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segunda-feira, 26 de maio de 2014

IMPULSIVIDADE


Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma ideia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou maduro bastante ainda. Ou nunca serei.

domingo, 25 de maio de 2014

SOBRE ENVELHECER


Estamos envelhecendo. Não nos preocupemos! De que adianta, é assim mesmo. Isso é um processo natural. 
É uma lei do Universo conhecida como a 2ª Lei da Termodinâmica ou Lei da Entropia. 
Essa lei diz que: A energia de um corpo tende a se degenerar e com isso a desordem do sistema aumenta. 
Portanto, tudo que foi composto será decomposto, tudo que foi construído será destruído, tudo foi feito para acabar. 
Como fazemos parte do universo, essa lei também opera em nós. Com o tempo os membros se enfraquecem, os sentidos se embotam. Sendo assim, relaxe e aproveite. Parafraseando Freud: “A morte é o alvo de tudo que vive”. 
Se você deixar o seu carro no alto de uma montanha daqui a 10 anos ele estará todo carcomido. O mesmo acontece a nós. 
O conselho é: Viva. Faça apenas isso. Preocupe-se com um dia de cada vez. 
Como disse um dos meus amigos a sua esposa: “me use, estou acabando!”. 
Hilário, porém realista. 
Ficar velho e cheio de rugas é natural. Não queira ser jovem novamente, você já foi. Pare de evocar lembranças de romances mortos, vai se ferir com a dor que a si próprio inflige. 
Já viveu essa fase, reconcilie com a sua situação e permita que o passado se torne passado. Esse é o pré-requisito da felicidade.
“O passado é lenha calcinada. O futuro é o tempo que nos resta: finito, porém incerto” como já dizia Cícero.
Abra a mão daquela beleza exuberante, da memória infalível, da ausência da barriguinha, da vasta cabeleira e do alto desempenho pra não se tornar caricatura de si mesmo. 
Fazendo isso ganhará qualidade de vida. Querer reconquistar esse passado seria um retrocesso e o preço a ser pago será muito elevado. 
Serão muitas plásticas, muitos riscos e mesmo assim você verá que não ficou como outrora. 
A flor da idade ficou no pó da estrada. Então, para que se preocupar?! 
Guarde os bisturis e toca a vida. 
Você sabe quem enche os consultórios dos cirurgiões plásticos? Os bonitos.
Você nunca me verá por lá. Para o bonito, cada ruga que aparece é uma tragédia, para o feio ela é até bem vinda, quem sabe pode melhorar, ele ainda alimenta uma esperança.
Os feios são mais felizes, mais despreocupados com a beleza, na verdade ela nunca lhes fez falta, utilizaram-se de outros atributos e recursos.
Inclusive tem uns que melhoram na medida em que envelhecem. Para que se preocupar com as rugas, você demorou tanto para tê-las! 
Suas memórias estão salvas nelas. Não seja obcecado pelas aparências, livre-se das coisas superficiais. 
O negócio é zombar do corpo disforme e dos membros enfraquecidos. 
Essa resistência em aceitar as leis da natureza acaba espalhando sofrimento por todos os cantos.
Advêm consequências desastrosas quando se busca a mocidade eterna, as infinitas paixões, os prazeres sutis e secretos, as loucas alegrias e os desenfreados prazeres.
Isso se transforma numa dor que você não tem como aliviar e condena a ruína sua própria alma. Discreto, sem barulho ou alarde, aceite as imposições da natureza e viva a sua fase.
Sofrer é tentar resgatar algo que deveria ter vivido e não viveu. Se não viveu na fase devida o melhor a fazer é esquecer. 
A causa do sofrimento está no apego, está em querer que dure o que não foi feito para durar. É viver uma fase que não é mais sua. Tente controlar essas emoções destrutivas e os impulsos mais sombrios. 
Isso pode sufocar a vida e esvaziá-la de sentido. Não dê ouvidos a isso, temos a tentação de enfrentar crises sem o menor fundamento. 
Sua mente estará sempre em conflito se ela se sentir insegura. A vida é o que importa. Concentre-se nisso. A sabedoria consiste em aceitar nossos limites. 
Você não tem de experimentar todas as coisas, passar por todas as estradas e conhecer todas as cidades. 
Isso é loucura, é exagero. Faça o que pode ser feito com o que está disponível. 
Quer um conselho? Esqueça. 
Para o seu bem, esqueça o que passou. Tem tantas coisas interessantes para se viver na fase em que está. Coisas do passado não te pertencem mais. 
Se você tem esposa e filhos experimente vivenciar algo que ainda não viveram juntos, faça a festa, celebre a vida, agora você tem mais tempo, aproveite essa disponibilidade e desfrute.
Aceitando ou não o processo vai continuar. Assuma viver com dignidade e nobreza a partir de agora. Nada nos pertence. 
Tive um aluno com 60 anos de idade que nunca havia saído de Belo Horizonte. 
Não posso dizer que pelo fato de conhecer grande parte do Brasil sou mais feliz que ele. Muito pelo contrário, parecia exatamente o oposto. 
O que importa é o que está dentro de nós, à velha máxima continua atual como nunca: “quem tem muito dentro precisa ter pouco fora”. 
Esse é o segredo de uma boa vida. 

(SOBRE ENVELHECER - escrita por um físico mineiro. (Professor Pacheco)

sábado, 24 de maio de 2014

NÃO SOFRA POR ANTECIPAÇÃO


A mente do ser humano está em constante movimento e oscila como quando jogamos pedregulhos num lago de águas calmas e tranquilas. Se olharmos o lago conturbado, não conseguiremos ver com nitidez nossa própria imagem. Mas, se olharmos nosso rosto refletido nas águas calmas e tranquilas, aí, sim, veremos a realidade do nosso ser. Na verdade, nossa mente parece um macaquinho ensandecido pulando de galho em galho. Milhões de pensamentos se acavalam incessantemente, acionados pelas memórias de ações e vivências passadas armazenadas dentro de nós. São esses turbilhões de pensamentos que muitas vezes nos fazem sofrer à toa, como pressupor o que as outras pessoas pensam sobre nós.
Achamos que os outros fizeram ou deixaram de fazer algo por ene motivos, sem termos a certeza do que estamos achando. Assumimos por inteiro que nossa opinião está correta, sem ao menos questionar ou analisar. Quantos mal-entendidos e desentendimentos são gerados com base nessa atitude! Sofremos por antecedência e sem necessidade, simplesmente porque mergulhamos em suposições. Ficamos à mercê dos pressupostos.
Recentemente, uma de minhas alunas deu um depoimento pertinente a este assunto. Segundo ela, assim que chegou ao trabalho certa vez, o chefe a chamou para uma conversa no final do dia. Ela automaticamente entrou em pânico, com medo de ser despedida, tendo em vista a crise de demissões que assola nosso país. O coração disparou, e os batimentos cardíacos soaram como trovões. Numa situação assim, o corpo costuma responder com uma inevitável cascata de enzimas e peptídios “do mal”, que envelhecem e enfraquecem o sistema imunológico ao invadir nossa corrente sanguínea. Ela passou o dia inteiro com uma sensação de abandono, de insegurança, tamanha a ansiedade. Finalmente chegou a hora da conversa com o chefe. Ela foi para a sala de reuniões com o coração apertado e a respiração ofegante. O chefe entrou com uma expressão leve e tranquila. E disse que a chamou simplesmente para parabenizá-la pelo excelente trabalho que ela tinha executado referente a um projeto específico.
Pois é, quanto sofrimento desnecessário, não é mesmo? Quantas centenas de pensamentos surgiram com esse chamado e sobrecarregaram o sistema nervoso dela. Por isso digo a você: vamos, a partir de agora, aprender a não pressupor absolutamente nada. Não temos nenhuma lâmpada mágica de adivinhação a nosso dispor. Precisamos aprender a manter a calma, a respirar fundo, a confiar em nossas capacidades, a aceitar cada momento como ele se apresenta e a ter a certeza de que, quando andamos no caminho da verdade e da integridade, o universo nos protege e conspira a nosso favor. Lembre-se também do já conhecido espelho dos relacionamentos. Projetamos no outro aquilo que somos e temos e não queremos reconhecer, não é mesmo? Antes de pressupor qualquer coisa em relação aos outros ou a nós mesmos, vamos aprender a usar nosso intelecto para analisar, para indagar, e assumir o que quer que seja somente após termos a certeza do que realmente é. Assim, você verá como a vida fica muito mais leve e fácil.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

GELEIA


Quando Alice estava tomando chá com o Chapeleiro Louco, ela notou que não havia geleia. 
Pediu então geleia, e ele disse:
‘A geleia é servida dia sim, dia não.’
Alice reclamou: 
‘Mas ontem também não havia geleia!’
‘Isso mesmo’ respondeu o Chapeleiro Louco. 
’A regra é esta: geleia sempre ontem e geleia amanhã, nunca geleia hoje… porque hoje não é ontem nem amanhã.'
E é assim que você está vivendo: geleia ontem, geleia amanhã, nunca geleia hoje. 
E é aí que está a geleia! 
Assim você imagina; você vive em um estado dopado, sonolento. 
Você esqueceu completamente que este momento é o único momento real. 
E, se quiser algum contato com a realidade, acorde aqui e agora!
(Livro “O homem que amava as gaivotas – Osho)

quinta-feira, 22 de maio de 2014

ENCONTROS E DESENCONTROS DO AMOR



Cada encontro está carregado de perda. Ou de perdas. Às vezes duas pessoas que se amam (amigos, casados, solteiros, amantes, namorados) se encontram e são felizes. Ao fim da felicidade, um deles chora. Ou fica triste. Ou baixa os olhos. Ou é invadido por uma inexplicável melancolia. É a perda que está escondida no deslumbramento de cada encontro. O encontro humano é tão raro que mesmo quando ocorre, vem carregado de todas as experiências de desencontros anteriores. Quando você está perto de alguém e não consegue expressar tudo o que está claro e simples na sua cabeça, você está tendo um desencontro. Aquela pessoa que lhe dá um extremo cansaço de explicar as coisas é alguém com quem você se desencontra. Aquela a quem você admira tanto, que lhe impede de falar, também é um agente de desencontro, por mais encontros que você tenha com as causas da sua admiração por ele. A pessoa que só pensa naquilo em que vai falar e não naquilo que você está dizendo para ela é alguém com quem você se desencontra. Alguém que o ama ou o detesta, sem nunca ter sofrido a seu lado, é alguém desencontrado de você.
Cada desencontro é perda porque é a irrealização do que teria sido uma possibilidade de afeto. É a experiência de desencontros que ensina o valor dos raros encontros que a vida permite. A própria vida é uma espécie de ante sala do grande encontro(com o todo? o nada?). Por isso talvez ele nada mais seja do que uma provocação de desencontros preparatórios da penetração na essência DO SER. Mas por isso ou por aquilo, cada encontro está carregado de perda. E no ato de sentir-se feliz associa-se a ideia do passageiro que é tudo, do amanhã cheio de interrogações, da exceção que aquilo significa. A partir daí, uma tristeza muito particular se instala. A tristeza feliz. Tristeza feliz é a que só surge depois dos encontros verdadeiros, tão raros. Encontros verdadeiros são os que se realizam de ser para ser e não de inteligência para inteligência ou de interesse para interesse.
Os encontros verdadeiros prescindem de palavras, eles realizam em cada pessoa, a parte delas que se sublimou, ficou pura, melhor, louca, mas a parte que responde a carências e às certezas anteriores aos fatos. É mais fácil, para quem tem um encontro verdadeiro, acabar triste pela certeza da fluidez da felicidade vivida do que sair cantando a alegria da felicidade vivida ou trocada. Quem se alegra demais se distancia da felicidade. Felicidade está mais próxima da paz que da alegria, do silêncio do que da festa. Felicidade está perto da tristeza, porque a certeza da perda se instala a cada vez que estamos felizes. É esta certeza - a da perda - que provoca aquela lágrima ou aquela angústia que se instala após os verdadeiros encontros. Há sempre uma despedida em cada alegria. Há sempre um "E depois? após cada felicidade. Há sempre uma saudade na hora de cada encontro. Antecipada. Disso só se salva quem se cura, ou seja, quem deixa de estar feliz para ser feliz, quem passa do estar para o ser.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

RESISTA UM POUCO MAIS



Há dias em que temos a sensação de que chegamos ao fim da linha...
Não conseguimos vislumbrar uma saída viável para os problemas que surgem em grande quantidade.
Com você não é diferente. Você também faz parte desse mundo de provas e expiações desta escola chamada Terra e já deve ter passado por um desses dias, e pensado em desistir...
No entanto, vale a pena resistir...
Resista um pouco mais, mesmo que as feridas latejem e que sua coragem esteja cochilando.
Resista mais um minuto e será fácil resistir aos demais.
Resista mais um instante, mesmo que a derrota seja um imã... mesmo que a desilusão caminhe em sua direção.
Resista mais um pouco, mesmo que os pessimistas digam pra você parar. Mesmo que a sua esperança esteja no fim.
Resista mais um momento mesmo que você não possa avistar, ainda, a linha de chegada. Mesmo que a insegurança brinque de roda a sua volta.
Resista um pouco mais, ainda que a sua vida esteja sendo pesada na balança dos insensatos e você se sinta indefeso como um pássaro de asas quebradas.
As dores, por mais amargas, passam...
Tudo passa...
A ilusão funciona, mas se desvanece...
A posse agrada, porém se transfere de mãos...
O poder apaixona, entretanto, transita de pessoa...
O prazer alegra, todavia, é efêmero.
A glória terrestre exalta e desaparece.
O triunfador de hoje, passa, mais tarde, vencido...
Tudo, nesta vida, tem um propósito...
A dor aflige, mas também passa.
A carência aturde, porém, um dia se preenche.
A debilidade física deprime, todavia, liberta das paixões.
O silêncio que entristece leva à meditação que felicita.
A submissão aflige, entretanto, fortalece o caráter.
O fracasso espezinha, ao mesmo tempo ensina o homem a conquistar-se.
A situação muda, como mudam as estações...
O verão brinca de esconde-esconde com a brisa morna, mas cede lugar ao outono, que espalha suas tintas sobre a folhagem.
O inverno chega e, sem pedir licença, congela a brisa e derruba as folhas.
Tudo parece sem vida, sem cor, sem perfume...
Será o fim? Não! Eis que surge a primavera e estende seus tapetes multicoloridos, espalhando o perfume no ar, reverdecendo novamente a paisagem...
Assim, quando as provas lhe baterem à porta, não se deixe levar pelo desejo de desistir, resista um pouco mais.
Resista, porque o último instante da madrugada é sempre aquele que puxa a manhã pelo braço...
E essa manhã bonita, ensolarada, sem algemas, nascerá para você, em breve, desde que você resista.
Resista, porque alguém que o ama está sentado na arquibancada do Tempo, torcendo muito para que você vença e ganhe o troféu que tanto deseja: a felicidade...
Não se deixe abater pela tristeza.
Todas as dores terminam.
Aguarde que o Tempo, com suas mãos cheias de bálsamo, traga o alívio.
A ação do Tempo é infalível e nos guia suavemente pelo caminho certo, aliviando nossas dores, assim como brisa leve abranda o calor do verão.
Mais depressa do que supõe, você terá a resposta, na consolação de quem necessita.
Por tudo isso, resista... e confia nesse abençoado aliado chamado Tempo.