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quarta-feira, 17 de junho de 2015

SERÁ...



Tudo o que é, deixará de ser,
e tudo o que foi, já não importará mais.
Mas tudo o que será, depende de hoje,
da atitude que você vai tomar agora.
Por isso, não se importe com o que tem,
a falta disso ou daquilo te inspire a lutar,
pois na vida tudo é passageiro,
e mesmo a dor mais profunda,
não sobrevive a passagem dos dias,
e o que realmente conta,
são os dias de alegria,
momentos que você quer eternizar.
Portanto, vive em paz,
segue teu caminho conquistando
tesouros para a eternidade,
seja útil, solidário e fiel,
seja amigo, filho amoroso,
ame sem restrições, seja gentil,
e sempre que possível estenda as mãos.
A paz que você tem,
é a paz que você conquista,
é a união da verdade e do amor,
eternos parceiros do bem estar...
Seja você, na simplicidade do dia,
o próprio amor, que é simples,
por ser simplesmente tudo.
Seja o seu amor como rama,
que quanto mais se espalha,
mais cresce e se fortalece,
e ao chegar onde ninguém esperava,
seja a própria felicidade
que diz que o amor é o rio,
e você o barco que o conduz,
e onde você estiver, com amor,
será mais do que és,
serás a própria Luz.
Eu acredito em você.
Autoria de Paulo Roberto Gaefke

www.meuanjo.com.br

terça-feira, 16 de junho de 2015

VETERANOS DE GUERRA



Quando se fala de amor, muitos usam palavras bélicas, como luta, batalha, conflito. Amar pode ser uma guerrilha diária mesmo.
Isso me faz lembrar os desfiles de veteranos de guerra que a gente vê em filmes, homens uniformizados em suas cadeiras de roda apresentando suas medalhas e também suas amputações. Se o amor e a guerra se assemelham, poderíamos imaginar também um desfile de mulheres sobreviventes desse embate no qual poucos conseguem sair ilesos. Não se perde uma perna ou braço, mas muitos perdem o juízo e alguns até a fé.
Depois de uma certa idade, somos todos veteranos de alguma relação amorosa que deixou cicatrizes. Todos. Há inclusive os que trazem marcas imperceptíveis a olho nu, pois não são sobreviventes do que lhes aconteceu, e sim do que não lhes aconteceu: sobreviveram à irrealização de seus sonhos, que é algo que machuca muito mais. São os veteranos da solidão.
Há aqueles que viveram um amor de juventude que terminou cedo demais, seja por pressa, inexperiência ou imaturidade. Casam-se, depois, com outra pessoa, constituem família e são felizes, mas dói uma ausência do passado, aquela pequena batalha perdida.
Há os que amaram uma vez em silêncio, sem se declararem, e trazem dentro do peito essa granada que não foi detonada. Há os que se declararam e foram rejeitados, e a granada estraçalhou tudo por dentro, mesmo que ninguém tenha notado. E há os que viveram amores ardentes, explosivos, computando vitórias e derrotas diárias: saem com talhos na alma, porém mais fortes do que antes.
Há os que preferem não se arriscar: mantém-se na mesma trincheira sem se mover, escondidos da guerra, mas ela os alcança, sorrateira, e lhes apresenta um espelho para que vejam suas rugas e seu olhar opaco, as marcas precoces que surgem nos que, por medo de se ferir, optaram por não viver.
Há os que têm a sorte de um amor tranquilo: foram convocados para serem os enfermeiros do acampamento, os motoristas da tropa, estão ali para servir e não para brigar na linha de frente, e sobrevivem sem nem uma unha quebrada, mas desfilam mesmo assim, vitoriosos, porque foram imprescindíveis ao limpar o sangue dos outros. Há os que sofrem quando a guerra acaba, pois ao menos tinham um ideal, e agora não sabem o que fazer com um futuro de paz.
Há os que se apaixonam por seus inimigos. A esses, o céu e o inferno estão prometidos. E há os que não resistem até o final da história: morrem durante a luta e viram memória. Todos são convocados quando jovens. Mas é no desfile final que se saberá quem conquistou medalhas por bravura e conseguiu, em meio ao caos, às neuras e às mutilações, manter o coração ainda batendo.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

SIMPLESMENTE...



Entre o que desejamos e o que temos,
existe uma barreira, uma distância,
que pede muito mais do que o desejo puro e simples,
exige dedicação e por vezes um certo sofrimento,
paciência e abnegação, um preço para cada conquista,
que nem todos estão dispostos a pagar.
Por isso, há os que vencem,
e há os que nunca alcançam.
Gente que vê a estrada florida,
e outros que permanecem no charco,
há os que encontram, e os que nunca se acham.
Muitos desistem no meio, outros nem começam,
mas os que persistem, vencem a si mesmos,
são os que recolhem pedras com as mãos,
aqueles que não temem a noite escura,
porque não enxergam os problemas,
olham para a frente, para o futuro,
com a lanterna da insistência nas mãos,
e vão passando obstáculos, suando muito,
porque toda vitória é fruto maduro,
da perseverança e da transpiração.
Se o seu sonho te parece impossível,
saiba que a esperança é o estopim,
que acende a dinamite da determinação,
e que todo aquele que crê e persevera,
acaba encontrando mais do que espera,
na curva da vida que os tolos chamam de sorte,
e que os determinados munidos da paciência,
reconhecem de longe, alcançando o sucesso,
chamam sabiamente de "consequência".
Eu acredito em você.
Autoria de Paulo Roberto Gaefke

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sábado, 13 de junho de 2015

CASAMENTO PEGA



Marília contraiu febre amarela. Rosely contraiu estafilococo. Milton contraiu varíola. E Lizete, coitada, contraiu matrimônio.
Um amigo solteiro me perguntou esses dias: é doença? Bem, não está catalogado como tal, mas há aspectos em comum.
Primeiramente, casamento é contagioso. Os pais vão acostumando seus filhos com a ideia e são capazes até mesmo de estimular seu surgimento, como fazem em relação ao sarampo e à catapora: "melhor pegar de uma vez pra ficar livre". Então, entre os 25 e 35 anos, homens e mulheres vão se aproximando, se tocando, se lambendo e se arriscando a encontrar o par ideal para com ele contrair a coisa.
Casamento também leva todo mundo pra cama, invariavelmente. No começo dá calafrios, suores, palpitação, taquicardia, mas depois as pessoas vão se acostumando com os sintomas e eles desaparecem. O enfermo começa a ter menos paciência para ficar deitado. Começa a frequentar mais o sofá, a poltrona e nem se dá o trabalho de tirar o pijama e vestir algum troço decente. Cama passa a ser um lugar apenas para dormir.
O automedicamento é desaconselhado. É prudente ter o nome de um psiquiatra de confiança anotado na caderneta de telefones.
Casamento pode ser fatal. Ao menos era, tempos atrás. As pessoas não tinham muita informação e a doença matava mesmo: matava a paixão, matava o sexo, matava a paciência, uma desgraça. O matrimônio, que é o nome científico dessa enfermidade, podia levar anos pra dar cabo do casal, mas os menos debilitados conseguiam resistir bastante tempo, às vezes até 50 anos, amparados pela fé. Hoje há cura. O remédio chama-se divórcio. Custa uma fortuna e não impede que haja reincidência.