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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

MÃE (DESNECESSÁRIA)


A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo.
Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e ela sempre me soou estranha.
Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso.
Quando começo a esmorecer na luta para controlar a supermãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara. "Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária."
Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que significa isso. Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também.
A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho.
Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não para de se transformar ao longo da vida. Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo.
O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis.
Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão.
Ao aprendermos a ser “desnecessários”, nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.
"Dê a quem você ama:
- Asas para voar...
- Raízes para voltar...
- Motivos para ficar." (Dalai Lama)
Enviado por Jorge do blog Nectan Reflexões e foi aqui postado, por ser pertinente à proposta do Arca.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

AMOR QUE VALE OURO



Eterno? Eterno é aquilo que dura além do que nosso pensamento alcança.
Nada bonito, grande e forte, nasce e cresce em um dia. É preciso tempo, muita doçura, força e persistência, construir um pouco de um lado, embelezar aqui e ali, consertar o que se quebrou, plantar e colher e, muitas vezes, deixar morrer, jogar fora o que não prestou.
Quando vemos diante de nós um casal que consegue passar tantos e tantos anos juntos, nos dizemos que deve haver um segredo para que se tenha ultrapassado as barreiras do tempo e chegado a esse ponto.
Olhando para um casal assim, compreendemos melhor o que eterno e amor querem dizer. Amor é o que faz ver o horizonte e eterno é tentar imaginar o que há detrás dele.
O amor de vocês é aquele que sobreviveu a todas as tempestades da vida; os momentos onde as enxurradas vieram e saíram carregando tudo, muitas vezes a esperança, a alegria, o pão... mas a perseverança, uma promessa feita no altar e a lembrança dos dias melhores os fez reerguer a cabeça e continuar, mesmo se os ventos contrários fizessem com que andassem mais devagar. Vocês entenderam com o coração que não há nada errado em caminhar lentamente, que o importante mesmo é caminhar.
Vocês compreenderam que viver juntos não é a arte de ser feliz o tempo todo, sem pausas, mas de ser feliz com o que podemos tirar da vida a cada dia.
É o rir juntos e chorar juntos que mantém um casal unido e faz com que estejam lado a lado nos dias de velhice.
Um amor de ouro, representado aqui pelo metal mais precioso. Bruto no início, só depois de queimado, provado e modificado é que mostra seu verdadeiro valor. Assim é a história da vida dos que alcançaram, juntos, essa bênção.
E que isso seja de exemplo para os parentes e amigos para os quais essa data será marcada: amar não é esperar do outro mais do que ele pode dar, mas se contentar do que seu coração nos oferece. É, juntos, receber da vida as estações e esperar pela próxima com o coração saciado, não porque a vida seja bela em si, embora seja, mas por que o Senhor com bondade permitiu que, mesmo depois de tantos anos, ainda estejam lado a lado.
Que o Senhor derrame sobre suas cabeças outras graças e tantas outras bênçãos para que essa caminhada prossiga na direção do infinito!...
A vocês, meus pais amados, que já passaram do Ouro e do Diamante, muitas felicidades nesses 62 anos de casados.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

VALOR AO QUE TEM VALOR




nós bebemos demais,
gastamos sem critérios
dirigimos rápido demais,
ficamos acordados até muito mais tarde,
acordamos muito cansados,
lemos muito pouco,
assistimos TV demais
e raramente estamos com Deus,
multiplicamos nossos bens,
mas reduzimos nossos valores.
nós falamos demais,
amamos raramente,
odiamos frequentemente
aprendemos a sobreviver,
mas não a viver;
adicionamos anos à nossa vida
e não vida aos nossos anos,
fomos e voltamos à Lua,
mas temos dificuldade em cruzar a rua
e encontrar um novo vizinho,
conquistamos o espaço,
mas não o nosso próprio
fizemos muitas coisas maiores,
mas pouquíssimas melhores
limpamos o ar,
mas poluímos a alma,
dominamos o átomo,
mas não nosso preconceito,
escrevemos mais,
mas aprendemos menos,
planejamos mais,
mas realizamos menos
aprendemos a nos apressar
e não, a esperar.
construímos mais computadores
para armazenar mais informação,
produzir mais cópias do que nunca,
mas nos comunicamos cada vez menos
estamos na era do "fast-food"
e da digestão lenta,
do homem grande, de caráter pequeno,
lucros acentuados e relações vazias
essa é a era de dois empregos,
vários divórcios,
casas chiques e lares despedaçados
essa é a era das viagens rápidas,
fraldas e moral descartáveis,
das rapidinhas,
dos cérebros ocos e das pílulas mágicas,
um momento de muita coisa na vitrine
e muito pouco na dispensa,
lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama,
pois elas não estarão aqui para sempre
lembre-se de dar um abraço carinhoso
em seus pais,
num amigo,no seu marido,nos filhos,
pois não lhe custa um centavo sequer,
lembre-se de dizer eu te amo à quem você ama,
mas, em primeiro lugar, se ame
se ame muito
um beijo e um abraço curam a dor,
quando vêm de lá de dentro,
por isso, valorize as pessoas
que estão ao seu lado,
sempre...

(Retirado do blog SomenteAmor)

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

AS EXIGÊNCIAS DO AMOR



Não é tão difícil amar ou fazer-se amar, pois há sempre algo que brilha em alguém que vai certamente ofuscar um outro. Nem sempre, portanto, em direção vice-versa.
O difícil no amor, uma vez instalado, é dar continuidade a ele, fazê-lo durar, ir além das descobertas do verdadeiro eu de cada um, tão bem disfarçado durante o tempo de conhecimento.

O amor, a princípio, nos dá essa ideia de eternidade, do ninguém mais me fará tão feliz e do não saberei viver sem você. E não raras vezes descobrimos que essa eternidade é muito curta, porque o amor não soube ir além, não soube guardar-se da dura realidade de cada um, do dia-a-dia que tortura com suas dificuldades.

É fácil amar para sempre quando tudo é bonito, cheio de promessas, mas amar quando as dificuldades chegam, quando é preciso tirar a cabeça das nuvens e colocar os pés no chão e os problemas arrebatam o sono e os desejos, isso sim é difícil.

Para os tantos que não aprenderam a fazer durar o amor, o que deveria unir, pois dois são certamente mais fortes que um, acaba separando. É assim que chegam as culpas, desculpas. Queremos que o outro continue sendo o outro quando já não somos os mesmos...

Amar e dar continuidade ao amor é dar as mãos a ele, abraçar mais quando é de força que precisamos, compreender por dois quando o outro parece mais frágil, estar do lado, estender o braço, redobrar as forças, o carinho, a afeição e segurar a mesma tábua para atravessar as águas turbulentas.

O amor, para que cresça, continue, permaneça, pede apenas um pouco de compreensão e exige de cada um a humildade do saber-se não perfeito e amar o outro ainda mais quando as nuvens encobrirem o céu dos dois.

O verdadeiro amor exige acima de tudo o dar as mãos, o estreitar cada vez mais os laços do coração.