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domingo, 4 de outubro de 2015

A CADA NOVO DIA



A cada novo dia adicionamos uma cena ao filme da nossa vida.
A cada novo dia escrevemos uma página do livro da nossa existência.
Cada novo dia desvela a oportunidade de plantarmos no jardim da nossa alma as flores mais belas.
Devemos refletir constantemente sobre o filme que estamos filmando, o livro que estamos escrevendo.
Devemos refletir constantemente sobre as flores que já plantamos, e as que pretendemos plantar.
Esta vida terrena é deveras preciosa para que ocupemos o nosso tempo com coisas pequenas tão somente.
Em meio aos mil afazeres de todo dia, devemos reservar a justa hora para refletir sobre o sentido e o significado da nossa existência.
Quantas e quantas e quantas gerações nos antecederam; quantas e quantas e quantas gerações nos sucederão.
A nossa existência terrena não passa de um ínfimo estalo diante da vastidão cósmica.
O tique-taque dos relógios e a sucessão das noites e dos dias são nossos por um breve instante apenas.
Assim como o corpo, a alma humana também precisa ser alimentada.
A reflexão, a filosofia, a arte, a espiritualidade, a compaixão, a ternura e a poesia são como asas para nossa alma.
Teremos ouvidos para as canções que a ave da nossa alma cantarola?
Seremos suficientemente sábios para cuidar do seu suave voar?
Somos todos aves.
Somos todos jardins.
Somos todos jardineiros dos canteiros da nossa interioridade.
Quão triste seria ver as breves décadas da vida terrena escoarem ligeiro enquanto nos ocupamos demasiadamente com prazeres, confortos e ganhos materiais.
Quão triste seria se por descuido ou desatenção perdêssemos o bonde da nossa essência, – o bonde a nos conduzir à nossa bem-aventurança.
Quão frequentemente nos conectamos à nossa essência?
Quão frequentemente recordamos de que somos ave, jardineiro e jardim?
Quão frequentemente conjugamos os verbos doar, partilhar, amar?
Quão intimamente nos encontramos conectados com os mistérios da existência?
“Mistério não é o limite da razão mas o ilimitado da razão.” (Leonardo Boff)
“Acolher, com atenção e reverência, os beijos do Mistério da Vida que nos toca, inesperadamente, no segredo do labirinto do existir.” (Roberto Crema)

sábado, 3 de outubro de 2015

WABI SABI – A ARTE DA IMPERFEIÇÃO



Perceber a beleza que se esconde nas frestas do mundo imperfeito é uma Arte. Você conhece aquela história de que os tapetes persas sempre tem um pequeno erro, um minúsculo defeito, apenas para lembrar a quem olha de que só Deus é perfeito? Pois é, a Arte da Imperfeição começa quando a gente reconhece e aceita nossa tola condição humana.
Precisamos aprender a aceitar nossas falhas com a mesma graça e humildade com que aceitamos nossas qualidades, a perdoar a nós mesmos. O desejo de acertar sempre impede a evolução e a necessidade de estar no controle aumenta a desordem e o caos.
Wabi sabi é a expressão que os japoneses inventaram para definir a beleza que mora nas coisas imperfeitas e incompletas. O termo é quase que intraduzível: wabi sabi é um jeito de "ver" as coisas através de uma ótica de simplicidade,naturalidade e aceitação da realidade.
Contam que o conceito surgiu no século 15. Um jovem, Rikyu, queria aprender os complicados rituais da Cerimônia do Chá e procurou o grande mestre Takeno Joo. Para testar o rapaz, o mestre mandou que ele varresse o jardim. Rikyu limpou o jardim até que não restasse nem uma folhinha fora do lugar.
Ao terminar, examinou cuidadosamente o jardim impecável, cada centímetro de areia imaculadamente varrido, cada pedra no lugar, todas as plantas ajeitadas. E então, antes de apresentar o resultado ao mestre, Rikyu chacoalhou o tronco de uma cerejeira e fez caírem algumas flores que se espalharam displicentes pelo chão. 
Mestre Joo, impressionado, admitiu o jovem no seu mosteiro. Rikyu tornou-se um grande Mestre do Chá e desde então é reverenciado como aquele que entendeu a essência do conceito de wabi-sabi: a arte da imperfeição.
Os mestres japoneses, com a cultura inspirada nos ensinamentos do taoísmo e do zen budismo perceberam que a ação humana sobre o mundo deve ser tão delicada que não impeça a verdadeira natureza das coisas de se revelar. E a natureza das coisas é percorrer seu ciclo de nascimento, deslumbramento e morte; efêmeras e frágeis.
Eles perceberam a beleza e elegância que existe em tudo que é tocado pelo carinho do tempo. Uma  velha tigela de chá, musgo cobrindo as pedras do caminho, a toalha amarelada, uma única rosa solta no vaso, a maçaneta da porta nublada das mãos que a tocaram...
Wabi sabi é inseparável dos ensinamentos do taoísmo e do zen-budismo:
Na natureza:
Todas as coisas são impermanentes.
Todas as coisas são imperfeitas.
Todas as coisas são incompletas.
A beleza pode estar escondida na feiura.
A grandeza existe nos detalhes despercebidos.
Aceitação do inevitável.
Apreciação da ordem cósmica.
A Arte da Imperfeição é focar no intrínseco, no irregular, no despretensioso, no turvo, no envelhecido, na simplicidade...
Que tal abrir os olhos para o estilo wabi sabi?

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

PARE DE CARREGAR A MALA DOS OUTROS!



Você acredita que carrega malas alheias?
Vamos fazer um exercício?
Como você reage quando seu filho não quer ir à faculdade?
Quando sua filha quer morar sozinha?
Ou quando alguém não consegue arrumar a própria mala para a viagem de férias, perde a hora do trabalho com frequência, gasta mais do que ganha… e muitas coisinhas mais que vão fazendo você correr em desvario para tapar buracos que não criou e evitar problemas que não afetam sua vida diretamente?
Não afetam a sua vida, mas afetam a vida de pessoas queridas, então, você sai correndo e pega todas as malas que estão jogadas pelo caminho e as coloca no lombo (lombo aqui cai muito bem, fala a verdade) e a sua mala, que é a única que você tem a obrigação de carregar, fica lá, num canto qualquer da estação.
Repetindo, a sua mala, que é a única que você tem obrigação de carregar, fica lá jogada na estação!
Temos uma jornada e um propósito aqui neste planeta e quando perdemos o foco, passamos a executar os propósitos alheios.
A estrada é longa e o caminho muitas vezes nos esgota, pois o peso da carga que nós nos atribuímos não é proporcional à nossa capacidade, à nossa resistência e o esgotamento aparece de repente.
Esse é o primeiro toque que a vida nos dá, pois, quando o investimento não é proporcional ao retorno, ou seja, quando damos muito mais do que recebemos na vida, nos relacionamentos humanos ou profissionais, é porque certamente estamos carregando pesos desnecessários e inúteis.
Quando olhamos para um novo dia como se ele fosse mais um objetivo a cumprir, chegou a hora de parar para rever o que estamos fazendo com o nosso precioso tempo.
O peso e o cansaço nos tornam insensíveis à beleza da vida e acabamos racionalizando o que deveria ser sacralizado.
É o peso da mala que nos deixa assim empedernidos.
Quanto ela pesa?
Quanto sofrimento carregamos inutilmente, mágoa, preocupação, controle, ansiedade, excesso de zelo, tudo o que exaure a nossa energia vital.
E o medo, o que ele faz com a gente e quanta coisa ele cria que muitas vezes só existe dentro da nossa cabeça?
Sabe que às vezes temos tanto medo de olhar para a própria vida que preferimos tomar conta da vida dos filhos, do marido, do pai, da mãe…
E a nossa mala fica na estação…
O momento é esse, vamos identificar essa bagagem: ela é sua?
Ótimo, então é hora de começar uma grande limpeza para jogar fora o lixo que não interessa  e caminhar mais leve.
Agora, se o excesso de peso que você carrega vem de cargas alheias, chegou a hora de corajosamente devolvê-las aos interessados.
Não se intimide, tampouco fique com a consciência pesada por achar que a pessoa vai sucumbir ao fardo excessivo.
Ao contrário, nesse momento você estará dando a ela a oportunidade de aprender a carregar a própria mala.
A vida assim compartilhada fica muito mais suave, pois os relacionamentos com bases mais justas e equânimes acabam se tornando mais amorosos, sem cobranças e a liberdade abre um grande espaço para a cumplicidade e o afeto.
Onde está a sua mala?

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

UMA QUESTÃO DE ESCOLHA



O coração anda no compasso que pode. Amores não sabem esperar o dia amanhecer. O exemplo é simples. O filho que chora tem a certeza de que a mãe velará seu sono.
A vida é pequena, mas tão grande nestes espaços que aos cuidados pertencem. Joelhos esfolados são representações das dores do mundo. A mãe sabe disso. O filho, não.
Aprenderá mais tarde, quando pela força do tempo que nos leva, ele precisará cuidar dos joelhos dos seus pequenos. O ciclo da história nos direciona para que não nos percamos das funções. São as regras da vida. E o melhor é obedecê-las.
Tenho pensado muito no valor dos pequenos gestos e suas repercussões. Não há mágica que possa nos salvar do absurdo. O jeito é descobrir esta migalha de vida que sob as realidades insiste em permanecer. São exercícios simples...
Retire a poeira de um móvel e o mundo ficará mais limpo por causa de você. É sensato pensar assim. Destrua o poder de uma calúnia, vedando a boca que tem ânsia de dizer o que a cabeça ainda não sabe, e alguém deixará de sofrer por causa de seu silêncio.
Nestas estradas de tantos rostos desconhecidos é sempre bom que deixemos um espaço reservado para a calma. Preconceitos são filhos de nossos olhares apressados. O melhor é ir devagar.
Que cada um cuide do que vê. Que cada um cuide do que diz. A razão é simples: o Reino de Deus pode começar ou terminar, na palavra que escolhemos dizer. É simples...