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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O CONSOLADOR




Quando repenso em meu passado, percebo que nos momentos mais críticos da minha vida nunca estive sozinha.
Como todo mundo, num momento ou outro da existência, passei por dificuldades. Há pessoas que, por razões que desconheço, penam mais que outras. E aconteceu comigo de ter momentos onde eu não tinha mais forças nas pernas para caminhar. Não era sofrimento físico, era moral, onde eu não podia olhar pra frente de tanto os olhos viviam cheios de lágrimas.
Nessas horas eu falava ainda mais forte com Deus. Nessas horas eu dizia: "me leva porque já não sei mais ir sozinha." E nessas horas sempre houve um amigo por perto. Muitas vezes simplesmente do outro lado do telefone. Isso me tornava mais forte.
E só mesmo agora repensando nisso é que compreendo o que Jesus disse: "vou para o Pai, mas enviarei um Consolador". Enquanto esteve pessoalmente na terra, Jesus cuidou das pessoas. Mas, indo, não nos abandonou.
Esse Consolador é o que vem quando nos sentimos frágeis e move o coração das pessoas que nos amam verdadeiramente para que essas estejam do nosso lado nos ajudando a nos levantar.
Só mesmo Deus pode dar consolo, só mesmo Ele pode mostrar saídas onde só vemos muros, só mesmo Ele pode restaurar nossas vidas quebradas. E os amigos de verdade são os missionários que Deus envia. Muitos nem sabem disso, ajudam sem questionamentos, porque isso é natural na amizade. Mas a amizade é mais que algo simples e natural, amizade é algo Divino, tem as Mãos de Deus, tem perfume de Deus, tem manifestação de Deus.
As dificuldades e sofrimentos chegam muitas vezes na nossa vida para modificar nosso caminho e nos tornar pessoas melhores. Como o ouro e o cristal, somos moldados através do fogo.  A custo de sofrimentos e lágrimas, vamos aprendendo a lutar até que um dia olhamos pra trás e a pessoa que existia em nós parecia uma outra.
Uma pessoa que vence na vida não é porque teve sempre tudo muito fácil e de mão beijada, mas alguém que conseguiu superar os obstáculos que encontrou pelo caminho. E ninguém é grande e forte o bastante para conseguir isso sozinho, mesmo se a força interior, a vontade de conseguir colabora em grande porcentagem. Quem vence é porque teve mais que duas mãos para alcançar as coisas e mais que duas pernas para caminhar. Quem vence é porque tem Deus atuando através dos amigos que Ele envia...

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O PROBLEMA




Eu estava triste, o coração apertadinho, o tempo chuvoso no rosto. O pensamento andando em círculos em torno de um único ponto. Na berlinda, um daqueles problemas que a gente precisa resolver, mas não tem a mínima ideia de como. Daquele tipo espaçoso, metido à besta, que diz ser maior do que nós e a gente quase acredita. Todo mundo se depara com um mentiroso desses, de vez em quando. Eles não são seletivos, batem em tudo o que é porta. Astutos, encontram um jeito para entrar mesmo quando tentamos impedir. Alguns nem são novos como o impacto do desconforto faz parecer. Reaparecem, de tempos em tempos, com novidades da versão atualizada do seu programa. Novidades que, às vezes, tornam um pouco mais complicado o que já era difícil.
Eu estava lá há um tempão, olhando para o dito cujo, assustada como um passarinho que se flagra num alçapão. Não conseguia ver um fiapo que fosse de outra coisa qualquer além dele. Problema espaçoso, metido à besta, é assim: se a gente lhe der muita confiança, ele monopoliza o tempo do nosso olhar sem nenhum constrangimento. Mas, de repente, eu cansei do cativeiro. Da tristeza. Do aperto. Da chuva no rosto. Por algum lampejo de lucidez, percebi que nada daquilo me ajudaria a solucioná-lo naquele momento, embora fosse o que eu mais quisesse. Só se o gênio da lâmpada aparecesse ali e me concedesse um pedido, mas como a lâmpada mais próxima ficava no lustre, desconfiei não poder contar com aquela alternativa. Foi aí que peguei meu violão.
Comecei a tocar meio desanimada, cantarolando uma música aqui, outra ali, a voz ainda atrapalhada pelos respingos da tristeza, mas sem me importar com o detalhe de não saber tocar nem cantar de verdade. Depois de alguns minutos, envolvida com a brincadeira, eu já não sentia tão intensamente o peso do tal problema, aquele que eu não poderia resolver de uma hora pra outra. Não demorou para que o meu coração ficasse mais solto e o tempo chuvoso me desse uma trégua. Não foi mágica, apenas uma mudança consciente de foco. Troquei de canal para levar minha vida pra passear um pouco. Para soprar algumas nuvens. Para respirar melhor. Ao permitir que o pensamento se dissipasse, abri espaço para mudar meu sentimento. O problema continuava no mesmo lugar; eu, não. Nós nos encontraríamos outras tantas vezes até que eu pudesse solucioná-lo, mas eu não precisava ficar morando com ele enquanto isso.
Os pensamentos preparam armadilhas pra gente. Ao cairmos nelas, nos enredamos de tal maneira que esquecemos ser capazes de sair de lá. A vastidão da nossa alma fica reduzida a um cubículo, como se não tivesse espaço suficiente para abrigar uma variedade de sentimentos. Passamos a nos comportar como se tivéssemos apenas um lápis de cor e não a caixa inteira. Nós nos apegamos a alguns pensamentos e lhes conferimos exclusividade. Nós lhes damos o cetro e a coroa e afirmamos o seu poder sobre as nossas emoções. Ficamos presos neles, feito passarinho quando cai no alçapão. A diferença é que, por mais que tente, ele não pode sair de lá sozinho, ao contrário de nós. Passarinho tem asas do lado de fora. A gente, do lado de dentro.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

PEDRAS




As dificuldades de qualquer natureza são sempre pedras simbólicas, asfixiando-nos as melhores esperanças do dia, do ideal, do trabalho ou do destino, que recebemos na glória do tempo. É necessário saber tratá-las com prudência, serenidade e sabedoria.
Há diversos modos de considerar os obstáculos, removendo-os ou aproveitando-os.
O preguiçoso recebe os calhaus da luta e estende-se no caminho, sucumbindo ao seu peso. É o espírito desanimado, indolente e enfermiço.
O desesperado, em se sentindo sob os granizos da sorte, confia-se à intemperança mental e atira-os ao viandante inocente ou à porta de companheiros inofensivos. É o espírito indisciplinado, renitente e impulsivo, que sabe apenas ferir o próximo ou denegri-lo com atitudes impensadas ou levianas.
O homem inteligente, todavia, recebe as pedras da experiência e, ainda mesmo sangrando as mãos ou o coração, recolhe-as, cuidadoso, valendo-se delas para a confecção de utilidades ou para a construção de edifícios consagrados ao agasalho, ao reconforto ou à benemerência, em favor dele mesmo, e de quantos o acompanham na marcha evolutiva.
Ninguém passará ileso nos caminhos do mundo. As pedras da incompreensão e da dor, no ambiente comum da existência carnal, chovem sobre todos.
Do entendimento e da conduta de cada um dependerão a felicidade ou o infortúnio, na laboriosa ramagem terrestre.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

PAZ




Paz é um estado conquistado a partir do bom uso que fazemos do livre arbítrio e, especialmente, pela quantidade e qualidade de amor que conseguimos manifestar por nós mesmos.
Temos uma tendência natural de buscar, no mundo e nas pessoas, sentimentos que não nos damos.
Tudo é o outro, tudo está fora, porque temos que ser aceitos, porque temos que ser aprovados, porque os outros precisam reconhecer nossos méritos e qualidades.
E o que ocorre? Desilusões! Os outros nunca poderão nos dar na medida do que precisamos ou desejamos, porque apesar de sermos semelhantes perante a criação, somos individualidades.
Enquanto não aprendermos a lidar com essa individualidade, a paz será um sonho distante.
Nada o que o mundo possa lhe dar, preencherá seus vazios, se você não estiver bem consigo mesmo. Isso inclui aceitação, autoestima, comunhão com a alma, equilíbrio entre razão e emoção, ausência de vitimismo, consciência de todos os desequilíbrios ou defeitos, aprendendo a lidar com eles de maneira lúcida, sem culpa.
Perceba que quando você faz coisas que lhe motivam, pelas quais você se interessa, surge aquela sensação gostosa de plenitude.
Baseados nas expectativas do mundo sobre nós, nos alienamos dos nossos reais desejos e nos perdemos: nos tornamos máquinas de fazer. Consequentemente, nos perdemos da vida, perdemos todas as possibilidades de realização e surgem os bloqueios.
O que é paz, então?
É romper com os padrões, romper com as expectativas das pessoas sobre nós, romper com o lado em nós que nos pune e nos julga e declarar: paz!
Significa olhar a vida com amor e gratidão, compreendendo que toda experiência traz uma possibilidade de crescimento e realização.
Volte-se para dentro, escute mais seu coração, liberte-se das fantasias de sua mente racional, busque a compreensão dos mecanismos que regem a vida, partindo do princípio que a realidade da nossa vida é sempre o reflexo dos nossos pensamentos e crenças!
Você dá mais valor ao bem ou ao mal das coisas? Sob que ótica você vê o mundo?

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

MUDE E MARQUE




O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos. Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio... você começará a perder a noção do tempo.
Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea.
Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol.
Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar: Nosso cérebro é extremamente otimizado. Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho.
Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia.Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar conscientemente tal quantidade. Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia e portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo. É quando você se sente mais vivo.
Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático e 'apagando' as experiências duplicadas.
Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente. Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo. Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo.
Como acontece?
Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa, no lugar de repetir realmente a experiência). Ou seja, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente. Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa são apagados de sua noção de passagem do tempo.
Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida.
Conforme envelhecemos as coisas começam a se repetir - as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações, -... enfim... as experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo. Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década. Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a... ROTINA.
A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos. Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo: M & M (Mude e Marque).
- Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotos.
- Mude de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas.
- Tenha filhos (eles destroem a rotina) e sempre faça festas de aniversário para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia).
- Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais.
- Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo, bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite parentes distantes, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo.
- Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente.
- Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes. Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes.
- Seja diferente.
- Se você tiver dinheiro, especialmente se já estiver aposentado, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos... em outras palavras... V-I-V-A!!!
- Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo.
- E se tiver a sorte de estar casado(a) com alguém disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito mais v-i-v-o do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.
- Cerque-se de amigos... Amigos com gostos diferentes, vindo de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de coisas diferentes.
- Enfim, acho que você já entendeu o recado, não é? Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade, emoção, rituais e vida.
E S CR EVA em tAmaNhos diFeRenTes e em CorES di f E rEn tEs! CRIE, RECORTE, PINTE, RASGUE, MOLHE, DOBRE, P- I- C- O- T- E, INVENTE, REINVENTE...
Artigo do jornal O Estado de São Paulo

Autoria de Airton Luiz Mendonça