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domingo, 3 de maio de 2015

CAPITÃO DA NAU



Sou eu, sim, sou eu, o compositor da música da minha vida,
o escultor da obra que enfeitará ou empobrecerá o meu destino,
o capitão do navio que atravessa os rios turbulentos da vida,
eu sou o escritor dessa peça, que às vezes é puro drama,
e por vezes, comédia que me faz rir sem querer.
Sou eu, sim, sou eu mesmo,
e não quero transferir para ninguém os resultados dessa direção,
se chover, eu abro o guarda chuva, preparo as velas, coloco a capa,
se o sol estiver muito forte, aproveito para me bronzear,
e se me derem um limão, faço uma limonada.
Nada pode me abater, já passei por muitas tormentas e tempestades,
já ouvi desaforos, engoli sapos e fiquei deprimido,
hoje sei quem sou e onde quero chegar.
Meu destino?
É logo ali, entre a ilha Felicidade e o território da Vitória,
vou passando com meu barco chamado Perseverança,
cruzando o Cabo do Amor, rasgando as dificuldades do vento contrário,
afinal de contas,
hoje sou eu quem dirige o leme, quem decide a rota,
e decidi apontar para o infinito, para o amor que busco,
e nada pode me impedir de chegar no porto do seu coração.
Autoria de Paulo Roberto Gaefke

www.meuanjo.com.br

sábado, 2 de maio de 2015

TODO O RESTO



Certo e errado são convenções que confirmam-se com meia dúzia de atitudes. Certo é ser gentil, respeitar os mais velhos, seguir uma dieta balanceada, dormir oito horas por dia, lembrar dos aniversários, trabalhar, estudar, casar e ter filhos, certo é morrer bem velho e com o dever cumprido. Errado é dar calote, rodar de ano, beber demais, fumar, se drogar, não programar um futuro decente, dar saltos sem rede. Todo mundo de acordo?
Todo mundo teoricamente de acordo, porém a vida não é feita de teorias. E o resto? E tudo aquilo que a gente mal consegue verbalizar, de tão intenso? Desejos, impulsos, fantasias, emoções. Ora, meia dúzia de normas preestabelecidas não dão conta do recado. Impossível enquadrar o que lateja, o que arde, o que grita dentro de nós.
Somos maduros e ao mesmo tempo infantis, por trás do nosso autocontrole há um desespero infernal. Possuímos uma criatividade insuspeita, inventamos músicas, amores e problemas e somos curiosos, queremos espiar pela fechadura do mundo para descobrir o que não nos contaram. Todo o resto.
O amor é certo, o ódio é errado e o resto é uma montanha de outros sentimentos, uma solidão gigantesca, muita confusão, desassossego, saudades cortantes, necessidade de afeto e urgências sexuais que não se adaptam às regras do bom comportamento. Há bilhetes guardados no fundo das gavetas que contariam outra versão da nossa historia, caso viessem a público. Todo o resto é o que nos assombra, as escolhas não feitas, os beijos não dados, as decisões não tomadas, os mandamentos que não obedecemos, ou que obedecemos bem demais – a troco de que fomos tão bonzinhos? Há o certo, o errado e aquilo que nos dá medo, que nos atrai, que nos sufoca, que nos entorpece. O certo é ser magro, bonito, rico e educado. O errado é ser gordo, feio, pobre e analfabeto, e o resto nada tem a ver com estes reducionismos, e nossa fome por ideias novas, e nosso rosto que se transforma com o tempo, e nossas cicatrizes de estimação, nossos erros e desilusões.
Todo o resto é muito vasto. E nossa porra-louquice, nossa ausência de certezas, nossos silêncios inquisidores, a pureza e inocência que nos mantém vivas dentro de nós mas que ninguém percebe, só porque crescemos. A maturidade é um álibi frágil. Seguimos com uma alma de criança que finge saber direitinho tudo o que deve ser feito, mas que no fundo entende muito pouco sobre as engrenagens do mundo. Todo o resto é tudo aquilo que ninguém aplaude e ninguém vaia, porque ninguém vê.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

MÃES HEROÍNAS



Mães heroínas são essas mulheres valentes e extraordinárias que cumprem o papel de mãe e pai ao mesmo tempo.
Educar, principalmente nos dias atuais, onde os conceitos são completamente diferentes daqueles que aprendemos, não é tarefa fácil nem para um casal, onde a carga fica pelo menos dividida. Para uma mãe sozinha é um verdadeiro desafio.
Mães de maneira geral nunca tiram férias. Elas são o que são em tempo integral e com todos os extras possíveis. As mães sós vão além dos extras. Elas precisam pensar por dois, agir por dois, decidir por dois, ser más, quando para um filho ser mau significa receber um não, e ouvir isso do filho com o coração doendo.
Elas precisam ter sabedoria para saber que dar presentes, ceder quando não devem, não substitui a presença de um pai; elas precisam decidir sozinhas e arcar com as responsabilidades das suas escolhas sozinhas. Precisam fazer-se respeitar e guardar o limite mãe-filho-mãe. Precisam ensiná-los que elas têm uma vida independente deles e que deixar-se amar e amar outra pessoa não vai modificar o sentimento delas em relação a eles.
Mães que criam sós seu ou seus filhos são mulheres inteiras, vestidas com a armadura da paciência, resignação, força e coragem. Bem mais que alimentar e vestir, elas precisam preparar seus tesouros para a vida, ensinar a diferença entre bem e o mal, o certo e o errado.
Elas precisam estar sempre disponíveis, sem tréguas, noite e dia, a cada dia do ano.
Essas mães que são sozinhas por escolha ou fatalidade merecem, como todas as outras, carinho e compreensão; elas merecem, como todas as mamães do universo, um pedacinho desse arco-íris que colore a vida e promete que no fim do túnel haverá para elas também essa coroa de flores que chamamos felicidade.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

FELICIDADE É UMA CAIXINHA



Felicidade é uma caixinha pequena que insistimos em guardar escondido para um dia usarmos. Todos os dias acordamos pertinho dessa caixa, mas com nossos sonhos mais loucos vamos guardando a caixinha nos lugares mais altos, cada vez mais longe de nossas mãos.
Algumas pessoas andam com essa caixinha nas mãos diariamente e quando encontram o primeiro obstáculo amassam a caixinha com reclamações e choro de quem nem ao menos tentou lutar. Outras pessoas carregam a caixinha da felicidade na bolsa, usam como arma, na empresa, na escola e na rua com os amigos descarrega a caixinha mostrando seu melhor sorriso, mas quando chegam em casa, na hora do convívio com sua família guardam a caixinha e fecham a cara, o mau-humor é a sua marca registrada em casa.
Existem pessoas que carregam a sua caixinha de felicidade e nem sabem que a possuem, são os verdadeiros amigos, a pessoa amada, filhos, ou o emprego que elas não se cansam de reclamar. Só percebem que possuíam a caixinha da felicidade quando a perdem, quando conseguem afastar todos de sua vida porque passaram o tempo todo correndo atrás do "ouro dos tolos". E tem aqueles que buscam encher a sua caixinha com um monte de tranqueiras numa corrida desesperada para encontrar em algum bem material a sua paz. Essas pessoas colocam na caixinha carros de luxo, apartamentos que nunca vão utilizar por completo, casas e mais casas que nunca vão morar, bebidas caríssimas, roupas que valem 500 cestas básicas, anéis e colares que nem cabem na caixinha. Acabam indo para o "caixão" sem poder levar nada de bom, nada de eterno...
E você?
Onde você guarda a sua caixinha da felicidade?
Ela anda sempre com você, ou você a coloca sempre nos lugares mais distantes? felicidade para você é viver este dia ou somente quando possuir aquela casa, aquele carro, aquela pessoa, aquele filho, aquele..., aquela, isso, aquilo.
Aprenda que a felicidade é uma caixinha, e está onde você quiser levar, use-a diariamente, seja educado, evite reclamações, ouça mais as pessoas, preocupe-se um pouco com o mundo a sua volta, descubra que todos tem problemas e as vezes bem maiores que o seu, esforce- se mais, lute mais um pouco, não desista, não permita que algo ou alguém roube a sua paz.
A felicidade é uma caixinha que você pode levar para onde quiser, se eu fosse você, não a largaria por nada desse mundo.
Pense nisso.
Autoria de Paulo Roberto Gaefke

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quarta-feira, 29 de abril de 2015

TERAPIA DO AMOR




O filme Terapia do Amor conta a história de uma mulher de 37 anos que se envolve com um garotão de 23, e a coisa funciona às maravilhas, é claro, porque um homem e uma mulher a fim um do outro é sempre uma combinação explosiva, não importa a idade. Mas como em todo conto-de-fadas que se preze, há a bruxa, no caso a mãe do guri, que não gosta nadinha da ideia, mesmo sendo uma psicanalista de cabeça feita - aliás, psicanalista da própria nora, descobre ela tarde demais. Deste "triângulo" surgem as tiradas engraçadas (Meryl Streep dando show, como sempre) e também a partezinha do filme que faz pensar.
Pensei. Mas não na questão da diferença de idade, tão comum nas relações atuais. Se antes era natural homens mais velhos se relacionarem com ninfetas, agora as mulheres mais maduras (não existe mulher velha antes dos cem) se relacionam com caras mais jovens e está tudo certo, até porque eles também tiram proveito. A troco de quê gastar energia com uma garotinha cheia de inseguranças? Mais vale uma quarentona que perdeu a chatice natural de toda mulher e se tornou serena, independente, autoconfiante e bem-humorada. São mais relaxadas, garantem o próprio sustento e não perdem tempo fazendo drama à toa. Qual o homem que não vai querer uma mulher assim? Se você acha que este parágrafo foi uma defesa em causa própria e a de todo o mulherio que não tem mais 20 anos, acertou, parabéns, pegue seu prêmio na saída.
Sem brincadeira: o mais interessante do filme, a meu ver, foi mostrar que é difícil viver um relacionamento sabendo que ele vai terminar ali adiante, mas nunca será tempo perdido. Fomos todos criados para o "pra sempre", como se o objetivo de todos os casais ainda fosse o de constituir família. Quando é, convém pensar a longo prazo. Só que hoje muitas pessoas se relacionam sem nenhum outro objetivo que não seja o de estar feliz naquele exato momento, mesmo sabendo que as diferenças de religião, idade, condição social ou ideologia poderão encurtar a história (poderão, não quer dizer que irão). Há cada vez menos iludidos. Poucos são aqueles que atravessam uma vida tendo um único amor, então, vale o que está sendo vivido, o momento presente. "Dar certo" não está mais relacionado ao ponto de chegada, mas ao durante.
A personagem de Meryl Streep, depois de ter todos os chiliques normais de uma mãe que acha que o filhote está perdendo em vez de estar ganhando com a experiência, organiza melhor seus pensamentos e diz, ao final do filme, uma coisa que pode parecer fria para ouvidos mais sensíveis, mas é um convite a cair na real: "Podemos amar, aprender muito com este amor e partir pra outra". O compromisso com a eternidade é opcional e ninguém merece ser chamado de frívolo por não fazer planos de aposentar-se juntos.
Já escrevi sobre isso em outras ocasiões e sempre acham que estou descrevendo o apocalipse. Ao contrário, triste é passar a vida falando mal do casamento - estando casado - e colecionando casos extraconjugais e mentiras dolorosas. Melhor legitimar os amores mais leves, menos fóbicos, comprometidos com os sentimentos e não com as convenções. Estes serão os melhores amores, que poderão, quem sabe, até durar para sempre, o que será uma agradável surpresa, jamais uma condenação.