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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O SAL DA TERRA



Todas as manhãs Deus nos dá a oportunidade de recomeçar alguma coisa. É por isso que dizem que nada como uma boa noite para colocar as ideias no lugar.
E não nos levantamos com o pé direito ou esquerdo, nos levantamos com os dois e carregando o mesmo corpo que no dia anterior, talvez até os mesmos problemas não resolvidos. Mas tivemos essas importantes horas de descanso para recuperar as forças e energias para continuar o caminho.
Podemos decidir então que nada estragará nosso dia e que daremos a oportunidade para que as soluções cheguem. É evidente que um coração alegre e esperançoso terá mais vitórias que aquele que deixa afogar pelas tristezas suas ou alheias.
A pessoa mal-humorada pode acordar com o mais lindo raio de sol invadindo a janela que ela ainda vai encontrar algum motivo para criticar e saciar sua insatisfação, como se ela tivesse a necessidade de encontrar algo negativo para continuar tendo razão. Inversamente, aquele que carrega consigo a paz interior e o desejo de ser feliz verá flores até nos desertos mais ermos. E ele as colherá, com certeza!
Não penso que seja simplesmente uma questão de pensar positivo, mas de cultivar dentro de si as coisas boas, a paz, o desejo de ser uma pessoa melhor na qual outros possam se espelhar. É plantar a semente da serenidade na terra do coração e deixar que ela floresça e enfeite a vida.
Viver bem é uma questão de escolha. A fé nos sustenta. A esperança nos mantém vivos e o amor nos torna diferentes aos olhos do mundo.
Pouco importa se chove ou se faz sol, o dia fica estragado quando decidimos que assim será. Somos, nos passos de Cristo, o sal que tempera a terra e a luz que ilumina o mundo.
Podemos dar sabor, cor e vida, deixando atrás de nós a semente do bem e passos que conduzem ao céu.

domingo, 20 de outubro de 2013

O AMOR É UMA FLOR DELICADA




Não existem conquistas definitivas, salvo para aqueles que nos deixam no auge do apego. Aí sim, as pessoas ficam irreversivelmente gravadas dentro do nosso coração e nós no delas.
Se não podemos explicar os porquês das chamadas de um coração, podemos, portanto, compreender a importância do exercício diário, na manutenção dos sentimentos do outro. Ninguém pertence a ninguém, as pessoas doam-se e acolhem-se.
O amor é uma flor muito delicada, mesmo se vestida de grandiosas e maravilhosas formas.
O amor é uma flor singela, frágil e bela e é preciso recebê-lo com mãos ternas, como se sua vida dependesse de nossa acolhida.
Frequentemente somos meio desajeitados quando se trata de amor. Descuidamos dos pequenos gestos que o nutrem, deixamos que a terra seque-se, substituímos atenções emocionais por outras que, mesmo importantes, não são suficientes ao mantimento para a durabilidade do amor.
O amor nutre-se de carinhos e carícias. Sacia-se no abraço, cresce no beijo. Fortalece-se nos momentos a dois.
Achamos tempo para tanta coisa e nos dedicamos pouco a estar com o outro.
Pessoas às vezes que se amam muito afastam-se por falta de cuidado de ambas as partes. Os quereres confundem-se.
Homens e mulheres são diferentes, isso é certo! Mas deve haver esse meio caminho onde as mãos acabam se encontrando, onde os dedos se entrelaçam e os desejos fundem-se numa mesma coisa.
Ninguém conhece a verdadeira dor de perder antes de ter perdido de verdade. É depois, bem depois, que olhamos para trás e nos dizemos que teríamos vivido bem mais intensamente se tivéssemos carregado essa delicada flor bem mais pertinho do nosso coração.

sábado, 19 de outubro de 2013

HONESTAMENTE...



Honestamente é difícil ser honesto com quem amamos. Não me refiro aqui à fidelidade, mas a um outro tipo de honestidade: o de falar o que vai dentro do nosso coração, daquilo que não gostamos, que desaprovamos.
Não é por que amamos alguém que o vemos perfeito. Mesmo amando temos o direito de ver a pessoa tal qual ela é.
O difícil mesmo é abrir o coração e dizer o que pensamos, mesmo se isso vai magoar o outro. A vida é como um baile de máscaras: há a hora que a música acaba, as luzes se apagam e a gente é obrigado a voltar pra casa. A realidade é outra. E o que sobra?
Sobra cara lavada, roupa simples; sobram as rugas, as imperfeições. Sobram as desilusões. Por que negar e viver como se não fosse? É nosso dever sermos honestos e francos com quem amamos. Vai doer nele? Dói em mim também. Não a realidade, pois esta chega, cruel ou não. O que dói mesmo é a ideia de decepcionar o outro. Mas coisas que precisam ser ditas não devem ficar pra trás. É como se fôssemos caminhando e colocando pedrinhas no bolso. Chega fatalmente o dia em que o bolso pesa e começamos a andar mais devagar; chega o dia em que continuar torna-se penoso e dolorido.
Daí, melhor se livrar dessas pedras uma a uma, à medida em que vão chegando nas nossas vidas. E manter o mesmo passo. Não amamos menos uma pessoa porque temos a coragem de lhe dizer a verdade. A verdade é que a amamos o suficiente para saber que ela merece que a tratemos honestamente. E para que ela saiba que pode agir da mesma forma conosco.
Os casais que nunca brigam não são perfeitos. Há certamente algo errado numa relação assim. Há certamente um que domina e um que se deixa dominar. Um que sofre e dois que fingem que está tudo bem. A franqueza não existe para destruir relacionamentos, mas para harmonizá-los. É preciso saber o que um pensa do outro. E que ambos tentem se ajustar com seriedade e amor. Só assim será possível criar um relacionamento com base sólida.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

AS PORTAS DO CORAÇÃO




Acho que ninguém passa a vida como uma folha em branco, sem escritos, sem rabiscos. Tudo vai sendo escrito na alma, os momentos vão sendo registrados, misturando o que foi com o que deixou de ser, as grandes expectativas com as grandes decepções.
Cada página virada traz as marcas das que passaram e com o tempo vamos aprendendo a prudência nas relações.
Quando somos jovens é diferente, pois a esperança é tão eterna quanto o amor que toma conta da gente. Mas os anos nos trazem a vivência, a desconfiança e a memória das coisas que nos fizeram mal.
Se na juventude nos jogamos de cara a cada nova oportunidade, mais tarde aprendemos a caminhar lentamente, olhar de longe, tentar reconhecer os riscos e buscar garantias. Essas mesmas garantias que só são assinadas depois, bem depois, caso existam.
A vida não nos abandona e as oportunidades vão surgindo. Mas, com elas as feridas que se reabrem, que revivem e fechamos os olhos a, talvez, belos instantes de felicidade plena e eterna.
Não sabemos! Não podemos saber! As pessoas não são iguais, mas tão parecidas! Não queremos sonhar de novo e cair de novo, chorar de novo e parecer tolos aos olhos dos outros... preferimos fechar as portas do coração e olhar pela fresta, imaginar o que teria sido se tivéssemos, pelo menos, tentado...
Queremos sempre o amor, nunca a dor que dele resulta. Queremos o mel, a alegria e até a saudade que pode incomodar o coração, mas dor... dor não!
Não sabemos, talvez, que seja esse o preço e que a alegria de amar um tempo vale mil vezes a dor cravada na alma.
Amar alguém é elevar-se ao ponto nobre da vida. É tocar o céu e ter a terra aos seus pés. E se mais tarde os ventos contrários nos trazem de volta, valeu a viagem, valeram as lembranças que carregamos e que nos sustentam.
E entre os escritos da vida, prevalecem, no fim, o néctar que soubemos tirar das flores, a poesia que tiramos dos amores, mesmo daqueles que tiveram fim...

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

AMAR POR AMOR


Houve um tempo em que as pessoas eram prometidas umas para as outras desde pequenininhas. Há ainda hoje culturas que mantêm esse modo de raciocínio. Na nossa sociedade, porém, esse costume há muito foi erradicado. Temos então total liberdade para seguir os passos do nosso coração.
Mas a ideia de que o amor vem com o tempo ainda está na mente de muitas pessoas. Muitos pais tentaram convencer filhos a casarem-se com as pessoas que lhes agradavam com essa desculpa de que "o amor vem com o tempo." E isso acontece ainda hoje.
Aos pais que querem decidir "o melhor para os filhos" eu digo: é melhor deixar que cada coração encontre sozinho sua metade. Todos queremos o melhor para os nossos filhos e, por mais que os conheçamos, jamais poderemos entrar dentro dos seus corações e sentir o que eles sentem.
Dessa forma, muitos hoje casam-se por várias razões outras que o amor: a solidão, carência, interesse, etc, achando que o amor virá com o tempo.
Amar é uma decisão? Ah, não! Isso seria simples demais e até resolveria o problema de muita gente infeliz no casamento. As pessoas podem até se resignar, fazer esforços, dar o melhor de si... mas amar, não se decide assim. O amor não se encomenda, ele acontece.
Um dia descobrimos que nosso coração bate apressado diante de alguém; descobrimos que pensamos nessa pessoa o tempo inteiro e que ela nos faz falta quando não está presente; percebemos que esse alguém ocupa um espaço diferente dentro da gente, diferente de qualquer outra pessoa... e chegamos à conclusão que fomos atingidos por essa doce melodia que tem o poder de nos fazer o mais feliz ou mais infeliz dos seres. Nos descobrimos amando!
Não! Não se encomenda coração apressado, nem pensamento, nem desejo intenso de estar com alguém. E nem essa sensação de, estando diante da pessoa amada, que poderíamos até morrer de tanto amor; não aquele amor que faz com que sintamos uma vontade inexplicável e incontrolável de estar nos braços do outro e que, esse momento chegado, temos o sentimento que não precisamos de nada mais para viver...
Isso o tempo não traz.
O que vem com o tempo é a amizade, o carinho, a segurança, o companheirismo e o hábito de estar com a outra pessoa. Tudo isso até faz parte do amor, mas amor mesmo não é. Muitos podem se satisfazer com isso e ficarem a vida toda junto de alguém sem experimentar outra forma de amor; outros, sonhadores, preferem esperar que o cupido bata realmente à porta para ser, como se deve no desejo Divino, dois em uma só carne.