"E se não quisermos, não pudermos, não soubermos,
com palavras, nos dizer um pouco um para o outro, senta ao meu lado assim mesmo. Deixa os
nossos olhos se encontrarem vez ou outra até nascer aquele sorriso bom que acontece
quando a vida da gente se sente olhada com amor. Senta apenas ao meu lado e
deixa o meu silêncio conversar com o seu. Às vezes, a gente nem precisa mesmo
de palavras".
A força que você tem dentro de si é fonte geradora de energia, de vida e de amor. Para ela não existe tarefa impossível. Renove a cada dia a força interior e agradeça a Deus por esse dom que lhe dá infinita paz e capacidade de superar qualquer obstáculo.
sábado, 17 de janeiro de 2015
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
A COMPLICADA ARTE DE VER
Ela entrou, deitou-se no divã e disse: ‘Acho que estou ficando louca’. Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura.
‘Um dos
meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os
pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para
fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem
surpresas.
Mas,
cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia
visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo
neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral
gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de
arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates,
os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto.’
Ela se
calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e
de lá retirei as ‘Odes Elementales’, de Pablo Neruda. Procurei a ‘Ode à Cebola’
e lhe disse: ‘Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas.
Veja o que
Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: ‘Rosa de água
com escamas de cristal’.
Não, você
não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver’.
Ver é
muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos
sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica
à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido
do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.
William
Blake sabia disso e afirmou: ‘A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que
o tolo vê’.
Sei disso
por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés
diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que
vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de
sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura.
Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.
Adélia
Prado disse: ‘Deus de vez em quando me tira a poesia Olho para uma pedra e vejo
uma pedra’. Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu
virou poema.
Há muitas
pessoas de visão perfeita que nada veem.
‘Não é
bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela
para ver os campos e os rios’, escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando
Pessoa.
O ato de
ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou
que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e
toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada ’satori’, a
abertura do ‘terceiro olho’.
Não
sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: ‘Agora
os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se
abriram’.
Há
um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na
companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no
subitamente: ao partir do pão, ’seus olhos se abriram’.
Vinicius
de Moraes adota o mesmo mote em ‘Operário em Construção’:
‘De
forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma
súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa - garrafa, prato,
facão - era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em
construção’.
A
diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão
na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função
prática.
Com
eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação.
O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não
gozam...
Mas,
quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de
prazer: brincam com o que veem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor
com o mundo.
Os
olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que
moram na caixa dos brinquedos, das crianças.
Para
ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras.
Alberto
Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo
fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: ‘A mim, ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha
devagar para elas’.
Por
isso - porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver - eu
gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que
nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem
nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro.
Sua missão seria partejar ‘olhos vagabundos’...
O texto acima foi extraído da seção ‘Sinapse’, do jornal ‘Folha de S.Paulo’,
versão on line, publicado em 26/10/2004.
Autoria:
Rubem Alves
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
DESESPERANÇA
Quando o homem alcança o
estado de desesperança, ele age por desespero. Como a própria palavra diz
"desesperar" é deixar de esperar, é chegar ao limite ou fim de alguma
coisa.
Agir por desespero é
tomar atitudes que, se pensadas, jamais se tomaria. É se deixar levar por
emoções que acabam comandando nossas ações. Há pessoas que desesperam-se
facilmente, são mais frágeis e vivem uma vida de inquietudes.
Mas a ação por desespero
pode ser mais complicada, porque nunca vem sem consequências.
Age-se por desespero
quando a esperança acaba e nada mais resta. Então procura-se outras
alternativas para que a dor desse fim diminua. Uns tentam mesmo acabar com a
vida, nem sempre como desejo de acabar, mas muitas vezes como um grito de
socorro. Quase sempre as pessoas não querem morrer, querem simplesmente chamar
a atenção para elas e sua infelicidade.
Há os que casam-se por
desespero, medo de que a dor da solidão seja pior que ficar com quem não se
ama; ou para sair de casa, para ter mais liberdade... que engano! trocam
frequentemente uma prisão por outra ainda pior e mais difícil de sair e solidão
quando se está ao lado de alguém é tão dolorida e verdadeira quanto a de se
estar sozinha... pior até, pois tendemos a culpar sempre a pessoa que está do
lado.
Age em desespero também o
que se acomoda a uma vida infeliz. Este tipo de ação é passivo, mas se bem
refletido é uma decisão, então, ato.
Age por desespero somente
aquele que já não vê o horizonte, que não consegue dar um passo sozinho e não
conhece ou não confia na Palavra de Deus.
Quem age por desespero
porque acha que já não há mais escolhas, deve saber que sempre há escolhas. Nós
fazemos nossa vida, embora os minutos e as horas nos atropelem. Mas somos nós
que construímos, ou destruímos, dependendo do caminho escolhido.
Somos nós os artistas da
nossa vida e se optamos pelo vermelho, amarelo ou cinza só nós somos
responsáveis.
E quando dentro de você a
desesperança se mostrar inevitável, encare-a de frente! Se ainda te resta um
sopro de emoção dentro do peito e uma ansiedade de viver a vida e ser feliz, é
que no seu interior ainda vive a fé, a esperança e o amor. Dê a mão a esses
três aliados e segure bem forte!... Mesmo se você não percebe, os braços do
Deus Pai estão em volta de você. Tenho certeza que uma nova tela branca vai
aparecer na sua frente e os pincéis e variadas cores para que você possa se dar
uma nova chance.
E bem lá no alto os anjos
estarão em festa, porque uma esperança perdida se reconciliou com a vida.
Autoria:
Letícia Thompson
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
PORQUE SOFREMOS
Sofremos pelo que
não temos, e muitas vezes,
pelo que
acreditamos que era nosso,
e na verdade, nunca
foi.
Sofremos, pela
incerteza do amanhã
que não nos
pertence,
mas que tentamos
controlar.
Sofremos pelas
amizades e afinidades
que tentamos
dominar, possuir sem medidas,
e que se afastam de
nós.
Sofremos pela
doença que podemos ter,
pela gripe que pode
virar bronquite,
e nos abatemos.
Sofremos pelo medo
do imponderável,
pelo que não
podemos medir,
pelo que não vemos,
mas as vezes, podemos ouvir,
e nos trancamos.
Sofremos pelas
nossas faltas,
e nos abatemos com
as dificuldades que criamos,
e estagnamos.
Por isso,
as notas que não
tiramos, as provas que não passamos,
os amores que não
vivemos, o abraço que perdemos,
os cadernos
amarelados, os cheiros da infância,
a velha chupeta
guardada ou perdida,
são doces
lembranças, mas até nelas, sofremos.
Sofremos, porque
não queremos nada simples,
nem simplesmente
viver,
em simplesmente
amar.
Temos medo de nos
entregarmos
definitivamente ao
amor,
medo de sofrer uma
dor maior,
por isso, sofremos,
até pelo que não
sabemos.
E, hoje,
sabendo que o
sofrer é uma antecipação da dor que nem sempre viveremos,
vou procurar
conquistar aquilo que realmente me cabe,
e se a dor me
visitar, vai me encontrar mais forte,
porque tenho a
exata medida de tudo o que já passei,
e sou o fruto
maduro dessa árvore chamada, vida.
Autoria de Paulo
Roberto Gaefke
www.meuanjo.com.br
Autoria:
Paulo Roberto Gaefke
Assinar:
Postagens (Atom)



