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sexta-feira, 17 de maio de 2013

DESCULPE O TRANSTORNO, ESTOU EM CONSTRUÇÃO


Ao longo da nossa caminhada, causamos transtornos na vida de muitas pessoas porque somos imperfeitos...
Nas esquinas da vida, dizemos palavras impróprias e sem necessidade...
Com pessoas mais próximas, costumamos agredir sem intenção, e às vezes, intencionalmente. Mas agredimos...
Não respeitamos o tempo do outro, os desejos do outro, a história do outro...
Acreditamos que o mundo gira em torno de nós, dos nossos desejos e o outro é apenas um detalhe...
Vamos por aí causando transtornos e concluímos que, não estamos prontos, mas em construção...
Tijolo a tijolo. É assim a nossa vida. O templo da nossa história vai ganhando vida...
Esquecemos que o outro também está em construção e também causa transtornos...
Um tijolo cai e nos machuca, outras vezes é o cimento que suja o nosso rosto...
E o tempo todo nós temos que limpar e cuidar das feridas.
Assim como os outros que convivem conosco também tem que fazer...
Quando não sou eu é o outro, um conjunto de erros meus, seus, deles, nossos...
Todas as pessoas erram, temos que compreender que os transtornos são muitas vezes involuntários, que os erros dos outros são semelhantes aos nossos erros...
Simples assim: Se eu errei, se eu magoei, se eu julguei mal, desculpe-me por todos esses transtornos...
ESTOU EM CONSTRUÇÃO...

quinta-feira, 16 de maio de 2013

DESCANSA, CRIANÇA!



Os dias agitados e as preocupações, muitas vezes, nos levam para bem distante dos sonhos acalentados na infância. As alegrias da meninice há muito foram tragadas pelo tempo, implacável, que exige cada vez mais concentração nas questões do dia a dia.
As responsabilidades, naturalmente, foram ocupando o lugar das brincadeiras descontraídas e o sorriso inocente foi dando lugar a um cenho marcado pelas preocupações e as dores da caminhada.

O tempo, que se desenrolava sem pressa, agora cobra o seu tributo, exigindo cada vez mais a participação nas decisões sérias da vida.

Quando nos damos conta, aquela criança já partiu há muito... Sentimos uma saudade imensa dos dias risonhos e parece impossível reviver os mesmos sonhos, as mesmas alegrias, as mesmas esperanças de outrora.

Parece que os anos roubaram a confiança que se tinha no futuro e a dureza insiste em se instalar no coração... Os passos ligeiros e saltitantes, agora são lentos e arrastados...

E aquela criança, onde está? Ainda é possível dar um tempo e acordar a criança que dorme, na intimidade desse adulto tão mergulhado nas questões amargas.

Deixa tua dureza derreter-se frente ao novo que te é dado, dia após dia. Para isso, basta buscar um lugar que te permita ouvir as águas rolando nos seixos. Elas trazem uma canção que o teu coração já conhece...

Observa o vento que balança as folhas das árvores... É o mesmo que toca tua fronte ilumina. Acompanha o voo do pássaro sob o céu, e sente... o teu Espírito é tão livre quanto ele.

Sente o silêncio abençoado da natureza que te permite comungar com ela a quietude, a paz que vai em teu ser. Olha as flores, mistura tuas cores e cria teu próprio arco-íris.

Deixa teu coração presente em tuas palavras, em tuas decisões, em teus silêncios. Deixa a saudade vir e te avisar de um tempo precioso, onde viveste em liberdade, em alegria e vê... ainda é tempo de ser feliz.

Relembra tua história e o caminho que fizeste... Quanto aprendeste, quanto mudaste e quanto ainda há por ser feito. O tempo não para, ele continua fiel à tua natureza: sê também fiel à tua natureza e resgata tuas fontes cristalinas, tua alegria generosa, tua confiança no agora, tua dança, tua segurança em ti mesmo.

O mundo não tem outro propósito senão o de te ensinar que és a criança de Deus, e para a criança de Deus toda a criação é presente, todo amor é dado.

Descansa, criança! Teu jardim ainda é o mais bonito e floresce mansamente aos olhos Daquele que tem por alegria olhar, amar e cuidar de todas as tuas flores.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

DEFININDO SAUDADE


Para definir saudade, basta entender que saudade é apenas saudade, e como senti-la saber...
Saudade é aquela sentida vontade de reviver um momento de felicidade, vivido em doce cumplicidade...
É a saudade que podemos entender, e que não nos faz sofrer...
Sempre a dor da partida de alguém que amamos e que deixa marcas perenes, deixa saudade, fica o desejo de sentir o toque, o cheiro, trazendo para nossos sentidos a ilusão da presença anelada.
Sente-se o toque da mão, o cheiro, a presença enfim, como algo que não tem fim...
Assim age a saudade, conseguimos sentir a presença ausente, dando verdade à frase “juntos ainda que distantes...” Assim, está certa a frase já ouvida: “A saudade é o amor que fica...”

terça-feira, 14 de maio de 2013

A GALINHA AFETUOSA




Gentil galinha, cheia de instintos maternais, encontrou um ovo de regular tamanho e espalmou as asas sobre ele, aquecendo-o carinhosamente. De quando em quando, beijava-o, enternecida. Se saía a buscar alimento, voltava apressada, para que lhe não faltasse o calor vitalizante.
E pensava garbosa: “Será meu pintainho! Será meu filho!”
Em formosa manhã de céu claro, notou que o filhotinho nascia, robusto. Criou-o, com todos os cuidados.
No entanto, em dourado crepúsculo de verão, viu-o fugir pelas águas de um lago, sobre as quais deslizava contente. Chamou-o, como louca, mas não obteve resposta. O bichinho era um patinho arisco e fujão.
A galinha, desalentada por haver chocado um ovo que lhe não pertencia à família, voltou muito triste, ao velho poleiro; todavia, decorrido algum tempo e encontrando outro ovo, repetiu a experiência.
Nova criaturinha frágil veio à luz. Protegeu-a, com ternura, dedicou-se ao filho com todas as forças, mas, em breve, reparou que não era um pintainho qual fora, ela mesma, na infância. Tratava-se de um corvo esperto que a deixou em doloroso abatimento, voando a pleno céu, para juntar-se aos escuros bandos de aves iguais a ele.
A desventurada mãe sofreu muitíssimo. Entretanto, embora resolvida a viver só, foi surpreendida, certo dia, por outro ovo, de delicada feição. Recapitulou as esperanças maternas e chocou-o. Dentro em pouco, o filhote surgia. A galinha afagou-o, feliz, mas, com o transcurso de algumas semanas, observou que o filho já crescido perseguia ratos à sombra. Durante o dia, dava mostras de perturbado e cego; no entanto, em se fazendo a treva, exibia olhos coruscantes que a amedrontavam. Em noite mais escura, fugiu para uma torre muito alta e não mais voltou. Era uma coruja nova, sedenta de aventuras.
A abnegada mãe chorou amargamente. Porém, encontrando outro ovo, buscou ampará-lo. Aninhou-se, aqueceu-o e, findos trinta dias, veio à luz corpulento filhote. A galinha ajudou-o como pôde, mas, em breve, o filho revelou crescimento descomunal. Passou a mirá-la de alto a baixo. Fez-se superior e desconheceu-a. Era um pavãozinho orgulhoso que chegou mesmo a maltratá-la.
A carinhosa ave, dessa vez, desesperou-se em definitivo. Saiu do galinheiro gritando e.se dispunha a cair nas águas de rio próximo, em sinal de protesto contra o destino, quando grande galinha mais velha a abordou, curiosa, a indagar dos motivos que a segregavam em tamanha dor.
A mísera respondeu, historiando o próprio caso. A irmã experiente estampou no olhar linda expressão de complacência e considerou, cacarejando:
- Que isso, amiga? Não desespere. A obra do mundo é de Deus, nosso Pai. Há ovos de gansos, perus, marrecos, andorinhas e até de sapos e serpentes, tanto quanto existem nossos próprios ovos. Continue chocando e ajudando em nome do Poder Criador; entretanto, não se prenda aos resultados do serviço que pertencem a Ele e não a nós, mesmo porque a escada para o Céu é infinita e os degraus são diferentes. Não podemos obrigar os outros a serem iguais a nós, mas é possível auxiliar a todos, de acordo com as nossas possibilidades. Entendeu?
A galinha sofredora aceitou o argumento, resignou-se e voltou, mais calma, ao grande parque avícola a que se filiava.
O caminho humano estende-se repleto de dramas iguais a este. Temos filhos, irmãos e parentes diversos que de modo algum se afinam com as nossas tendências e sentimentos. Trazem consigo inibições e particularidades de outras vidas que não podemos eliminar de pronto. Estimaríamos que nos dessem compreensão e carinho, mas permanecem imantados a outras pessoas e situações, com as quais assumiram inadiáveis compromissos. De outras vezes, respiram noutros climas evolutivos.
Não nos aflijamos porém. A cada criatura pertence a claridade ou a sombra, a alegria ou tristeza do degrau em que se colocou. Amemos sem egoísmo da posse e sem qualquer propósito de recompensa, convencidos de que Deus fará o resto.