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segunda-feira, 23 de março de 2015

A VIDA, O BARCO E O MESTRE



Penso que cada vida é um barco, que tem como missão chegar ao melhor porto possível. Durante o nosso percurso, encontramos águas calmas, paisagens lindas, pessoas das mais diversas opiniões, algumas serão nossas amigas, outras não conseguiremos nem olhar nos olhos, e algumas nem deixarão marcas aparentes.
Nessa viagem que nosso barquinho segue mesmo quando não quer, empurrado pela maré que insiste em nos levar rio abaixo, encontramos pedras e obstáculos que por vezes chegam a nos desanimar, pensamos em voltar ou parar por ali mesmo, fincando âncora sem querer lutar, mas o rio precisa desaguar no mar, e nosso barco precisa lá chegar, então o vento amigo nos impulsiona e seguimos viagem.
Quando chegamos ao mar, pensamos que tudo está resolvido, como aqueles que realizam um sonho e se acomodam, mas logo as ondas da tempestade vem sacudir-nos, fazendo com que a luta pela vida recomece. Lutamos, suamos, choramos, perseguimos a calmaria, até que um dia a chuva cessa, os ventos se acalmam e as ondas deixam de querer nos engolir e a vida recomeça...
Assim é a vida, assim é o nosso barco, que ensina-nos que precisamos de outros braços, que é melhor seguirmos viagem juntos com outros barcos, por isso, buscamos nossa alma gêmea, temos filhos, cultivamos amigos, somos solidários até na maior miséria. Tudo porque na verdade, estamos todos em um grande barco, que carrega todos os barquinhos, onde cada um precisa remar junto, em um único movimento, para que todos possam alcançar esse porto tão sonhado, chamado felicidade.
O Cristo que habita em mim, te saúda e pede licença para fazer morada em seu coração. Deixa Ele entrar e remar com você no seu barco chamado vida...
Eu acredito em você.
Autoria de Paulo Roberto Gaefke

www.meuanjo.com.br

domingo, 22 de março de 2015

QUANTO VALE UM SIM



Você consegue um bom emprego na hora que bem entender?
Você descola um amor do dia para a noite?
Se entrar num banco, sai de lá com um empréstimo sem burocracia?
Se você respondeu sim para todas estas perguntas, parabéns. E fique atento para o horário de partida do seu disco voador, pois a qualquer momento você terá que voltar para o seu planeta.
Entre nós, terrestres, o sim é uma resposta rara. Na maioria das vezes, não há vagas, não querem editar nossos poemas, não temos fiador, a garota não quer ouvir uns discos na sua casa, o garoto não quer usar camisinha e o guarda de trânsito não foi com sua cara e vai multá-lo, sim senhor. Não está fácil pra ninguém.
Ao contrário do que possa parecer, esta não é uma visão pessimista da vida. As coisas são assim, dão certo e dão errado.
Pessimismo é acreditar que ouvir um não seja uma barreira para realizar nossos planos.
Tem gente que fica paralisado diante de um não. Nunca mais vai à luta.
Já o otimista resmunga um pouco e em seguida respira fundo e segue em frente.
Quando eu tinha 17 anos, mandei uns versos para um concurso de poesia. Não ganhei nem menção honrosa. Daí entreguei meus versos para o Mário Quintana avaliar. Ele não respondeu.
Neste meio tempo eu estava apaixonada por um cara que ignorava a minha existência. Quando eu não estava pensando nele, fazia planos de morar sozinha, mas o meu estágio não era remunerado. Aí quis viajar para a Europa, mas não consegui entrar num programa de intercâmbio.
Surpreendentemente, não passou pela cabeça a ideia de me atirar embaixo de um caminhão.
Hoje tenho nove livros publicados (cinco deles de poesia), sou casada com o homem que amo, tenho a profissão dos sonhos e viajo uma vez por ano, e tudo isso sem ganhar na mega sena, sem cirurgia plástica, sem pistolão ou pacto com o demônio.
O segredo: cada não que eu recebi na vida entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Não os colecionei. Não foram sobrevalorizados.
Esperei, sem pressa, a hora do sim. O não é tão frequente que chega a ser banal. O não é inútil, serve só para fragilizar nossa autoestima. Já o sim é transformador.
O sim muda a sua vida. Sim, aceito casar com você. Sim, você foi selecionado. Sim, vamos patrocinar sua peça.
Quando não há o que detenha você, as coisas começam a acontecer, sim.

sexta-feira, 20 de março de 2015

ESPELHOS DA ALMA



Como expectadores da vida alheia, julgamos diariamente os gestos e atitudes do nosso próximo. Quem diz que nunca julga, não é honesto consigo mesmo. Quando fazemos um comentário, qualquer que seja, estamos julgando. Cada vez que exprimimos uma opinião pessoal sobre alguma coisa, fato ou alguém, estabelecemos um julgamento, justo ou injusto. E quando somos nós o centro da plateia, pedimos clemência, tolerância, imploramos interiormente para que se coloquem no nosso lugar e tentem entender nossas ações ou reações.
Colocar-se no lugar do outro para entendê-lo, seria entrar no seu coração e alma, sentir suas emoções, vestir sua pele. Impossível. Cada um de nós é único e mesmo aquelas pessoas que mais amamos não nos transferem suas dores tais e quais. Sentimos sim, quando sofrem, mas por nós, porque nossa própria alma se entristece.
Deveríamos, todos, possuir um espelho da alma, para que pudéssemos nos olhar interiormente antes de julgarmos outras pessoas. Sentiríamos, provavelmente, vergonha dos nossos pensamentos. Por que nosso próximo é tão exposto às imperfeições, falhas, pecados, más ou boas decisões, quanto nós. Se houvesse uma câmera capaz de revelar aos outros nossos pensamentos diários, iríamos estar sempre fugindo dela. Por quê? Porque ante a possibilidade de que seja revelado nosso eu, seríamos muito mais honestos conosco. Isso nos tornaria, talvez, mais tolerantes e mais humildes.
Quando alguém sofre porque está atravessando por um caminho pedregoso, dói nessa pessoa não somente a passagem por esse caminho, mas também o olhar dos outros, que condenam sem piedade, as línguas que ferem mais profundamente que facas e punhais.
As pessoas que esquecem facilmente que tiveram um passado que, mesmo se correto, nunca foi um lago de água transparente, porque puras, só as criancinhas. E ninguém pode dizer o que virá amanhã, se houver amanhã.
Ninguém está ao abrigo das chuvas repentinas da vida, das torrentes que podem levar tudo, dos males que podem atingir o corpo, às vezes a mente. Apenas um minuto e tudo pode se transformar.
Então... melhor exercer a tolerância, a bondade, a compaixão, antes de julgarmos se outros estão certos ou errados, se têm ou não razão.
E quando a tentação for grande de olhar o que se passa com outros, bom mesmo é se lembrar do espelho que deveria retratar nossa imagem interior que pediria, certamente, compreensão.
E como não sabemos o que o amanhã nos reserva, vivamos o dia de hoje com sabedoria, coração amoroso para com o próximo e olhar voltado para o Alto.

quarta-feira, 18 de março de 2015

QUEIME SEUS NAVIOS...



Dizem que quando Fernando Cortez, chegou ao México em 1519, disse aos soldados da sua esquadra:
-Reembarque para Cuba todo o homem medroso!
Todos ficaram em silêncio e ninguém respondeu ou embarcou para voltar. Então, para reforçar sua atitude vencedora, Cortez mandou queimar os navios, assim não haveria mais como voltar enquanto não conquistassem aquele lugar.
Nesse gesto que parece extremado, Cortez deixou bem claro para todo mundo o que ele queria, disse para a vida e para todos os que o acompanhavam que ele estava ali para vencer, conquistar e não iria deixar que nenhuma conquista anterior ou bem material o prendesse, e assim foi: queimaram os navios ali mesmo, assim, não havia mais como voltar atrás...
A vida tem apresentado muitas oportunidades para todos nós diariamente, e muitos tem se apegado as suas pequenas conquistas, aos "arrimos" conquistados e desistem antes mesmo de começar uma nova luta. Por estarem com os "navios" bem pertinho fogem com medo de começar algo novo, com respeito demais pelo medo perdem oportunidade de conquistar "coisas novas" além dos pequenos sonhos.
E você, - já queimou os seus navios?
Já se decidiu pela conquista, pelos seus sonhos, pela felicidade que às vezes te parece tão longe, tão distante, e que na verdade estão apenas esperando um "bom combate".
Não tenha medo, não fuja, a montanha só parece alta demais porque você ainda não começou a escalada, depois de caminhar os primeiros passos ela te parecerá cada vez menor, e quando chegar lá no topo, poderá avistar a beleza do mundo, sem medo de ser feliz...
Queime seus navios, antes que o medo te paralise e te faça aceitar mais uma vez o pouco que te parece muito.
(Nota: A chegada de Cortés ao México em 1519 coincidiu com a data precisa do calendário Maia que indicava a chegada de Quetzalcoatl para reclamar a cidade de Tenochtitlan.)
Autoria de Paulo Roberto Gaefke

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