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quarta-feira, 22 de abril de 2015

VIDAS CERTINHAS



Um dia, não me lembro bem quando,
resolvi que iria levar uma vida certinha,
para que a felicidade, por fim,
viesse ter na minha casa.
Resolvi que não iria mais contar meias verdades,
nem aceitar meias mentiras, e falar a verdade,
doesse a quem doesse, assim,
lavaria minhas mãos de qualquer engano,
estaria livre das maldades das pessoas.
Mas, descobri no dia a dia,
que quanto mais objetivo eu tentava ser,
mais distante ficava das pessoas,
magoei muita gente, perdi amigos.
Descobri que a verdade pura e simples,
pode ferir mais que uma faca afiada,
pode doer mais que uma bofetada.
Descobri que o ser humano precisa de um pouco de ilusão,
encobrir certas verdades com uma camada de sonho,
acreditar no que acredita para seguir adiante,
e, principalmente, aprendi que,
não existem regras para todas as questões
mas questões e dúvidas para todas as regras.
Ser sincero, não significa ferir,
e omitir, nem sempre significa mentir.
Autoria de Paulo Roberto Gaefke

www.meuanjo.com.br

terça-feira, 21 de abril de 2015

OUTRO TIPO DE MULHER NUA...

 
Depois da invenção do photoshop, até a mais insignificante das criaturas vira uma deusa, basta uns retoquezinhos, aqui e ali. Nunca vi tanta mulher nua.
Os sites da internet renovam semanalmente seu estoque de gatas vertiginosas.
O que não falta é candidata para tirar a roupa. Dá uma grana boa.
E o namorado apoia, o pai fica orgulhoso, a mãe acha um acontecimento, as amigas invejam, então pudor pra quê?
Não sei se os homens estão radiantes com esta multiplicação de peitos e bundas. Infelizes não devem estar, mas duvido que algo que se tornou tão banal ainda enfeitice os que têm mais de 14 anos.
Talvez a verdadeira excitação esteja, hoje, em ver uma mulher se despir de verdade... Emocionalmente.
Nudez pode ter um significado diferente e muito mais intenso.
É assistir a uma mulher desabotoar suas fantasias, suas dores, sua história.
É erótico uma mulher que sorri, que chora, que vacila, que fica linda sendo sincera, que fica uma delícia sendo divertida, que deixa qualquer um maluco sendo inteligente.
Uma mulher que diz o que pensa, o que sente e o que pretende, sem meias-verdades, sem esconder seus pequenos defeitos.
Aliás, deveríamos nos orgulhar de nossas falhas, é o que nos torna humanas, e não bonecas de porcelana.
Arrebatador é assistir ao desnudamento de uma mulher em que sempre se poderá confiar, mesmo que vire ex, mesmo que saiba demais.
Pouco tempo atrás, posar nua ainda era uma excentricidade das artistas, lembro que se esperava com ansiedade a revista que traria um ensaio de Dina Sfat, por exemplo - pra citar uma mulher que sempre teve mais o que mostrar além do próprio corpo.
Mas agora não há mais charme nem suspense, estamos na era das mulheres coisificadas, que posam nuas porque consideram um degrau na carreira. Até é. Na maioria das vezes, rumo à decadência. Escadas servem para descer também.
Não é fácil tirar a roupa e ficar pendurada numa banca de jornal, mas, difícil por difícil, também é complicado abrir mão de pudores verbais, expor nossos segredos e insanidades, revelar nosso interior.
Mas é o que devemos continuar fazendo.
Despir nossa alma e mostrar pra valer quem somos, o que trazemos por dentro. Não conheço strip-tease mais sedutor.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

LIÇÕES DA VIDA



Quando pensamos na palavra lição a primeira coisa que nos vem à mente é escola. E acho que temos razão. O que é a vida, senão uma  grande escola onde a gente nunca tira o diploma? Felizmente.
Seria triste chegarmos a um momento onde pudéssemos achar que já sabemos o suficiente, pois isso tiraria nossa motivação para prosseguir. Há pessoas que chegam num ponto onde acham que estão diplomadas, mas tudo o que conseguem é afastar os eternos alunos delas mesmas, pois uma das coisas mais tristes que existem é encontrar alguém que pensa que sabe tudo.  Geralmente quem pensa que sabe tudo, não sabe é nada, ainda não compreendeu nada da vida, que tudo no mundo é um eterno recomeçar.
Assim, alunos eternos, vamos aprendendo que o mundo é um grande rio onde só sobrevive quem se dispõe a nadar, quem não pára no meio do caminho, quem reconhece os próprios erros, não para viver num eterno sentimento de culpa, mas para tentar não cometer as mesmas falhas quando devem enfrentar problemas idênticos, quem se ama o suficiente para não se deixar levar pelo desespero em situações aparentemente sem saída, quem crê fielmente que Deus tudo pode quando, humanos, não encontramos força de poder, quem nunca desiste de um sonho e que tem por grande ambição a felicidade, própria e alheia.
Não há feriados na escola da vida, nem sábados e domingos onde podemos descansar. Existem lições diárias em cada acontecimento, cada fato, mesmo sem importância aos nossos olhos. Mas nem por isso devemos ter a vida como um fardo, ela é um presente, uma dádiva que a maioria das pessoas só valoriza quando chega no fim da caminhada.
Feliz de quem vive cada dia sem se deixar morrer pelo que aconteceu e sem se deixar entristecer por problemas futuros, que nem sempre virão.

domingo, 19 de abril de 2015

AOS QUE ANDAM SÓ



Triste mesmo é ver que uma pessoa não conta
com ninguém a não ser ela própria,
ela tem muitos conhecidos,
é até famosa entre os “amigos”,
mas na hora da dor,
na hora do sofrimento interior,
não tem com quem contar.
Muito se tem falado sobre espiritualidade,
sobre crenças e orações,
nunca se viu tantos templos para o culto ao divino,
Nunca foram tão grandes e luxuosos,
e jamais se vendeu tantos livros que falam
sobre religiões,
mas, o homem continua só,
solitária e desgraçadamente só.
Os hospitais estão cheios de pessoas com
doenças desconhecidas,
aparelhos sofisticados não identificam os
germes espirituais,
sondas não enxergam “sombras”,
dinheiro não cura depressão,
consumismo não alivia o peso da alma vazia...
Nunca precisamos tanto de Deus como agora,
mas os homens continuam buscando o
Messias com a espada,
justiceiro que venha fazer tudo por eles,
que pague suas contas,
que cure suas doenças provocadas pela incoerência,
que apaguem seus vícios, que resolva tudo,
sem esforço.
Jesus continua sendo simples,
e seu recado tão direto,
tão fácil de compreender que continua
sendo incompreendido e ignorado,
porque demanda esforço pessoal,
renúncia aos prazeres mais carnais,
força de vontade para superar os próprios
erros e vícios.
Determinação e resignação diante
de certas dores,
e, sobretudo, ter fé na providência divina,
Que tudo tem seu tempo debaixo do
céu quase sempre azul.
Enquanto podes,
perdoa o teu irmão que está junto contigo,
livra-te do que já sabes que não agrada a Deus,
nem a ti mesmo,
liberta-te dos sentimentos mesquinhos do
querer cada vez mais, e sobretudo,
esforça-te para aprender a amar com qualidade,
Sem distinção, prestando atenção no próximo,
que muitas vezes,
é o que se reflete no teu espelho do
banheiro pela manhã.
E, para terminar esse recado amoroso
ao teu coração,
Tem humildade para orar todos os dias,
Conversar com o teu Criador,
pedindo-lhe paciência,
Esperança e certezas que te fazem tanta falta,
E por fim,
descubra o quanto tu és importante,
Que não estas sozinho,
e que podes contar com a luz,
E essa luz, é claro, é Jesus.
Eu acredito em você.
Autoria de Paulo Roberto Gaefke

www.meuanjo.com.br

sábado, 18 de abril de 2015

ATÉ A RAPA



Olhe para um lugar onde tenha muita gente: uma praia num domingo de 40 graus, uma estação de metrô, a rua principal do centro da cidade. Pois metade deste povaréu sofre de dor-de-cotovelo.
Alguns trazem dores recentes, outros trazem uma dor de estimação, mas o certo é que grande parte desses rostos anônimos têm um amor mal resolvido, uma paixão que não se evaporou completamente, mesmo que já estejam em outra relação.
Por que isso acontece? Eu tenho uma teoria, ainda que eu seja tudo, menos teórica no assunto. Acho que as pessoas não gastam seu amor. Isso mesmo. Os amores que ficam nos assombrando não foram amores consumidos até o fim.
Você sabe, o amor acaba.
É mentira dizer que não. Uns acabam cedo, outros levam 10 ou 20 anos para terminar, talvez até mais. Mas um dia acaba e se transforma em outra coisa: amizade, parceria, parentesco, e essa transição não é dolorida se o amor foi devorado até a rapa.
Dor-de-cotovelo é quando o amor é interrompido antes que se esgote. O amor tem que ser vivenciado. Platonismo funciona em novela, mas na vida real demanda muita energia, sem falar do tempo que ninguém tem para esperar. E tem que ser vivido em sua totalidade. É preciso passar por todas as etapas: atração-paixão-amor-convivência-amizade-tédio-fim.
Como já foi dito, este trajeto do amor pode ser percorrido em algumas semanas ou durar muitos anos, mas é importante que transcorra de ponta a ponta, senão sobra lugar para fantasias, idealizações, enfim, tudo aquilo que nos empaca a vida e nos impede de estar aberto para novos amores.
Se o amor foi interrompido sem ter atingido o fundo do pote, ficamos imaginando as múltiplas possibilidades de continuidade, tudo o que a gente poderia ter dito e não disse, feito e não fez.
Gaste seu amor. Usufrua-o até o fim. Enfrente os bons e os maus momentos, passe por tudo que tiver que passar, não se economize. Sinta todos os sabores que o amor tem, desde o adocicado do início até o amargo do fim, mas não saia da história na metade. Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo, fechando o próprio ciclo.
Isso é que libera a gente para ser feliz de novo.