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sexta-feira, 24 de maio de 2013

EM TORNO DA FELICIDADE



Em matéria de felicidade convém não esquecer que nos transformamos sempre naquilo que amamos. Quem se aceita como é, doando de si a vida o melhor que tem, caminha mais facilmente para ser feliz como espera ser.
A nossa felicidade será, naturalmente, proporcional em relação a felicidade que fizermos para os outros. A alegria do próximo começa muitas vezes no socorro que você lhe queira ar.

A felicidade pode exibir-se, passear, falar e comunicar-se na vida externa, mas reside com endereço exato na consciência tranquila.

Se você aspira a ser feliz e traz ainda consigo determinados complexos de culpa, comece a desejar a própria libertação, abraçando no trabalho em favor dos semelhantes o processo de reparação desse ou daquele dano que você haja causado em prejuízo de alguém.

Estude a si mesmo, observando que o autoconhecimento traz humildade e sem humildade é impossível ser feliz.

Amor é a força da vida e trabalho vinculado ao amor é usina geradora de felicidade. Se você parar de se lamentar, notará que a felicidade está chamando o seu coração para vida nova.

Quando o céu estiver em cinza, a derramar-se em chuva, medite na colheita farta que chegará do campo e na beleza das flores que surgirão no jardim.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

EM TODOS OS CAMINHOS



Seja qual seja a experiência, convence-te de que Deus está conosco em todos os caminhos. Isso não significa omissão de responsabilidade, ou exoneração da incumbência de que o Senhor nos revestiu. Não há consciência sem compromisso, como não existe dignidade sem lei.

O peixe mora gratuitamente na água, mas deve nadar por si mesmo. A árvore, embora não pague imposto pelo solo a que se vincula, é chamada a produzir conforme a espécie. Ninguém recebe talentos da vida, para escondê-los em poeira ou ferrugem.

Nasceste para realizar o melhor. Para isso é possível te defrontes com embaraços naturais ao próprio burilamento, qual a criança que se esfalfa compreensivelmente nos exercícios da escola. A criança atravessa as provas do aprendizado sob a cobertura da educação que transparece do professor.

Desempenhamos as nossas funções com o apoio de Deus. Se o conhecimento da Onipresença Divina ainda não te acode à mente necessitada de fé, pensa no infinito das bênçãos que te envolvem, sem que despendas mínimo esforço.

Não contrataste engenheiros para a garantia do Sol que te sustenta e nem assalariaste empregados para renovar o ar que respiras.

Reflete, por um momento só, nas riquezas ilimitadas ao teu dispor nos reservatórios da natureza e compreenderás que ninguém vive só. Confia, segue, trabalha e constrói para o bem. E guarda a certeza de que, para alcançar a felicidade, se fazes teu dever, Deus faz o resto.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

E A MÃE FICOU VELHINHA



Dá aflição saber que a mãe, sempre tão firme em sua marcha, agora precisa caminhar com mais calma.
Já vinha botando reparo havia algum tempo: cada vez mais cedo ela dormia durante nossas sessões de cinema em casa ­ até no filme do Marley, o labrador arteiro que ela amava, foi assim. Começou a faltar a ela aquela força de sempre para me dar uma empurradinha pelas calçadas esburacadas. Ganhou um desequilíbrio do nada e uma saudade de tudo.

Mamãe envelheceu.

Dá uma certa aflição, não vou fazer rodeios para admitir, saber que a mãe, sempre tão firme em sua marcha aplicada com um sapato baixinho e confortável, que buscava o sustento, o futuro e a felicidade dos filhos, agora precisa caminhar com mais calma e cuidado.

Meu coração ficou como no momento do samba derradeiro, dias atrás, quando entrou pelo corredor do restaurante uma senhorinha esbaforida, com a mão machucada, semblante de susto e passinhos de quem havia passado maus bocados. E havia passado. Caiu no meio da rua. Estava entre a aflição da dor e a carência de algum aconchego.

E se a minha mãe, agora velhinha, desabasse em um algum ermo de mundo também? Será que a acolheriam com a atenção e a presteza que a mãe da gente tem o direito de receber?

E se ela ficasse meio descompensada e não soubesse nem em que planeta estava?

O almoço perdeu a graça e eu só pensava nas feridas da senhorinha, que foi gentilmente atendida com cuidados orientais das mãos da dona do boteco, uma "japa" sorridente. Sosseguei quando ela garantiu que estava tudo bem e que cuidaria da velhinha.

Mãe não tem dor de cabeça, não tem fome, não tem preguiça de fazer mingau, não tem medo de barata, não tem limite no cartão para emprestar um dinheirinho, mas, de repente, ela envelhece e faz o filho pensar que ela pode sofrer sim.

Lá em casa, mamãe nunca foi "rainha do lar". Estava mesmo é para Margaret Thatcher em meio a contas para pagar, bocas para encher, uma criança com deficiência para dar jeito.

Logo quando vi Meryl Streep interpretando a "Dama de Ferro“ já cansada, abatida pelo destino irrefutável da idade, quis dar um Oscar pelo conjunto da obra para a minha "santa".

Tudo é possível na velhice e ser velho é conquista, jamais um demérito para quem sabe aproveitar a existência.

É que o tempo vai passando e fico aflito por diversas ocasiões de amor que ainda não vivi com minha mãe - nem a viagem para Poços de Caldas, que ela jura ser de caldas de doces, fizemos.

Não queria vê-la frágil, por mais bonita que seja a pétala. Não queria vê-la cansada, por mais nobre que seja o vencedor de maratonas. Não queria que jamais a senhora caísse, mãe, por mais que, como você a vida toda disse: "Quem não cai não aprende a se levantar".

terça-feira, 21 de maio de 2013

DO CORAÇÃO DE UMA MULHER



Se tivesse que abrir meu coração, eu contaria todos os segredos nele contidos, os que me confesso e os que até a mim mesma tento negar...

Eu falaria da minha esperança, das lutas, da briga por uma felicidade que eu nem sei se existe, mas que insisto em querer buscar, da minha recusa em aceitar estar presa a não ser que essa prisão seja minha própria escolha...

Eu diria, provavelmente, que essa fragilidade é apenas aparente ou que até nas horas mais fortes meu coração pede abrigo e compreensão...

Eu contaria, talvez, do orgulho que me impediu de viver horas bonitas, mas que quando olhei para trás já era tarde demais, dos meus arrependimentos, dos perdões que tive que conceder a mim mesma para continuar a levar uma vida tão normal quanto possível.

E também do meu desejo de ter filhos, criar e procurar neles meus próprios traços e da minha alegria em encontrá-los.

Eu mencionaria minha mãe, que entendi depois, quando me tornei mãe também e confessaria com orgulho o quanto a admiro e o quanto a amo.

Eu até lembraria minha infância, minhas dúvidas da adolescência, meu desejo de crescer e de continuar menina, das vezes que me senti tola e briguei comigo mesma, me fiz inúmeras promessas e que esqueci quando o coração bateu forte novamente.

Eu não conteria minhas lágrimas se tivesse que abrir meu coração, eu assumiria, beberia todas elas como bebi na taça das dores que sofri, dos amores que vi partir e dos que eu mesma abri mão.

Eu sei que há coisas que nunca aprendi e que provavelmente nunca aprenderei, sei que da vida bebi e ainda beberei, mas que sairei um dia inteira, cheia de marcas e cicatrizes, mas mais que nunca me sentirei mais mulher.

Uma mulher nunca diz tudo, há segredos que ela guarda só pra ela, que não confessa nem para a melhor amiga e é isso que a torna um ser assim tão cheio de mistérios, tão precioso, tão humano e tão excepcional.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A BUSCA DO AMOR


Em plena juventude, como fruto verde que aguarda a primavera, esperei intensamente pelo amor. Todas as manhãs, abria a janela de minha alma e esperava que o novo dia me trouxesse o amor.
E porque ele tardasse a chegar, fechei as portas e janelas, selei os portões e saí pelo mundo. Andei por caminhos inúmeros e estradas solitárias. Por vezes, ouvia o cortejo do amor que passava ao longe. Corria e o que conseguia ver era somente corações em festa, risos de alegria. O amor passara e eu continuava só.
Algumas noites, chegando às cidades com suas mil luzes piscando vida, ousava olhar para dentro dos recintos. Via mães acalentando filhos, cantando doces canções de ninar, casais trocando juras, crianças dividindo brincadeiras entre risos e folguedos.
Em todos estava o amor. Somente eu prosseguia solitário e triste.
Depois de muito vagar, tendo enfrentado dezenas de invernos, resolvi retornar. De longe, pude sentir o perfume dos lírios. Quando me aproximei, pude ver o jardim saudando-me.
– Você voltou! – Falaram as rosas, dobrando as hastes à minha passagem.
– Seja bem vindo! – Disseram as margaridas, agitando as corolas brancas.
– É bom tê-lo de volta! – Saudaram os girassóis, mostrando suas coroas douradas.
Tanto tempo havia se passado e, de uma forma mágica, os jardins estavam impecáveis. As cores bem distribuídas formavam arabescos na paisagem.
Uma emoção me invadiu a alma. Abri as portas e janelas do meu ser. Debruçado à janela da velhice, fitando a ponte que me levará para além desta dimensão, o amor passa por minha porta.
Apressadamente, coloco flores de laranjeira na casa do meu coração. Atapeto chão para que ele entre, iluminando a escuridão da minha solidão. Tremo de ternura. Já não sofro desejo, nem aflição.
Os olhos felizes do amor fitam os meus olhos quase apagados, reacendendo neles a luz que volta a brilhar. Há tanta beleza no amor que me emociono.
Superado o egoísmo, não lhe peço que entre e domine o meu coração rejuvenescido. Em razão disso, agora que descubro de verdade o que é o amor, não o retenho. Deixo-o seguir porque amando, já não peço nada. Agora posso me doar aos que vêm atrás, em abandono e solidão.
Aprendi a amar.
Feliz é a criatura que descobriu que o melhor da vida é amar.
Feliz o que leu e entendeu o cântico do pobre de Assis: é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, é melhor amar que ser amado.
Por ser de essência divina, o amor supre na criatura todas as suas necessidades e a torna feliz, mesmo em meio às dificuldades, lutas e tristezas.
Redação do momento espírita, com base no livro Estesia, ditado pelo espírito Rabindranath Tagore, psicografia de Divaldo Pereira Franco.

sábado, 18 de maio de 2013

DIANTE DA ETERNIDADE



Diante do horizonte mais amplo de nossas vidas, face sua eternidade, se nos conscientizarmos mais do quão a existência física é curta, efêmera, certamente pensaremos melhor antes de jogar fora as oportunidades que nos são dadas para sermos felizes, e de também nos dedicarmos a promover a felicidade dos outros.
Não sabemos por quanto tempo, sejam anos ou dia, poderemos desfrutar da convivência com nossos familiares, amigos, colegas de trabalho, enfim, todas as pessoas que fazem parte de nosso círculo de relacionamento. Afinal, muitos de nós são “chamados” por Deus ainda muito cedo, inesperadamente... E não podemos prever como e nem quando isso ocorrerá a cada um de nós...

Alguns sequer chegam a nascer... vendo interromper sua efêmera jornada na matéria ainda no ventre materno. Alguns “nos deixam” antes mesmo de atingir a maturidade... Outros, um pouco mais tarde...

Dentre todos, felizmente, há os que conseguem bem aproveitar sua existência, acumulando em sua “bagagem” experiências enriquecedoras que os acompanharão no seu retorno à “Pátria Celeste”.

De fato, não sabemos por quanto tempo ainda faremos parte do mundo visível, nem quando será chegada a “nossa hora da partida”, e tampouco o momento da despedida de ninguém.

Em decorrência dessa nossa verdadeira “alienação” de consciência relativa a valorização que devemos conferir à esta nossa vida, aos seus objetivos maiores, e de nossa responsabilidade perante o Pai, nos despreocupamos e negligenciamos com os esforços e com a cuidadosa atenção que devemos ter. Para conosco mesmo... E para com todos que nos cercam.

Nos deixamos influenciar pelo nosso “orgulho ferido”, nos desequilibramos e permitimos ser emocionalmente afetados pela supervalorização que damos à insignificâncias, naturais do cotidiano e do convívio entre as pessoas. E acabamos por nos aborrecer desnecessariamente.

Muitas vezes nos calamos quando deveríamos falar e falamos além do necessário quando o recomendável seria permanecer em silêncio. Exigimos “compreensão” para com nossas “pequenas falhas”, mas nem sempre agimos amorosamente com o que pré-julgamos se constituir nos “grandes erros” dos outros. Julgamos com a severidade que não queremos nos seja aplicada e exigimos total complacência para conosco. Infelizmente, essa é a “justiça” aceita pelo nosso atual nível de evolução.

Diante dessa realidade a pautar nossos passo, desperdiçamos tempo por demais precioso. Às vezes, nos permitimos a anos de desencontros e de “desamor”. Evitamos o contato, não oferecemos o aconchego, o carinho e o abraço fraterno que tanto nossa alma pede e que confessamos à intimidade de nosso travesseiro, tudo porque nosso orgulho e insensatez impedem essa aproximação. Não damos um beijo amoroso porque nossa altivez o impede murmurando que não estamos habituados a essas “demonstrações” e tampouco manifestamos nosso querer bem, nosso amor, porque achamos que “o outro” já deve saber o que nós sentimos. Perdemos a maravilhosa oportunidade de amar e “bloqueamos” o amor que tanto clamamos e que nos seria destinado, impedindo que ele chegue até nós.

E assim, deixamos transcorrer o tempo permanecendo taciturnos e “fechados” em nosso orgulho, enraizando na alma – cada vez mais – a nossa intransigência, nossa amargura para com os outros e, sem nos darmos conta, para conosco mesmo.

No “mundo consumista” em que vivemos atualmente, reclamamos daquilo que não temos ou então achamos que não temos o suficiente. Cobramos muito... dos outros... da vida... e de nós mesmos. Nos desgastamos com frustrações e angústias... Costumamos comparar nossas vidas com as daqueles que materialmente possuem mais do que nós. E se experimentássemos nos comparar com aqueles que possuem menos? Seguramente, essa nova avaliação nos surpreenderia, fazendo uma enorme diferença.

E com isso o tempo vai passando... Passamos pela vida sem ter aproveitado a “oportunidade” do aprendizado e da prática da Lei do Amor que Jesus nos ensinou. Substituímos, sofrendo e nos “arrastando” porque não “ousamos contrariar” nosso amor próprio... Até que, finalmente, “acordamos” e olhamos para trás; muitas vezes tarde demais para a presente vida material... E então, nos perguntamos: E agora?

Agora... já... hoje! Ainda é tempo de reconstruir, de dar o abraço amigo, de dizer uma palavra carinhosa, de agradecer a Deus por nossa vida, por tudo aquilo que nos cerca e pelo que a Misericórdia Divina nos disponibiliza para desfrutarmos material e espiritualmente.

Nunca se é velho demais, ou jovem demais, para se rever posições, para perdoar, para sermos perdoados e para amar; dizer uma palavra gentil ou fazer um gesto carinhoso.

Não se permita ficar preso aos “tropeços” do passado... O que passou, passou, e já produziu suficientes “danos”. Impeça que permaneça indefinidamente a causar estragos em sua vida. As experiências vividas serviram para nosso aprendizado.

Agora é o momento de pensarmos no “daqui para frente”, em nosso futuro... E ele poderá ser do tamanho de nossos sonhos!

Não tarde em buscar a reconciliação com seus “companheiros de jornada”, e principalmente para com sua própria essência, e aproveite...

Ainda há tempo para exalar o amor fraterno ao seu derredor, harmonizar sua alma e voltar a sorrir. Ainda há tempo de voltar-se para nosso Pai, o Deus de Amor que nos criou e agradecer pela vida, rogando pelas forças que nos faltam para fazermos, o quanto antes, a “reforma íntima” necessária à nossa vida, desde já e para toda a eternidade!

Reflita... E não perca mais tempo!