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sábado, 5 de julho de 2014

PASSADO E PRESENTE




Um dia você perceberá com maior clareza quão rápido é o passar do tempo. Um encontro com um velho amigo, depois de muitos anos, fará com que você veja no rosto e no corpo dele quanto mudaram seu rosto e o seu corpo também.
Ele lhe falará dos caminhos por onde passou, da forma que vê a vida hoje, e você pensará: “será que é a mesma pessoa daquele tempo?”
Alguns fios de cabelos brancos atestarão a veracidade de tudo que ele estiver contando a você. O sorriso e o brilho dos olhos poderão parecer-lhe menos radiosos do que eram nos antigos tempos, porém isso fará com que você pense no seu próprio olhar e no seu sorriso de agora.
Talvez você não saiba, mas ele também estará “medindo-se” através de você. Muitas vezes temos a ilusão de que o tempo está parado, e os encontros com velhos amigos fazem com que notemos que ninguém escapa dos efeitos bons ou maus do passar dos anos.
A maior importância desses encontros está na oportunidade que nos é dada para fazermos um “balanço”: é a chamada “volta ao barco”.
Vemos quanto deixamos de fazer, quanto nos arrependemos por alguns feitos e a indiscutível certeza de que não podemos mudar o que está no passado.
Mas o presente está aqui e o AGORA está à nossa disposição. O que fazer para não repetirmos erros?
Um simples encontro com um velho amigo, a troca de informações, os desabafos de peito aberto, o reconhecimento de que ainda há coisas que podem ser mudadas, convidam-nos a que aceitemos nossos limites e que usemos nosso livre arbítrio para viver melhor.
O tempo é um baú de surpresas e todas estão ali para ajudar-nos a retomar algo do ponto em que paramos lá num distante passado. O que não for possível deve e pode ser reconhecido como algo que já está fora do nosso alcance. É necessária muita humildade de espírito para aceitar isso.
Se você encontrar um amigo dos velhos tempos, compreenda que a vida o estará convocando para reavaliar-se, tanto no que é quanto no que tem hoje. Não deixe que essa oportunidade escape pelos vãos dos seus dedos, não deixe que ela passe.
Benditos sejam nossos velhos amigos! Eles são espelhos que guardam nossas imagens do passado e que refletem muito do que somos no presente – este patamar do futuro.
Que você tenha muitos e felizes reencontros!

sexta-feira, 4 de julho de 2014

OS BONS SÃO MAIORIA




Uma campanha de marketing nacional trouxe uma verdade bela e esperançosa. Espalhados pelas cidades, vários outdoors revelavam alguns dados muito interessantes. Eis alguns deles:
Para cada pessoa dizendo que tudo vai piorar, existem cem casais planejando ter filhos.
Para cada corrupto existem oito mil doadores de sangue.
Enquanto alguns destroem o ambiente, 98% das latinhas de alumínio já são recicladas no Brasil.
Para cada tanque fabricado no mundo, são feitos cento e trinta e um mil bichos de pelúcia.
Na internet, a palavra amor tem mais resultados que a palavra medo.
Para cada muro que existe no mundo, se colocam duzentos mil tapetes escritos “bem vindo”.
Enquanto um cientista desenha uma nova arma, há um milhão de mães fazendo pastéis de chocolate.
Existem razões para acreditar. Os bons são maioria.
Estamos precisando de visão otimista e positiva como esta em nosso mundo. Aqueles que desejam ver o mundo em pânico e se alimentam de notícias ruins, pois dizem que são essas que vendem, não podem mais controlar nossos sentimentos. Nós, como consumidores de notícias, de informações, devemos mostrar que desejamos também ver o lado bom do mundo, da vida, das pessoas.
Se analisarmos qualquer noticiário, seja local ou nacional, iremos ainda perceber a grande dominação das notícias ruins, como se o mundo estivesse vivendo o caos absoluto.
Não é bem assim. Muito de bom está sendo feito no mesmo instante em que ocorrem assassinatos, acidentes, crises políticas etc. O bem está sendo construído no mundo, sim, mesmo os pessimistas e terroristas de plantão dizendo que não ou mesmo se negando a ver.
O que acontece é que, muitas vezes, os bons ainda são tímidos e receosos. Isso os impede de se sobrepor aos maus bulhentos e arrojados.
Allan Kardec, em “O Livro dos Espíritos”, questiona no item 932: Por que, no mundo, os maus têm geralmente maior influência sobre os bons? Eis a resposta que obteve dos Espíritos: É pela fraqueza dos bons.
Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes últimos quiserem, dominarão.
Reflitamos qual nosso papel nesta mudança. O que posso fazer para ter parte nesta dominação pacífica e definitiva do bem na face da Terra? Permitamos que nossos gestos de amor ganhem o mundo e mostrem à sombra que seus dias de dominação estão contados.
Raia o sol de uma Nova Era. O tempo do amor finalmente chegou. Façamos parte desta transformação de alegria que tomará conta do orbe. Amemos mais. Participemos mais.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

O AMOR PERFUMA




O amor deixa marcas inconfundíveis na alma de todos nós,
são rastros de doçura, gestos de ternura,
expressões delicadas de almas perfumadas.
O amor perfuma as mãos e o corpo,
deixando uma essência permanente no ar,
o desejo que te atrai...
Por isso é muito difícil esquecer um amor,
é insuportável viver sem amor,
é quase impossível suportar a perda de um amor.
E na dor dessa separação, o amor não se perde,
antes, se transforma, vira saudade,
que é o amor sem a presença amada.
Deixe o amor inundar você,
espalhe-o como semente, adubando corações secos,
derramando-o em forma de perdão para os que te magoaram,
entregando-o de forma pura para quem se apaixona,
vivendo-o intensamente, ainda que só,
pois o amor não é transferência de sentimentos,
amor é um estado da alma.
Ame-se profundamente, respeite-se,
para que o amor não seja algo passageiro,
mas seja a própria eternidade em você.
Eu acredito em você.
Autoria de Paulo Roberto Gaefke

www.meuanjo.com.br

terça-feira, 1 de julho de 2014

A TRISTEZA PERMITIDA




Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair pra compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?
Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.
Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.
A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.
Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.
“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não me importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago da razão/ eu ando tão down...” Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.
Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.