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domingo, 3 de agosto de 2014

MENSAGEM DAS ROSAS




A vida sempre oferece duas opções,
se não há uma segunda porta,
pode apostar que existe uma janela,
ou um telhado que se possa abrir.
Por isso, você pode contemplar uma rosa,
sentir seu perfume inigualável,
perder-se com a beleza das cores,
e deixar-se levar pela magia das flores.
Ou sentir o espinho e reclamar da dor,
lamentar as folhas arrancadas.
Pode chorar por não ter recebido mais rosas,
ou ainda hoje, oferecer uma para alguém...
Você pode olhar o mar e se encantar,
sentir a água salgada refrescar a pele,
a força das ondas limpar as energias,
deliciar-se com o alimento que vem do mar
que pode ainda hoje, saciar a sua fome.
Ou pode lembrar da Tsunami que matou milhares,
das tempestades que afundam navios,
dos que morreram afogados...
Diante do Sol pode se aquecer,
lembrar que a vida não existe sem ele,
passear sem compromisso, tomar um sorvete,
ou olhar a terra seca, pensar no deserto,
chorar diante da semente que morreu,
lamentar o fruto que não floresceu.
Assim é a sua vida,
cheia de motivos para comemorar,
a saúde que não ligamos, até cairmos doentes,
a paz que temos, até que alguém nos rouba,
o amor que nos une, até que nos separamos,
a família que nos liga, até que nos distanciamos,
a humildade que queremos ter, até que o orgulho nos cegue,
o emprego que nos sustenta, até que o demissão nos atinge.
Mesmo diante da noite mais escura,
podemos acender um mísero fósforo e iluminar a rua.
Diante da dor mais profunda,
podemos confortar com um gesto, uma palavra.
Perto do fim, podemos encontrar o nosso começo,
e onde tudo parecer impossível,
nos resta o encontro divino com a fé,
onde Deus, que habita em nós, responde,
Filho, Eu estou aqui,
Eu sou o Amor.
Duas escolhas, sempre,
que o amor seja sempre a sua primeira escolha.
Autoria de Paulo Roberto Gaefke

www.meuanjo.com.br

sábado, 2 de agosto de 2014

QUANDO A PALAVRA É DESISTIR...



Existe um momento na vida de cada pessoa que o "e si?" chega e tormenta a mente. E se eu não fiz a boa escolha? E se o caminho era outro? E se depois de todo esse tempo eu tivesse que voltar atrás? E se meus sonhos tomassem outra direção, outras formas e me conduzisse a outros lugares? E se eu parasse tudo o que fosse possível e recomeçasse?
Temos em nós o sentimento de que quando desistimos de um caminho tomado é como se tivéssemos que reconhecer abertamente nosso erro, nossa má decisão, nossa fraqueza como ser humano que não soube ter o discernimento de fazer as escolhas certas na hora certa.
E o que dói mais não é o querer recomeçar, pois se muitos pudessem ou tivessem coragem bastante, recomeçariam sem hesitação. O que dói é o sentimento de ter perdido uma batalha pela qual tínhamos nos empenhado, é a sensação do desistir que nos dá o sentimento de fraqueza, sobretudo quando ouvimos tanto e tanto que nunca devemos desistir.
Mas devemos desistir sim, se a situação pede ou mesmo exige de nós uma atitude. Continuar num caminho que sabemos íngreme só para dar aos outros a ideia de que somos infalíveis é criar em volta de nós uma imagem hipócrita, pois mostramos ao mundo o que ele quer ver e sepultamos nossos sentimentos.
E ninguém vê quando choramos escondido, ninguém conhece a dor e o sentimento de escuridão que atravessa nosso espírito nos momentos em que nos encontramos com nós mesmos, ninguém sabe por nós o que é morrer devagarinho dentro de si porque depois de alguns passos nos agarramos ao feito e consideramos as nuvens como absolutamente inacessíveis. Ninguém sabe por nós, não...
Há sonhos que estão longínquos demais e outros bem mais ao alcance das nossas mãos. Não faz parte da sabedoria abraçar o que está próximo e tirar o néctar das flores que nos oferecem da maneira mais sutil possível?
Se não pudéssemos mudar de ideia, de opinião, de caminho, Jesus nunca teria vindo na terra. Se veio, foi para que soubéssemos que podemos desistir de ideias pré concebidas, de decisões anteriormente tomadas como boas, de caminhos que só nos conduzirão à perda do nosso eu e à diminuição da nossa personalidade.
Desistir de algo que se almejou e se lutou para ter não é dar um passo atrás. Se não estamos satisfeitos, o melhor é avançar e se isso significa dar um passo atrás, devemos dar esse passo sim!
Só podemos fazer os outros felizes se nos sentimos felizes. Ninguém fala da beleza da lua e das flores se essa beleza não tiver atingido seu coração, se não estiver impregnada na sua alma.
Quem canta, canta porque a alma canta e canta até sem perceber. Dar felicidade é possuir felicidade, dar conhecimento é possuir conhecimento, dar segurança é possuir segurança.
O legado que devemos deixar aos nossos filhos não é o de uma pessoa infalível e perfeita, mas de uma pessoa que soube extrair do âmago da vida e dos seus ensinamentos aquilo que esta lhe ofereceu.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

MODO DE USAR-SE




"Coitada, foi usada por aquele cafajeste". Ouvi essa frase na beira da praia, num papo que rolava no guarda-sol ao lado. Pelo visto a coitada em questão financiou algum malandro, ou serviu de degrau para um alpinista social, sei lá, só sei que ela havia sido usada no pior sentido, deu pra perceber pelo tom do comentário. Mas não fiquei com pena da coitada, seja ela quem for.
Não costumo ir atrás desta história de "foi usada". No que se refere a adultos, todo mundo sabe mais ou menos onde está se metendo, ninguém é totalmente inocente. Se nos usam, algum consentimento a gente deu, mesmo sem ter assinado procuração. E se estamos assim tão desfrutáveis para o uso alheio, seguramente é porque estamos nos usando pouco.
Se for este o caso, seguem sugestões para usar a si mesmo: comer, beber, dormir e transar, nossas quatro necessidades básicas, sempre com segurança, mas também sem esquecer que estamos aqui para nos divertir. Usar-se nada mais é do que reconhecer a si próprio como uma fonte de prazer.
Dançar sem medo de pagar mico, dizer o que pensa mesmo que isso contrarie as verdades estabelecidas, rir sem inibição – dane-se se aparecer a gengiva. Mas cuide da sua gengiva, cuide dos dentes, não se negligencie. Use seu médico, seu dentista, sua saúde.
Use-se para progredir na vida. Alguma coisa você já deve ter aprendido até aqui. Encoste-se na sua própria experiência e intuição, honre sua história de vida, seu currículo, e se ele não for tão atraente, incremente-o. Use sua voz: marque entrevistas.
Use sua simpatia: convença os outros. Use seus neurônios: pra todo o resto.
E este coração acomodado aí no peito? Use-o, ora bolas. Não fique protegendo-se de frustrações só porque seu grande amor da adolescência não deu certo. Ou porque seu casamento até-que-a-morte-os-separe durou "apenas" 13 anos. Não enviuve de si mesmo, ninguém morreu.
Use-se para conseguir uma passagem para a Patagônia, use-se para fazer amigos, use-se para evoluir. Use seus olhos para ler, chorar, reter cenas vistas e vividas – a memória e a emoção vêm muito do olho. Use os ouvidos para escutar boa música, estímulos e o silêncio mais completo. Use as pernas para pedalar, escalar, levantar da cama, ir aonde quiser. Seus dedos para pedir carona, escrever poemas, apontar distâncias. Sua boca pra sorrir, sua barriga para gerar filhos, seus seios para amamentar, seus braços para trabalhar, sua alma para preencher-se, seu cérebro para não morrer em vida.
Use-se. Se você não fizer, algum engraçadinho o fará. E você virará assunto de beira de praia.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

VONTADE DE VIVER




Nascemos independente da nossa vontade. Mas a vida é um encanto. E nos encanta.
Os primeiros risos, as primeiras flores, os primeiros amanheceres, os primeiros anos... as primeiras descobertas. Vamos desbravando a vida e enfrentando o desconhecido maravilhados.
Então vêm os primeiros nãos. As primeiras quedas, as primeiras decepções, as primeiras lágrimas que não nos impedem, nem por isso, de ir em frente.
Mas um dia o desconhecido, o inexplicável, pode tirar nossa vontade de viver. As perdas, as grandes, aquelas sem volta que, por mais alto e forte que gritemos, fazem-se de surdas. E a vida perde seu sentido...
Os amanheceres e entardeceres tornam-se uma e a mesma coisa: enfado. Nos recusamos a ver a luz do dia, o sol que brilha, a vida que palpita, os pássaros que cantam e as flores que, teimosas, continuam se abrindo em total indiferença à nossa dor.
E é preciso, nesse momento onde queremos parar mas que a vida não pára, é preciso reaprender a viver.
Não aceitamos nossas perdas irreparáveis e absurdas, mas precisamos aprender a viver com elas e apesar delas. E ver a vida com outros olhos. Talvez, reconhecer de vez nossa pequenez diante do desconhecido. E reviver. A pequenos passos, tímidos, lentos, tal qual criança que ainda não viu nada, mas com a sabedoria dos velhos que já sabem que a vida é um poço de mistérios.
E vamos assim, não importa nossa idade, desbravando novamente a vida. Vamos sorrir novamente. Ver a luz do dia, olhar nos olhos dos que ficaram e que estiveram do nosso lado mesmo quando estivemos temporariamente cegos a tudo o mais. Ver as flores, que nunca desistiram de viver e experimentar o dia a dia, novos gostos dessa nova vida que se oferece a nós.
Tudo pode ter um fim. Mas todo fim pode ser o início de um recomeço. E a vida continua linda. E Deus sabe do que precisamos para nos pôr de pé e Ele nos guia, se nos abandonamos a Ele nessa nova chance de recomeçar.