultos porque todos eram pais e mães de todas as crianças da rua, do bairro, da cidade.
Tínhamos medo apenas do escuro, de sapos, de filmes de terror.
Hoje me deu uma tristeza infinita por tudo que perdemos.
Por tudo que meus netos um dia temerão.
Pelo medo no olhar de crianças, jovens, velhos e adultos.
Matar os pais, os avós, violentar crianças, seqüestrar, roubar, enganar, passar a perna, tudo virou banalidade de notícias policiais, esquecidas após o primeiro intervalo comercial.
Agentes de trânsito multando infratores são exploradores, funcionários de indústrias de multas.
Policiais em blitz são abuso de autoridade.
Regalias em presídios são matéria votada em reuniões.
Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos honestos.
Não levar vantagem é ser otário.
Pagar dívidas em dia é bancar o bobo, anistia para os caloteiros de plantão.
Ladrões de terno e gravata, assassinos com cara de anjo, pedófilos de cabelos brancos.
O que aconteceu conosco?
Professores surrados em salas de aula, comerciantes ameaçados por traficantes, grades em nossas janelas e portas.
Crianças morrendo de fome!
Que valores são esses?
Carros que valem mais que abraço, filhos querendo-os como brindes por passar de ano.
Celulares nas mochilas dos recém saídos das fraldas. TV, DVD, vídeo-games...
O que vai querer em troca desse abraço, meu filho?
Mais vale um Armani do que um diploma.
Mais vale um telão do que um papo.
Mais vale um baseado do que um sorvete.
Mais valem dois vinténs do que um gosto.
Que lares são esses?
Jovens ausentes, pais ausentes.
Droga presente.
E o presente?
Uma droga!
O que é aquilo?
Uma árvore, uma galinha, uma estrela, ou uma flor?
Quando foi que tudo sumiu ou virou ridículo?
Quando foi que esqueci o nome do meu vizinho?
Quando foi que olhei nos olhos de quem me pede roupa, comida, calçado sem sentir medo?
Quando foi que me fechei?
Quero de volta a minha dignidade, a minha paz.
Quero de volta a lei e a ordem.
Quero liberdade com segurança!
Quero tirar as grades da minha janela para tocar as flores!
Quero sentar na calçada e ter a porta aberta nas noites de verão.
Quero a honestidade como motivo de orgulho.
Quero a vergonha, a solidariedade.
Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olho no olho.
Quero a esperança, a alegria. Teto para todos, comida na mesa, saúde a mil.
Quero calar a boca de quem diz: “ a nível de”, enquanto pessoa.
Abaixo o “TER”, viva o “SER”!
E viva o retorno da verdadeira vida, simples como uma gota de chuva, limpa como um céu de abril, leve como a brisa da manhã! E definitivamente comum, como eu.
Adoro o meu mundo simples e comum.
Ter o amor, a solidariedade, a fraternidade como base.
A indignação diante da falta de ética, de moral, de respeito...
Vamos voltar a ser “gente”?
Discordar do absurdo.
Construir sempre um mundo melhor, mais justo, mais humano, onde as pessoas respeitem as pessoas.
Utopia?
Não...
Se você e eu fizermos nossa parte e contaminarmos mais pessoas, e essas pessoas contaminarem mais pessoas...
Heim?
Quem sabe?

Enviado por Roy Lacerda do blog MomentoBrasil (http://momentobrasilcom.blogspot.com/)

11 comentários:

Myriam disse...

Tanto acontece pelas famílias sem estrutura, e tanto acontece pela falta de amor! Mas, eu não desisto, aliás, ninguém deve desistir! Fazendo a nossa parte, vamos mudar, amando, respeitando!
Contagiando as pessoas com nossas idéias !
Bj grande!

Glória Müller disse...

Tudo isto começa no nosso pequeno núcleo social.............A FAMÍLIA! A boa semente tem que ser plantada aí!!!
Faço a minha parte já há muito tempo e já transferi grande parte dela para os meus filhos seguirem fazendo o mesmo com os seus descendentes.
A sua indignação está certíssima, amiga...
Os valores estão trocados (ou trincados).
Beijos e feliz dias das mães!
Glória

Luciana Horta disse...

Há quem diga que evoluimos... Talvez, em algumas coisas mais práticas.
Mas no que se refere a SER humano, perdemos muito e deixamos o que realmente importa para trás...

Abração e feliz Dia das Mães!

Luciana (Catadora de Palavras)

Marcia disse...

Maria José,
passei para te deixar um abraco e votos de muita paz.
Jesus te ilumine hoje e sempre.

«╬♥ LADy M«╬♥ disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
«╬♥ LADy M«╬♥ disse...

oi .. passandu pra desejar um otimo fds pra tiii nom sei se vc é maezinha .. mais ms assim feliz dias das maes pra vc flor bjs fique com papai do céu

alegria de viver disse...

Olá querida
Tudo bem?

Um texto lindo, e como era bom sentir segurança, mas a liberdade tem dessas coisas. Só precisamos cuidar um pouco mais da educação das nossas crianças.
Fique bem.
Com muito carinho BJS.

Florentino disse...

texto muito lindo .,.fico sem palavras.beijo

ValériaC disse...

Maria José meu anjo de amiga...linda essa mensagem...precisamos sim, contagiar o mundo por uma vida mais simples, mais ligada ao Bem, ao Amor...e a Paz... e comecemos a partir de nós, em seguida com nossa familia, norteando-os com limites claros, valores reais da vida e daí para o mundo.
Plantemos, mesmo que pequeninas sementes e esperemos que floresçam...
Serenidade em sua vida amiga...
Beijos...
Valéria

GENINHA disse...

Quem sabe ? ...
Plenamente de acordo.
Um belíssimo texto para meditar.

É um "trabalho de formiga", um trabalho que cada um de nós tem de fazer pacientemente e sem interrupção- a mudança da sociedade e seus valores, começa dentro da família. Da família de cada um de nós.
Um abraço de Portugal

Antonio Carlos disse...

Querida irmã e amiga Maria José!
Infelizmente essas são verdades com as quais nos deparamos diariamente e tem alcançado a todos, indistintamente. Não importa a classe social, a cidade ou país onde reside. Temos esquecido de colocar em prática em nossas vidas as lições básicas do amor e da solidariedade pregadas por Jesus não apenas aos seus discípulos, mas a todos que ainda haveriam de nascer, ou seja:a todos nós.
Algumas pessoas crêem que os textos bíblicos foram escritos para uma determinada época e para o povo de uma região restrita: Palestina, mas ela foi escrita não apenas àqueles, mas também, às gerações seguintes e seus ensinamentos nos alcançam com uma realidade impressionante. Olhando para o alerta do apóstolo Paulo a Timóteo em 2Tm 3.1-5, parece que estamos lendo o noticiário dessa manhã: "Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis,pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes,desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus,tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes."
Que o Senhor nos ajude a não engrossarmos os componentes desses grupos.
Que o Senhor continue te abençoando grandemente, hoje e sempre, dando sabedoria e entendimento em todas as coisas.
Sempre juntos em Jesus.
Antonio Carlos