A cada florada, o ipê revela parte dos misteriosos
segredos da vida, cifrados na sua cor amarela:
O tempo vivido, a promessa não cumprida, a carta não
escrita, o perdão não pedido, a bênção não dada.
Mas, revelam também os ipês, o fulgor das paixões, as eternas
juras de amor, embora nem sempre cumpridas, que se desfolharam e se espalharam
pelo chão.
Sedutores amantes, ipês acariciam a pele morena de cada
solo, ora sobre a grama verde, ora sobre a terra nua, ora sobre a tez negra do
asfalto.
Aos olhos da criança, o tapete amarelo ouro revela suave
lembrança que o vir-a-ser é um tesouro.
Inebriados na fantasia bonita, jovens se entregam sem
medo.
Em setembro, misteriosamente, surgem ipês desabrochando versos, em azul,
branco, roxo, rosa, amarelo, eternizam suas mensagens de amor em cada ninfa
semente.
