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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

PALAVRAS



Falamos tanto em tomarmos atitudes positivas, pensarmos positivo, agirmos de maneira positiva. Falamos também em dizermos coisas positivas. Só que poucos pensam no poder que têm todas as palavras na nossa vida e nas dos outros.
As palavras têm poder!
E disse Deus: -Haja luz! E houve luz!
Com palavras Ele criou o mundo.
As palavras têm grande poder em tudo o que fazemos. Tudo o que proferimos vai agir em nos, vai influenciar em toda a nossa vida e na daqueles que convivem conosco. Pouco pensamos ao etiquetarmos os outros. Não refletimos a nossa falta de cuidado ao etiquetarmos as pessoas de lerdas, bobas, burras, idiotas, sem jeito, retardadas... e tantas coisas que podem sair da nossa boca. Então pensamos isso são apenas palavras e não aquilo que desejamos para as pessoas.
Mas...
Palavras cortam, ferem, curam, consolam, maldizem, bendizem, abençoam, amaldiçoam, constroem, destroem. E uma vez ditas, não ha como voltar atrás.
Quem diz que morre de saudade, de sede, de fome, de ódio e até de amor, vai morrendo aos pouquinhos de verdade, porque é isso o que disse e as palavras pesam.
Jesus disse à figueira para que secasse e esta secou; disse ao mar que se acalmasse e este se acalmou; disse "-levanta-te e anda" e o deficiente andou... Quanto poder nas palavras do Mestre!!!
A nós foi dado também o poder, mesmo se nossa fé é menorzinha que um grão de mostarda.
Não pensamos muito quando falamos. Quando irados, nem mesmo pensamos. Portanto... quão bom seria refletíssemos antes de dizer um ai.
Falamos por falar, porque todo mundo fala e que é assim mesmo. Mas nos surpreendemos quando as coisas começam a acontecer. Então dizemos que parece até que estávamos adivinhando... ou o clássico: "eu não disse?" Claro, disse sim, adivinhamos sim... nada mais natural que os desejos do nosso coração se realizem.
E possível mudar a consequência dos fatos na nossa vida, mudando nosso modo de expressão. E possível trazer bênçãos e saúde, felicidade para nós, nossos filhos, nossos amigos, nossa família.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

PRIMEIROS PASSOS




Quem se lembra dos seus primeiros passos?
Quem se lembra da ousadia com que avançamos, levantando depois de cada queda?
Quando damos nossos primeiros passos na vida não tememos o cair, o não conseguir. Há em primeiro lugar aquela enorme força interior de fazer como gente grande, nosso instinto animal de imitar. E depois há a confiança. E, um dia, para surpresa da família, saímos andando. No início desequilibrados, vamos de um lado para o outro, mas pouco a pouco ficamos cada vez mais firmes, nosso corpo se acostuma com nosso peso. E um dia corremos. E isso torna-se tão natural que nem pensamos o quanto é importante andar.
Então, novos passos começam. E é interessante notar que quanto mais crescemos, quanto mais ficamos conscientes, mais tememos cair, não conseguir chegar a algum lugar. Assim, o primeiro tudo sempre causa medo, espanto. Primeiro dia de escola, primeiro amor, primeiro beijo, primeiro desencanto... 
O medo nos freia muitas vezes. No princípio, do desconhecido. Por que iniciar algo é quase sempre como entrar numa sala escura. E até acharmos o interruptor, podemos andar e andar... sem saber ao certo aonde.  Depois, o que nos freia pode ser o medo do já vivido, já experimentado. É a velha história do gato escaldado. Não... há pessoas que preferem passar o resto da vida no comodismo do que tentar descobrir algo novo, ou diferente. 
E a vida passa... independente dos nossos passos. 
Às vezes nos surpreendemos pensando por que as coisas acontecem para os outros e não para nós. E simplesmente nos esquecemos que não demos o primeiro passo. É verdade que nem sempre temos pessoas com os braços estendidos nos esperando para nos apoiar, mas tal qual os equilibristas, muitas vezes é necessário abrir os braços para se encontrar o próprio equilíbrio. Além disso, quem disse que não existem braços estendidos para nos apoiar? Eu acredito em Anjos...
O importante é dar o primeiro passo, que seja na carreira profissional ou na vida de todos os dias. Os outros se seguirão, cada vez com mais firmeza. Mas ser confiante não significa não ser vigilante. Porém quando enfrentamos nossos temores percebemos que eles nem sempre têm razão de ser. Nossos "monstros" são bem maiores na nossa imaginação que na realidade. A melhor maneira de enfrentar um grande medo é encará-lo. E isso em qualquer área da nossa vida.
E assim vai a vida... com passos que se seguem, que se sucedem. Se avançamos ou se andamos para trás, vai depender de nós. O importante é não hesitar. 
E partir à descoberta do novo, de novas oportunidades, novas emoções, novo mundo que podemos nós mesmos criar.
E com a sabedoria que recebemos do céu, se damos um primeiro passo, chegaremos certamente a algum lugar.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

OS NÃO DITOS...



As palavras às vezes cortam como uma faca e de maneira irrefletida ferimos os outros, mesmo se os amamos, sem que haja retorno. Conscientes disso é que em muitos dos casos, nos calamos, quando tudo o que pensamos e sentimos nos queima por dentro.
Essas coisas são os não ditos das relações e da vida.
As palavras que não dizemos, mas não enterramos também, estão sempre entre nosso coração e nossa garganta e nos ferem interiormente. São opções que fazemos, seja para não machucar outras pessoas, seja, simplesmente, pela falta de coragem de sermos nós, inteiros e límpidos.
A comunicação é a base de todo relacionamento saudável. Pessoas que se amam, que seja na amizade, no amor ou nas relações familiares, devem estar prontas para serem quem são, para perdoar e receber perdão.
Não nos calaríamos tanto se soubéssemos que o outro nos ouviria com a alma, nos entenderia e continuaria a nos amar, apesar de tudo. Mas as pessoas, por mais maduras que pareçam, nem sempre estão prontas para ouvir as verdades, se essas forem doloridas. Assim são criadas as relações superficiais, onde pensamos tanto e falamos de menos, onde sentimos e sufocamos.
Nos falta um pouco de humildade para aceitar nossa imperfeição, aceitar que o outro possa não gostar de algo em nós e ter o direito de dizê-lo. Nos falta a ousadia de sermos nós, sem essa máscara que nos torna bonitos por fora e doentes por dentro.
A comunicação na boa hora, com as palavras escolhidas e certas, consertaria muitos relacionamentos, sararia muitas almas, tornaria as pessoas mais verdadeiras e mais bonitas.
Sabemos que as pessoas nos amam quando nos conhecem profundamente, intimamente e continuam nos amando. Quando com elas temos a liberdade e coragem de dizer: isso eu sinto, isso eu sou.

domingo, 23 de agosto de 2015

OLHAI OS LÍRIOS DOS CAMPOS



Dar um tempo na vida é tentar colocar a mesma em pausa. É quando nos encontramos numa  encruzilhada e, de repente, não sabemos qual caminho seguir.  É o medo de tomar decisões erradas que nos faz pensar que o melhor seria adiar pra ver depois no que pode dar.
Só que a vida não é um filme que podemos parar um instante pra ir buscar um café e depois voltar e recomeçar de onde paramos. A vida é bem mais séria, bem mais exigente. Ela pede que tomemos decisões; errar é um risco que todos correm. Quem pode afirmar, com cem por cento de certeza, que a decisão que toma é a certa, que tudo vai correr exatamente como se passa dentro da sua cabeça?
O dia de amanhã não conhecemos. E é bem melhor assim. Imagino quanto sofrimento por antecipação haveria no mundo se soubéssemos com certeza absoluta o que vai acontecer. O conhecimento do futuro estragaria nosso presente.
Em 1991 eu tive um caroço no seio. Foi horrível! Descobri à noite e até a manhã seguinte eu não pude dormir. A hipótese de que aquilo era uma coisa benigna e banal nem passou pela minha cabeça. Pensamentos negativos me assombraram a noite toda. Na manhã seguinte, fui ver o meu médico, um clínico geral. Ele examinou e me encaminhou para um especialista. No hospital, marcaram uma consulta para dezoito dias depois. Deus do céu! Dezoito dias depois! E como eu iria viver todos esses dias? Talvez hoje, mais amadurecida, eu pudesse me repousar e me dizer de esperar, ter fé. Mas não naquela época. Milhões de coisas se passaram pela minha cabeça. Eu já me via morta, me perguntava como minha família iria reagir. E filhos? Deus, eu nem tinha tido ainda tempo de ter filhos e já iria partir! Não, eu não poderia esperar ainda dezoito dias para fazer a famosa mamografia. Liguei novamente para o meu médico, que se comunicou com o hospital e eles marcaram o tal exame para o dia seguinte.
Mais uma noite sem dormir e lá estava eu, pronta para os exames. Já no primeiro, o médico disse que parecia algo banal, mas que para ter certeza eles fariam uma biopsia. O tal exame era desagradável. Enquanto faziam uma ultrassonografia do seio, eles enfiaram uma agulha grossa para a retirada do material. Eu olhava atentivamente para o rosto do médico, acho que procurava nele uma expressão qualquer de preocupação. Ele parecia tranquilo, fiquei tranquila também. Ele me explicou que era provavelmente um fibroma, tumor benigno. Estavam fazendo o exame por segurança, mas que eu não deveria me preocupar. Disse que por causa do tamanho talvez fosse melhor retirá-lo, mas que aguardaríamos ainda uns seis meses e refaríamos um exame. Se o caroço estivesse crescendo, teriam que removê-lo por segurança, para que não riscasse de afetar os tecidos laterais.
O resultado chegou e era mesmo o que ele tinha dito. Me tranquilizei. Nem pensei nisso até o próximo exame. Mas no seguinte eu já estava grávida e não poderia fazer a mamografia. Fizemos então um simples exame de ultrassonografia e a senhora que fez já disse imediatamente quando viu que era um fibroma. Ele parecia estável.
Dois anos depois eu já havia aprendido a conviver com aquilo dentro de mim. Sentia um pouco de medo, mas não me apavorava. Minha primeira filha tinha nascido e eu tinha muito o que aprender da vida para tentar ensinar pra ela.
Quando resolvi fazer a mamografia de controle seguinte, fiquei grávida da segunda e não pude. E depois que ela nasceu eu fui. O caroço tinha desaparecido, ninguém sabe como. Ele era grande, tinha alguns centímetros e não estava mais lá, em lugar nenhum. Me lembro que meu médico riu quando eu disse que «il est allé se promener», ele tinha ido passear.
Essa foi uma das minhas experiências. Aprendi que não vale a pena a gente se preocupar com coisas que talvez nunca acontecerão. Eu sei que é bem mais fácil falar que agir, mas é um fato e acho que devemos nos exercitar a colocá-lo em prática.
Agora eu estou passando por um período de divórcio e as coisas não têm sido fáceis. Quando minhas amigas vêm a força com a qual eu encaro a situação ficam surpresas. Dizem que sou corajosa. Corajosa, eu ? Isso me surpreende. Não, não sou corajosa. Deus cuida de mim, é o que digo sempre.