Páginas

terça-feira, 10 de setembro de 2013

O MOMENTO CERTO




Não se impaciente nos dias em que você se sentir titubeante e inseguro. Haverá o momento de avançar novamente, firme e cheio de coragem. Espere!
Não se debata quando todos os seus sonhos parecerem aprisionados numa torre de marfim demasiado alta. Haverá o momento em que ela cederá, como que por encanto, e você poderá abraçar novamente a sua própria amplidão. Aguarde!
Não se desespere quando os seus sentimentos e pensamentos estiverem nebulosos e confusos, causando inquietação e dificuldade até para realizar as coisas mais simples. Haverá o momento para você retomar a sua própria lucidez. Confie!
Não se revolte quando faltar até mesmo um ideal, um objetivo, uma meta pela qual lutar. Haverá o momento em que você verá, com clareza, o novo caminho a seguir. Acredite!
Não se aflija quando sentir-se incapacitado de interagir ou de participar da grande correnteza da vida. Haverá o momento para você entregar-se todo, e dar o seu melhor na alegria da interação e do compartilhamento. Relaxe!
Não se torture quando as circunstâncias estiverem obscuras e indefinidas, não lhe deixando outra opção que não seja a de ficar em cima do muro. Haverá o momento em que você poderá descer, crescer e se enriquecer no desafio da descoberta. Tranquilize-se!
Ao final, saberá que – aos trancos e barrancos – você viveu intensamente e não foi apenas um mero espectador da existência. Saberá que as crises foram fetos não abortados, dos fatos que hoje compõem a história da sua vida.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O GRANDE AMOR




O grande amor nada tem a ver com grandes momentos ou coisas extraordinárias vividas juntos. Nada tem a ver com loucas paixões que queimam e viram cinza algum tempo depois. O “não sei viver sem você” não conhece nada do grande amor, porque as pessoas sempre sobrevivem às decepções amorosas e serão capazes de se entregar ainda e ainda ao fogo do amor, se ele chega.

Quem fica esperando o grande amor e acha que o encontrou cada vez que consegue dizer “te amo” a outra pessoa e que pensa que aquilo vai durar para o resto da vida, acaba se decepcionando. Porque amores vêm e mão. Amores chegam, enfeitam a vida por algum tempo, dão a ideia de infinito, de irreal, de coisa única e depois desaparecem lentamente, como miragem quando se chega muito perto. Percebemos assim que as juras de amor eterno são conhecem nada de eternidade.

O grande amor não é aquele por quem se quer morrer por ele. Romeu e Julieta eram jovens demais e eternizaram a ideia de que para se ter um grande amor é necessário saber morrer por ele.

O grande amor, só se sabe que era ele depois. Depois de todos os amores que invadiram e fugiram, dos que enlouqueceram e dos que trouxeram a razão. O grande amor, só se reconhece olhando pra trás, nunca pra frente.

É aquele quando, se olhando pra trás e se somando todos os amores vividos, sabe-se reconhecer qual deles era a verdadeira essência, o que não ficou destruído mesmo depois que todos os sonhos se foram.

O grande amor é aquele que fica quando, anos depois, mesmo se conhecendo o outro de cor, sabendo adivinhar os pensamentos e mínimos gestos, mesmo não havendo mais mistérios, ainda se é capaz de olhar nos olhos do outro e dizer com seriedade: - Eu te amo!

domingo, 8 de setembro de 2013

O FRIO QUE VEM DE DENTRO



Conta-se que seis homens ficaram presos numa caverna por causa de uma avalanche de neve.
Teriam que esperar até o amanhecer para receber socorro. Cada um deles trazia um pouco de lenha e havia uma pequena fogueira ao redor da qual eles se aqueciam.
Eles sabiam que se o fogo apagasse todos morreriam de frio antes que o dia clareasse.
Chegou a hora de cada um colocar sua lenha na fogueira. Era a única maneira de poderem sobreviver.
O primeiro homem era racista. Ele olhou demoradamente para os outros cinco e descobriu que um deles tinha a pele escura. Então, raciocinou consigo mesmo: "aquele negro! Jamais darei minha lenha para aquecer um negro". E guardou-a protegendo-a dos olhares dos demais.
O segundo homem era um rico avarento. Estava ali porque esperava receber os juros de uma dívida. Olhou ao redor e viu um homem da montanha que trazia sua pobreza no aspecto rude do semblante e nas roupas velhas e remendadas. Ele calculava o valor da sua lenha e, enquanto sonhava com o seu lucro, pensou: "eu, dar a minha lenha para aquecer um preguiçoso", nem pensar.
O terceiro homem era negro. Seus olhos faiscavam de ressentimento. Não havia qualquer sinal de perdão ou de resignação que o sofrimento ensina. Seu pensamento era muito prático: "é bem provável que eu precise desta lenha para me defender. Além disso, eu jamais daria minha lenha para salvar aqueles que me oprimem". E guardou suas lenhas com cuidado.
O quarto homem era um pobre da montanha. Ele conhecia mais do que os outros os caminhos, os perigos e os segredos da neve. Este pensou: "esta nevasca pode durar vários dias. Vou guardar minha lenha.”
O quinto homem parecia alheio a tudo. Era um sonhador. Olhando fixamente para as brasas, nem lhe passou pela cabeça oferecer a lenha que carregava. Ele estava preocupado demais com suas próprias visões (ou alucinações?) para pensar em ser útil.
O último homem trazia nos vincos da testa e nas palmas calosas das mãos os sinais de uma vida de trabalho. Seu raciocínio era curto e rápido. "esta lenha é minha. Custou o meu trabalho. Não darei a ninguém nem mesmo o menor dos gravetos".
Com estes pensamentos, os seis homens permaneceram imóveis. A última brasa da fogueira se cobriu de cinzas e, finalmente apagou.
No alvorecer do dia, quando os homens do socorro chegaram à caverna encontraram seis cadáveres congelados, cada qual segurando um feixe de lenha.
Olhando para aquele triste quadro, o chefe da equipe de socorro disse: "o frio que os matou não foi o frio de fora, mas o frio de dentro.”
Não deixe que a friagem que vem de dentro mate você. Abra o seu coração e ajude a aquecer aqueles que o rodeiam. Não permita que as brasas da esperança se apaguem nem que a fogueira do otimismo vire cinzas. Contribua com seu graveto de amor e aumente a chama da vida onde quer que você esteja.
E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos. (Gálatas 6.9)
Portanto aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pecando. (Tiago 4.17)

sábado, 7 de setembro de 2013

O FAROL



Em meio ao mar, surge a construção de pedras, solene. É um farol, destinado a orientar o rumo dos viajores, nas noites escuras.

Quem quer que viaje em alto mar se sente seguro quando, em meio à escuridão, vê surgir o farol. Ele está lá para servir, para advertir, para salvar.

A sua luz se projeta a distâncias enormes e, espancando a escuridão, permite que os que navegam possam perceber a proximidade dos recifes, os perigos imersos na noite.

O mar investe contra ele, noite e dia. Lança sobre ele as suas ondas, com furor. Vagas enormes lambem as pedras que se erguem, majestosas. No fluxo e refluxo das ondas, o farol continua a iluminar, imperturbável.

Seu objetivo é servir. Noite após noite, ele estende a sua luz. Não se incomoda com os continuados e perigosos golpes que o mar lhe desfere. Se, em algumas noites, ninguém se aproxima, desejando a sua orientação, também não se perturba.

Solitário, ele lança sua luminosidade, sem se preocupar com o isolamento. Ele continua a postos para qualquer eventualidade, quando a necessidade surja, quando alguém precise dele.

No mar das experiências em que nos encontramos, aprendamos a trabalhar e cooperar, sem desânimo. Permaneçamos sempre a postos, prontos a estender as mãos a quem necessite. Poderá ser um amigo, um irmão ou simplesmente alguém a quem nunca vimos.

Com certeza, não solucionaremos todos os problemas do mundo. No entanto, podemos contribuir para que isso aconteça. Se não podemos impedir a guerra, temos recursos para evitar as discussões perturbadoras que nos alcançam.

Se não conseguimos alimentar a multidão esfaimada, podemos oferecer o pão generoso para alguém.

Se não dispomos de saúde para doar aos enfermos, podemos socorrer alguém que sofre dores, oferecendo a medicação devida. Talvez possamos ser o intermediário entre o doente e o hospital, facilitando-lhe o internamento.

Se não podemos resolver a questão do analfabetismo, podemos criar condições propícias para que alguém tenha acesso à escola. Mais do que isso. Podemos nos interessar pelos filhos dos que nos servem, buscando saber se não lhes faltam cadernos e livros, para a continuidade dos estudos básicos.

Enfim, o importante é continuarmos a fazer a nossa parte, contribuindo com a claridade que possamos projetar, por mínima que seja. Imitemos o farol em pleno mar. Aprendamos a fazer luz.

A maior glória da alma que deseja ser feliz é transformar-se em luz na estrada de alguém. O raio de luz penetra a furna, levando claridade. Estende-se sobre o vale sombrio e desata o verdor da paisagem. Atinge a gota d´água e a transforma em um diamante finíssimo. Viaja pelo ar e aquece as vidas.

Como a luz, podemos desfazer sombras nos corações e drenar pântanos nas almas. Podemos refazer esperanças e projetar alegrias. Enfim, como raios de luz, espalhemos brilho e calor, beleza, harmonia e segurança.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O ESSENCIAL




O essencial não será tanto o que reténs. É o que dás de ti mesmo e a maneira como dás.

Não é o tanto o que recebes. É o que distribuis e como distribuis.

Não é o tanto o que colhes. É o que semeias e para que semeias.

Não é o tanto o que esperas. É o que realizas.

Não é o tanto o que rogas. É o que aceitas.

Não é o tanto o que reclamas. É o que suportas e como suportas.

Não é o tanto o que falas. É o que sentes e como sentes.

Não é o tanto o que perguntas. É o que aprendes e para que aprendes.

Não é o tanto o que aconselhas. É o que exemplificas.

Não é o tanto o que ensinas. É o que fazes e como fazes.

Em suma, na vida do espírito, - a única vida verdadeira, - o essencial não é o que parece. 
O essencial será sempre aquilo que é.


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

MÃE (DESNECESSÁRIA)


A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo.
Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e ela sempre me soou estranha.
Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso.
Quando começo a esmorecer na luta para controlar a supermãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara. "Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária."
Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que significa isso. Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também.
A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho.
Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não para de se transformar ao longo da vida. Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo.
O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis.
Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão.
Ao aprendermos a ser “desnecessários”, nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.
"Dê a quem você ama:
- Asas para voar...
- Raízes para voltar...
- Motivos para ficar." (Dalai Lama)
Enviado por Jorge do blog Nectan Reflexões e foi aqui postado, por ser pertinente à proposta do Arca.