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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

NA BERLINDA, O CORAÇÃO



Há momentos em que tudo o que a gente precisa é dar colo para o próprio coração. Aconchegá-lo no nosso olhar de escuta. Deixar que perceba que naquele instante todas as outras coisas podem nos esperar um pouco; ele, não. Ele é o nosso rei e o nosso reino. O papel para desenho e a caixa de lápis de cor. A música e a orquestra. Nossa bússola e nosso mar. A flor, o pólen, a borboleta, ao mesmo tempo. A colmeia e o mel. O centro, onde tudo principia e para o qual tudo converge. Ele não pode esperar.
O coração da gente gosta de atenção. De cuidados cotidianos. De mimos repentinos. De ser alimentado com iguarias finas, como a beleza, o riso, o afeto. Gosta quando espalhamos os seus brinquedos no chão e sentamos com ele para brincar. E há momentos em que tudo o que ele precisa é que preparemos banhos de imersão na quietude para lavarmos, uma a uma, as partes que lhe doem. É que o levemos para revisitar, na memória, instantes ensolarados de amor capazes de ajudá-lo a mudar a frequência do sentimento. Há momentos em que tudo o que precisa é que reservemos algum tempo a sós com ele para desapertá-lo com toda delicadeza possível.
Coração gosta de espaço.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

IMPERMANÊNCIA



Tenho uma amiga que diante das circunstâncias mais difíceis costuma afirmar: “E isto também passará!” Pura verdade. Tudo passa. Nada permanece inalterado. Nada permanece o tempo todo, do mesmo modo, no mesmo lugar. Inclusive aquilo que gostaríamos que não passasse nunca. Aprendi, embora tantas vezes esqueça e as circunstâncias me convidem a relembrar, que a ordem natural das coisas é a fluência, o movimento. O fechamento de um ciclo e a inauguração de outro.
A natureza, que tem dado claros sinais de contrariedade com o pseudocontrole dos homens, há séculos dá aulas gratuitas a respeito disso, com ou sem plateia. É só a gente olhar para as várias feições da lua. Para o movimento das ondas do mar. Para os diferentes tons do céu num período de 24 horas. Para a dança da floração das plantas. Para o caminho que a semente faz até se vestir de fruto. Intimamente, basta olharmos pra nós mesmos, usando o espelho de fora ou o espelho de dentro.
Durante a nossa jornada temos inúmeras oportunidades para olharmos nos olhos da morte. Com o tempo, começamos a perceber que, no fundo, ela não é outra coisa senão um jeito diferente que a vida arruma para se vestir. Mas, ai, como costuma ser difícil lidar com as mudanças da nossa própria vida. Como é difícil assumir a morte das coisas, mesmo as mais moribundas, sobreviventes apenas pelos tubos do apego. Como é difícil arrumar os armários do próprio coração. Ter coragem para se desfazer daquilo que já não nos serve e sabemos que não irá mais nos servir. Crenças. Padrões. Expectativas. Auto-imagens.
Há fases em que somos tocados com tanta rispidez pelas experiências do nosso caminho, que, muitas vezes, sem sequer percebermos, trocamos de mal com o riso, com a felicidade, com o compromisso maior, aquele que temos com o nosso coração. De alguma maneira, geralmente sutil, rompemos com tudo. Com todos. Principalmente, com nós mesmos. Sentimo-nos muito tristes e tentamos paralisar o movimento da vida a partir do núcleo do nosso medo.
Fases em que não nos encantamos com mais nada. Esquecemos o gosto bom das alegrias mais simples. Vedamos nossos olhos à grandeza do milagre presente em todas as coisas. Agarramo-nos à nossa dor com tanto zelo que nem o ser mais luminoso e bem intencionado do universo parece ser capaz de nos dissuadir de soltá-la. Assustados, na tentativa de nos protegermos de mais dor, ignoramos que a dor maior é a própria estagnação. A tentativa de interrupção do fluxo. A negação em nos rendermos, outra vez, à dança da vida.
Nessas fases doídas da caminhada, a gente esquece, sim, de que tudo passa. Esquece, sobretudo, que precisamos permitir que passe. E que não há muito o que fazer nesses momentos, senão entregar e confiar, esta tarefa difícil. Deixar que as coisas morram e abram espaço para o novo. Aceitar o intervalo da travessia, em que as coisas não têm mais a forma antiga nem ainda a forma nova. O tempo da crisálida: nem mais lagarta nem voo ainda. Respeitar a cadência natural das gestações. Lembrar que precisamos ser delicados e generosos com nós mesmos para atravessar a frente fria até o sol surgir de novo. Lembrar que tudo é impermanente.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

HISTORINHA DE AMOR PRA GENTE GRANDE




Contam os anjos que me inspiram que um pouquinho antes de materializar o Seu Plano de Criação da vida humana e se derramar no coração de todas as coisas da Terra, o Senhor Deus Todo Poderoso resolveu repassá-lo, ponto a ponto, pela última vez. E, ao terminar o trabalho, sentiu, bastante surpreso, que ainda parecia estar faltando um detalhe, sem nome nem cara, em sua Grandiosa Obra. Algo que não havia sido contemplado por nenhum dos incontáveis milagres com os quais dotaria o homem e o ambiente que preparava para acolhê-lo e supri-lo em sua jornada evolutiva.
Como um poeta que ao findar um poema é tocado pela vibração de uma palavra que não foi dita, sem conseguir visualizar-lhe as feições, o Senhor Deus intuiu a ausência de uma dádiva no buquê de luzes que ofertaria ao homem para perfumar sua caminhada heroica, que trilharia até tornar-se um Mestre das coisas que não passam e reunir-se a Ele numa só Consciência Criadora.
O Senhor Deus não sabia que doçura era aquela que reclamava sua Amorosa Atenção, mas pressentia que se tratava de algo imprescindível. De alguma graça que deixaria uma lacuna em branco em cada história humana, caso não existisse. De mais um dos presentes que bordaria em cada vida com os fios da delicadeza que utilizaria em tudo o que planejava ser forte. Mas o que poderia ser, Ele se perguntava, além das outras tantas ternuras que já havia previsto bordar?
E o Senhor Deus pensou, pensou, pensou. Relembrou cada detalhe, cada etapa, cada riqueza, pacientemente, com todo o zelo de Seu Coração Criador. Reuniu-se com os Mestres que o assessoravam no Plano. Trocou ideias. Ouviu, atento, as sugestões e observações que surgiram. Mas nada do que pensava e ouvia atendia à Sua Expectativa e se aproximava da resposta que buscava desde que aquela intuição lhe visitara. Que traço, afinal, poderia ainda criar para compor o conjunto das bênçãos que desenharia na Terra? Que beleza era aquela que murmurava em Seu Ouvido sem revelar-Lhe o rosto?
Contam que, como era costumeiro, numa manhã o Senhor Deus Todo Poderoso estava distraído no jardim de Sua Casa, cuidando amorosamente de Suas Plantas, quando um anjo, muito belo, muito jovem, banhado de luz azul, aproximou-se Dele para transmitir-Lhe uma mensagem de um de Seus Arcanjos, Miguel, o Príncipe Celeste que comandava Seu Exército de Luz. E que foi no exato instante em que olhou para aquele anjo que o Senhor Deus descobriu o que ainda faltava em Seu Plano: anjos que o homem pudesse ver, exatamente como Ele podia ver aquele.
O Plano do Senhor Deus previa que seria escolhido para cada pessoa, a partir do momento alquímico de sua concepção, um anjo que iria acompanhá-la em toda a sua trajetória humana, até que devolvesse à Terra a roupa de carne que lhe havia sido emprestada. E, embora se tratasse de um leal companheiro, que iria fortalecê-la, protegê-la e inspirar-lhe, e lhe fosse possível falar com ele e ouvi-lo, em seu coração, ela não poderia vê-lo, a não ser que em algum instante experimentasse um amor tão intenso que conseguisse penetrar na frequência luminosa onde os anjos moram.
Para o homem, pensava o Senhor Deus, aquela dádiva não bastaria. Por mais grandiosa que fosse. Por mais serviço que envolvesse. Ele sabia que o ser humano teria dificuldade para lidar com as coisas que chamaria de invisíveis. Que se atrapalharia com tudo o que não pudesse ser tocado com algum dos cinco sentidos que, equivocadamente, acreditaria serem os únicos que possuía.
O homem precisaria também de anjos que fossem visíveis. Feitos da mesma matéria que ele. Com os quais pudesse brincar com os brinquedos humanos. Crescer junto, aprendendo, ensinando, trocando. Que os olhassem nos olhos e o encorajassem ao próximo passo sem uma única palavra. Com os quais pudesse compartilhar os sabores, os sons, as visões, as falas e as texturas das coisas da Terra e sonhar com as coisas do Céu. Que estivessem ao seu lado nos dias de sol e também lhe estendessem a mão para atravessar com ele o tempo em que as noites se fariam tão escuras que ele começaria a duvidar do amanhecer.
Sim, continuava a pensar o Senhor Deus, o homem precisaria de anjos visíveis que tivessem em sua vida a mesma bela tarefa do anjo que não podia ver. Anjos que permanecessem em seu caminho quando tudo parecesse ter ido embora. Que acreditassem nele até quando ele próprio se esquecesse quem era. Que quando o cansaço lhe visitasse e os apelos da sombra o convidassem a desistir, desembainhassem a própria espada para lembrar-lhe de que era um Guerreiro. Que emanassem para ele um bem-querer tão puro que fosse capaz de perfumar até o que ainda lhe doesse. Com os quais pudesse rir e chorar, e, sobretudo, ter a liberdade de ser
O homem precisaria, sim, de anjos visíveis com sangue nas veias. Que tivessem dor de barriga, mau-humor, contas pra pagar, unha encravada, medo, dente cizo, angústia, raiva, baixo astral, e toda uma séria de chatices humanas que os anjos invisíveis respeitam, mas não experimentam. Com os quais pudesse jogar conversa fora. Torcer por um time. Cantar desafinado. Caminhar na praia. Trocar um abraço. E empanturrar-se de risada e bobó de camarão num domingo grande. Que espelhassem para ele sua porção humana e sua porção divina e lhes fizessem parceria no contínuo exercício de integrá-las durante a viagem. Que pudessem servir de canais para os toques, os puxões de orelha e os carinhos do seu próprio anjo guardião, que, sem fazer ruído algum, trabalharia em sintonia com eles o tempo todo.
E depois de dividir com aquele anjo inspirador as feições de Sua Descoberta, contam que o Senhor Deus Todo Poderoso lhe perguntou o seu nome, pois seria com ele que, em gratidão, chamaria o anjo visível que cada pessoa encontraria na Terra.
E o anjo que inspirou o Senhor Deus, maravilhado com Sua Bondade, revelou-Lhe o seu nome:

— Amigo.

domingo, 18 de outubro de 2015

GRATIDÃO



Quando lembro o quanto algumas pessoas me ajudam com o seu olhar amoroso, ao longo da estrada, sinto um ventinho bom percorrer meu coração e arrepiar a vida toda de contentamento. Um ventinho quente, parecido com o que toca a minha pele quando caminho na beira da praia nas manhãs azuis que ainda se espreguiçam. A pele é o lado de fora do sentimento.
Quando lembro de cada nova muda de afeto que recebo e vejo florescer devagarinho no meu jardim, a lembrança afasta as nuvens momentâneas e deixa o céu à mostra. Faz um sorriso sereno acontecer em mim. Acende uma música que a gente só consegue ouvir quando a palavra descansa.
Quando lembro que crescer é, no íntimo, um exercício solitário, mas que não estamos sozinhos na sala de aula, saboreio o conforto dessa recordação. Somos mestres e aprendizes uns dos outros, o tempo todo. Estudamos, lado a lado, inúmeras lições, mas também criamos espaço para celebrar os mágicos momentos de recreio. Às vezes, com alguma leveza, até descobrimos juntos um segredo libertador: o aprendizado e o recreio não precisam acontecer separados.
Quando lembro o quanto as nossas vidas se entrelaçam amorosamente com outras vidas nessa tapeçaria de fios sutis dos encontros humanos, a gratidão emerge e se espalha, em ondas de ternura, por toda a orla do peito. Diante de tantas incertezas, essa verdade perene: o amor compartilhado é o sábio curador.
Quando lembro, eu agradeço. E respiro macio.

sábado, 17 de outubro de 2015

FADA MADRINHA


Conheci uma fada na minha infância. Aparentemente diferente daquelas que eu via nos desenhos animados e nas ilustrações dos livros infantis. Ela não usava aquele modelo básico do vestuário das fadas nem tinha varinha de condão. Vestia-se de gente. Mas, como aquelas das histórias, aparecia, como que por mágica, nos momentos mais estranhos para me lembrar que eu era criança. Enchia meus dias com surpresas. Adivinhava sonhos. Investia em cada possibilidade de um sorriso meu, como se fosse dela também. E, de alguma forma, realmente era.
Fazia surgir diante de mim filmes sobre fuscas que falavam. Piscinas. Parques de diversões. Batatas fritas e sundaes. Bonecas e palhaços. Os primeiros livros. Os presentes mais caros que pedia a Papai Noel e encontrava, feliz, nas manhãs de Natal. Ainda lembro do filé de peixe com purê de batatas que comi, desajeitada, na Colombo, na primeira vez em que almocei num restaurante. O centro da cidade, com suas avenidas largas e seus prédios gigantescos, parecia aos meus olhos infantis infinitamente maior do que é e também menos assustador.
Passaram-se muitos anos. Não consigo lembrar com clareza dos detalhes do seu rosto. O que vejo nas lembranças que me chegam são traços confusos. Imagens embaçadas. Sem contornos. Sem certezas. Não sei dizer com exatidão qual era a tonalidade da sua pele. Como era o seu andar. Como era o movimento que fazia nascer o seu sorriso. Com nitidez, recordo apenas do que nunca teve forma nem descrição precisa, pois embora eu não lembre do tom da cor dos seus olhos, posso sentir, ainda hoje, a ternura e o lume com que me olhavam. Naquele tempo eu não sabia, como algumas vezes ainda não sei, o que fazer com tanta claridade.
Percebia que era muito especial para ela, mas não tentava entender o porquê. Quando somos crianças não procuramos essa compreensão, que, no fundo, ainda não sei pra quê exatamente nos serve. Apenas intuímos. Apenas sentimos. Sem o costume tão comum nos adultos de querer explicar todas as coisas. De insistir que tudo precisa ter nome. Que tudo precisa ter lógica. Quando me apresentava às pessoas parecia exibir um prêmio. Um bem muito valioso. E eu me encabulava com aquela demonstração de um sentimento que, agora, acostumada a dar nome a tudo, chamo de amor.
Eu tinha treze anos quando foi baleada num assalto. Não sobreviveu. Morreu aos trinta e dois e eu não entendia naquela época o quanto realmente era nova. Quando vi seu corpo, morto, e me dei conta de que não sorriria mais para mim com aquele clarão no olhar, eu chorei como talvez nunca houvesse chorado. Foi a primeira vez que senti, consciente, uma dor que não morava no corpo. Que gritava em outro lugar.
Muitas vezes lamentei por não poder chamá-la para ir ao cinema comigo. Para tomar outro sundae. Para almoçar outro filé de peixe com purê de batatas. Por não poder sentar ao seu lado para conversar sobre a vida. Sobre as coisas que aprendi e aquelas que resisto em aprender. Lamentei, principalmente, por em momento algum ter lhe dito que a amava, embora acredite que, de alguma forma, ela tenha ouvido. Foi a partir dessa circunstância que comecei a querer expressar o meu afeto pelas pessoas enquanto estão aqui, próximas de mim, e eu posso pôr em prática o amor que sinto por elas, porque aprendi que a qualquer instante elas podem não estar mais.
Como nunca vi uma fada morrer nas histórias que li, acredito que ela deve estar por aí, em algum lugar bonito, fazendo outras mágicas. E, onde quer que esteja, deve continuar a não se vestir como a maioria das fadas dos desenhos animados e dos livros infantis. Sem essa roupa de gente que a terra nos empresta, ela agora deve ser somente luz. Aquela que eu via no seu olhar de amor.
Se ainda estivesse nessas bandas terrenas, Tia Vanda, ontem, teria completado 61 anos. Seria minha madrinha de crisma, mas trocou de frasco antes que isso oficialmente pudesse acontecer. No coração, aconteceu. Foi minha madrinha, como tanto queria. Foi minha amiga, o tempo todo.
Quando eu era menina, ela se entusiasmava com o meu gosto pela escrita e acreditava que isso se tornaria algo cada vez mais valioso para mim. A publicação desse texto, faz muitos anos que escrevi, é uma forma carinhosa de dizer que ela estava certa. Uma homenagem a alguém, cuja vida está sempre sendo atualizada, afetivamente, pela minha memória. Uma maneira, tanto tempo depois, de dizer "eu te amo também".

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

ESSE MISTÉRIO

Estive pensando nesse mistério que faz com que a vida da gente se encante tanto por outra vida. E sinta vontade de escrever poemas. Garimpar estrelas. Deixar florir pelo corpo os sorrisos que nascem no coração. Nesse mistério que nos faz olhar a mesma imagem inúmeras vezes, sem cansaço, seja ela feita de papel ou de memória. Que nos faz respirar feliz que nem folha orvalhada. Querer caber, com frequência, no mesmo metro quadrado onde a tal vida está. Cantarolar pela rua aquela canção que a gente não tinha a mínima ideia de que lembrava.
Estive pensando nesse mistério que faz com que a vida da gente encontre essa vida na multidão planetária de bilhões de outras. E sem saber que ela existia, perceba ao encontrá-la que sentia saudade dela antes de conhecê-la. Estive pensando nesse mistério que faz com que aquela vida que acaba de encontrar a nossa nos deixe com a impressão de estar no nosso caminho desde sempre, como se fosse um sol que esteve o tempo todo ali e a gente somente não o ouvia cantar. Nesse mistério que nos faz trocar buquês dos olhares mais cuidadosos. Que nos faz querer cultivar jardins, lado a lado. Nesse mistério que faz com que a nossa vida queira um bem tão grande à outra vida, que vai ver que isso já é uma prece e a gente nem desconfia.
Estive pensando nesse mistério lindo que você é para alguém e alguém é para você ou que ainda serão um para o outro. Nessa oportunidade preciosa dos encontros que nos fazem crescer no amor com o tempero bom da ludicidade. Nesse clima de passeio noturno em pracinha de cidade pequena. Nessa paz que convida o coração pra recostar e repousar cansaços. Nesse lume capaz de clarear um quarteirão inteirinho da alma. Nesse abraço com braços que começam dentro da gente. Nessa vontade de deixar o mundo todo pra depois só para saborear cada milímetro do momento embrulhado pra presente.
Estive pensando nesse mistério que não consigo desvendar. Nem tento.