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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

COMPAIXÃO



O mestre budista Gyalwang Drukpa, também conhecido por “O Grande Dragão”, visitou recentemente a América do Sul.
Em uma das palestras que ministrou no Brasil, o mestre budista afirmou:...
“A Compaixão é profunda como um oceano.”
“A Compaixão é a essência última, a fonte da felicidade.”
“A Compaixão é profunda como um oceano.”
E nós que somos efêmeros passageiros do tempo-espaço, conseguiremos desvendar algum dia os mistérios da Compaixão?
Haveremos de sondar alguma hora a imensidão do oceano?
Tudo o que sabemos sobre a Compaixão é que ela é profunda como o mar;
E que devemos procurar manifestá-la para alcançar a verdadeira felicidade neste mundo material.
Neste mundo virado pelo avesso em que nos coube viver, infelizmente muitos há que vivem as suas vidas completamente alheios à Compaixão.
Muitos há que viraram as costas para a brisa da Compaixão
– que nos convida, que nos convoca a partilharmos os nossos bens e talentos – materiais e espirituais – com nossos irmãos de jornada.
Muitos há que se contentam com seu pequenino universo (meu trabalho, minha renda, minha família, minhas férias, minha aposentadoria) e tão raramente, quase nunca, conjugam o verbo partilhar.
É difícil sair da zona de conforto.
Requer coragem deixar a segurança da areia e mergulhar no mar que guarda nas suas profundezas o desconhecido.
Quem recusa o mergulho nas águas vivificadoras da Compaixão, corre o risco de passar a vida inteira à margem de si mesmo.
Quais são os bens e talentos, materiais e espirituais, que a Vida generosamente nos concedeu, e que temos a incumbência de partilhar com o próximo?
Inúmeras gerações vieram antes de nós, e outras tantas nos haverão de suceder.
Vence o jogo da existência terrena aquele que souber mergulhar nas águas purificadoras da Compaixão.
A Compaixão é profunda como um oceano, nos ensina o mestre budista.
Será uma pena passar por este mundo físico sem sentir o frescor do mergulho no azul infinito.
Faz-se necessário desenvolver pulmão de mergulhador, caso queiramos passar da superfície dos dias e das horas para as profundidades que encerram mistérios.
É preciso coragem para romper a mesquinhez da rotina e arrancar das profundezas do nosso ser o tesouro
de uma existência plena.
Uma existência plena abarca invariavelmente a Compaixão.
Requer coragem fazer a seguinte pergunta:
“O que a Vida espera de mim?
Qual a minha missão, a minha contribuição, o meu carma, o meu propósito?”
“Tenho feito bom uso dos dons e talentos– materiais e espirituais –que a Vida nas minhas mãos depositou?”
Tesouros e pérolas repousam nas profundezas do oceano da Compaixão.
Teremos sabedoria suficiente para buscá-los?
De que terá valido esta breve vida terrena se falharmos em cultivar um coração compassivo, se ignorarmos as pérolas e os tesouros que o oceano da Compaixão abriga?
“A Compaixão é profunda como um oceano.”
“A Compaixão é a essência última, a fonte da felicidade.”

terça-feira, 17 de novembro de 2015

ALÉM DA MORTE



Cumprida mais uma jornada na Terra, seguem os espíritos para a Pátria Espiritual, conduzindo a bagagem dos feitos acumulados em suas existências.
Aportam no plano espiritual, Nem anjos, nem demônios. São homens, almas em aprendizagem despojadas da carne.São os mesmos homens que eram antes da morte.
A desencarnação não lhes modifica hábitos nem costumes. Não lhes outorga títulos, nem conquistas. Não lhes retira méritos, nem realizações.
Cada um se apresenta após a morte como sempre viveu. Não ocorre nenhum milagre de transformação para aqueles que atinge o grande porto. Raros são aqueles que despertam com a consciência livre, após a inevitável travessia.
A grande maioria, vinculada de forma intensa às sensações da matéria, demora-se, infeliz, ignorando a nova realidade. Muitos agem como turistas confusos em visita a grande cidade, buscando incessantemente endereços que não conseguem localizar.
Sentem a alma visitada por aflições e remorsos, receios e ansiedades. Se refletissem um pouco perceberiam que a vida prossegue sem grandes modificações.
Os escravos do prazer prosseguem inquietos. Os servos do ódio demoram-se em aflição. Os companheiros da ilusão permanecem enganados. Os aficionados da mentira dementam-se sob imagens desordenadas. Os amigos da ignorância continuam perturbados.
Além disso, a maior parte dos seres não é capaz de perceber o apoio dispensado pelos Espíritos Superiores. Sim, porque mesmo os seres mais infelizes e voltados ao mal não são esquecidos ou abandonados pelo auxílio Divino.
Em toda parte e sem cessar, amigos espirituais amparam todos os seus irmãos, refletindo a paternal Providência Divina.    Morrer, longe de ser o descansar nas mansões celestes ou expurgar sem remissão nas zonas infelizes, é, pura e simplesmente recomeçar a viver.
A morte a todos aguarda. Preparar-se para tal acontecimento é tarefa inadiável. Apenas as almas esclarecidas e experimentadas na batalha redentora serão capazes de transpor a barreira do túmulo e caminhar em liberdade.
A reencarnação é uma bendita oportunidade de evolução. A matéria em que nos encontramos imersos, por hora, é abençoado campo de luta e de aprimoramento pessoal. Cada dia que dispomos na carne é nova chance de recomeço.
Tal benefício deve ser aproveitado para aquisição dos verdadeiros valores que resistem à própria morte. Na contabilidade Divina a soma de ações nobres anula a coletânea equivalente de atos indignos.
Todo amor dedicado ao próximo, em serviço educativo à humanidade, é degrau de ascensão.
Quando o véu da morte fechar os nossos olhos nesta existência, continuaremos vivendo em outro plano e em condições diversas. Estaremos, no entanto, imbuídos dos mesmos defeitos e das mesmas qualidades que nos movimentavam antes do transe da morte.
A adaptação a essa nova realidade dependerá da forma como nos tivermos preparado para ela. Semeamos a partir de hoje a colheitas de venturas, ou de desdita, do amanhã.
Mensagem psicografada por Divaldo Pereira Franco Pelo Espírito de Otília Gonçalves

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

AH SE EU SOUBESSE



Quando chegamos ao plano espiritual, a maioria dos espíritos pensa algo muito parecido:
- Ah se eu soubesse…
Se eu soubesse que a vida real não era na matéria… se eu soubesse que a realidade não é de sofrimento, mas de paz e liberdade… se eu soubesse que nada que existia na matéria é permanente, que lá é tudo passageiro, eu não teria brigado no trânsito, batido nos meus filhos, me apegado a tantas coisas efêmeras…
Ah se eu soubesse…. teria ajudado muito mais gente, teria me enriquecido com amor e luz, teria deixado de lado esses problemas pequenininhos, teria feito caridade aos necessitados, teria deixado o amor fluir, teria me atirado no bem sem nenhuma preocupação, teria sido mais humilde, teria vivido em paz…
Ah se eu soubesse… teria passado mais tempo com aqueles que amo, teria me preocupado menos, teria tido mais paciência, teria me soltado mais, me desprendido mais, teria vivido mais livre, de forma mais espontânea, mais natural, teria visto o lado bom de tudo, teria valorizado as coisas simples da vida.
Ah se eu soubesse… se soubesse que a vida na Terra vai e vem, que tudo se esvai, que nada é permanente, que não existe algo fixo, imutável. Se eu soubesse que tudo começa e termina, que os relacionamentos começam e terminam, que a dor lateja e depois vem o alívio.
Ah se eu soubesse… se soubesse que os arrogantes sobem, ficam no topo e caem por si mesmos; caem pelo seu próprio castelo de cartas da ilusão que criaram. Se eu soubesse que os ricos podem se tornar pobres de espírito, e que os pobres podem ser muito ricos de espírito. Se soubesse que as diferenças sociais se extinguem, que na morte todos somos filhos do universo, que a fome é saciada, que a sede é aliviada, que a violência só traz mais violência, que os injustiçados são compensados, que os perdidos sempre se encontram, e quem está demasiadamente seguro de si acaba se perdendo.
Ah se eu soubesse… que a vida espiritual é a vida real, que as mágoas corroem o espirito, que a cobiça gera insatisfação, que a lisonja só cria humilhação, que a preguiça gera estagnação. Se eu soubesse que o medo é sempre maior do que a mente engendrou eu teria me arriscado mais, teria ousado, teria tido a coragem de ser o que eu sou, teria retirado essa máscara que encobria minha verdade, teria desatado o compromisso com o logro, com a burla, teria assumido minha integridade sem divisões, sem fragmentos.
Ah se eu soubesse… não teria cortejado o sucesso, não teria me atirado ao poço fundo, vazio e solitário da avidez, não teria me enganado de que, ao atingir o topo, a descida é o único caminho. Se eu soubesse que o mundo é uma doce miragem eu rejeitaria a pueril busca pela sensualidade. Largaria com afinco os prazeres e vícios da juventude. Se soubesse que tudo muda e nada se encerra, teria posto de lado as moléstias da nostalgia.
Ah se eu soubesse, teria menos pressa, olharia mais para a vida, veria mais o nascer do dia, comeria com calma o pão de cada manhã, teria plantado uma árvore, corrido no jardim, deitado no chão e rolado na grama. Teria mergulhado e me perdido no tempo, solto em reflexões sobre os mistérios da vida. Teria me desimpedido de autocobranças, teria me aceitado como sou e aceitado o milagre da vida como ele é.
Ah se eu soubesse… que o mar espiritual é infinito de bênçãos, não teria digladiado por um copo de água ao lado do grandioso oceano da plenitude. Teria deixado todas as quimeras de lado, e vivido mais a vida, a existência, o cosmos, a liberdade, o eterno presente e a eterna aurora.
Ah se eu soubesse… teria renunciado aos hábitos arraigados, as discussões estéreis, a especulação teórica. Se eu soubesse, teria permanecido mais na natureza, observando os pássaros, molhando as mãos no rio, sentindo o vento, me aquecendo ao sol da manhã, sujado as mãos na lama e sentido o frescor da chuva. Se eu soubesse que sou um ser em desenvolvimento na essência inesgotável e eterna da vida, teria sido infinitamente mais livre e feliz.

domingo, 15 de novembro de 2015


AMAR



És livre na luz do sol e livre ante a estrela da noite.
E és livre quando não há sol, nem luar nem estrelas.
Inclusive, és livre quando fechas os olhos a tudo o que existe.
Porém, és escravo de quem amas, pelo fato mesmo de amá-lo.
E és escravo de quem te ama, pelo fato mesmo de deixar-te amar.