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quinta-feira, 16 de maio de 2013

DESCANSA, CRIANÇA!



Os dias agitados e as preocupações, muitas vezes, nos levam para bem distante dos sonhos acalentados na infância. As alegrias da meninice há muito foram tragadas pelo tempo, implacável, que exige cada vez mais concentração nas questões do dia a dia.
As responsabilidades, naturalmente, foram ocupando o lugar das brincadeiras descontraídas e o sorriso inocente foi dando lugar a um cenho marcado pelas preocupações e as dores da caminhada.

O tempo, que se desenrolava sem pressa, agora cobra o seu tributo, exigindo cada vez mais a participação nas decisões sérias da vida.

Quando nos damos conta, aquela criança já partiu há muito... Sentimos uma saudade imensa dos dias risonhos e parece impossível reviver os mesmos sonhos, as mesmas alegrias, as mesmas esperanças de outrora.

Parece que os anos roubaram a confiança que se tinha no futuro e a dureza insiste em se instalar no coração... Os passos ligeiros e saltitantes, agora são lentos e arrastados...

E aquela criança, onde está? Ainda é possível dar um tempo e acordar a criança que dorme, na intimidade desse adulto tão mergulhado nas questões amargas.

Deixa tua dureza derreter-se frente ao novo que te é dado, dia após dia. Para isso, basta buscar um lugar que te permita ouvir as águas rolando nos seixos. Elas trazem uma canção que o teu coração já conhece...

Observa o vento que balança as folhas das árvores... É o mesmo que toca tua fronte ilumina. Acompanha o voo do pássaro sob o céu, e sente... o teu Espírito é tão livre quanto ele.

Sente o silêncio abençoado da natureza que te permite comungar com ela a quietude, a paz que vai em teu ser. Olha as flores, mistura tuas cores e cria teu próprio arco-íris.

Deixa teu coração presente em tuas palavras, em tuas decisões, em teus silêncios. Deixa a saudade vir e te avisar de um tempo precioso, onde viveste em liberdade, em alegria e vê... ainda é tempo de ser feliz.

Relembra tua história e o caminho que fizeste... Quanto aprendeste, quanto mudaste e quanto ainda há por ser feito. O tempo não para, ele continua fiel à tua natureza: sê também fiel à tua natureza e resgata tuas fontes cristalinas, tua alegria generosa, tua confiança no agora, tua dança, tua segurança em ti mesmo.

O mundo não tem outro propósito senão o de te ensinar que és a criança de Deus, e para a criança de Deus toda a criação é presente, todo amor é dado.

Descansa, criança! Teu jardim ainda é o mais bonito e floresce mansamente aos olhos Daquele que tem por alegria olhar, amar e cuidar de todas as tuas flores.

terça-feira, 23 de abril de 2013

CALAR A BOCA



A maioria dos pais deseja que seus filhos sejam felizes. Que cresçam com saúde. Que sejam amados, inteligentes, que conquistem louros na escola, na profissão, na vida.
Apesar disso, nem sempre conseguem seu intento. Por mais que desejem, por mais que se empenhem, por vezes um dos seus filhos, quando não todos eles, detestam a escola.

Alguns têm problema de relacionamento, ou não desejam trabalhar, ou, ainda, se envolvem com drogas, crimes, etc. 

Muitas vezes nos questionamos: por quê? Não teremos nos empenhado o suficiente? Onde teremos falhado?

Não devemos esperar que nossos filhos sejam perfeitos, desde que a perfeição não é deste planeta onde vivemos.

Temos que nos preocupar em transformar nosso filho em um homem de bem, bom o bastante para viver no mundo e servir ao mundo.

Com tal disposição, é importante que repensemos a nossa função educativa, como pais.

Dentro do lar, às vezes agimos de forma a invalidar as teorias, ou seja, desmentimos na ação o que aconselhamos aos filhos.

Uma das frases mais ditas, possivelmente, para as nossas crianças, é o famoso “cala a boca!”. Normalmente, a frase cai como um raio sobre o pirralhinho que já repetiu a mesma questão, pelas nossas contas, mais ou menos umas dez vezes. De verdade, será talvez a quinta. Nossa impaciência é que é multiplicada de forma equivocada.

Consideremos que a criança é repetitiva mesmo. Faz parte do seu desenvolvimento infantil a repetição e frases que ela vai aprendendo. E aquela bateria de: “por quê, hein?” leva muitos pais à exaustão.

Mas se a criança está repetindo, se ela está perguntando outra vez, é porque sente a necessidade de uma compreensão que lhe seja satisfatória.

Por isso, não tem jeito. É preciso se munir de paciência, responder, e responder. Mesmo porque, caso contrário, os pais podem criar um filho que tem medo de falar, medo de se expressar, medo de ser repreendido. Uma criança com esse tipo de insegurança poderá ter dificuldades na escola, pois não entenderá o que foi explicado, mas jamais perguntará. Perguntar faz parte do aprendizado.

Pensemos bem: não é verdade que a nossa impaciência estoura sobre o pequeno, não porque estejamos cansados de responder os porquês, mas por que não sabemos respondê-los?

Afinal, quem de nós vai saber explicar para o pequenino por que a lua é redonda? Por que a formiguinha anda em fila indiana? Por que ele deve colocar a jaqueta que detesta só porque nós estamos com frio?

Calma, deve ser a nossa tônica todos os dias. Dar as explicações necessárias, sem nos alongar muito, nem complicar a resposta. E lembre-se de uma coisa: pessoas educadas não mandam as outras calarem a boca. Demos o exemplo para os nossos filhos.

quinta-feira, 28 de março de 2013

RENUNCIAR




Os relacionamentos humanos nem sempre são fáceis. As pessoas colocam muitas expectativas umas nas outras. É comum esperar-se receber mais do que se dá. Ou então se estabelecer um sistema de trocas que não parece funcionar a contento.
Frequentemente, tem-se a ideia de não ser correspondido à altura da própria dedicação. Por conta disso, muitas relações se rompem.
As pessoas deixam que seus vínculos familiares e sociais se fragilizem. Lentamente se afastam dos entes queridos. Veem os familiares apenas nos feriados mais significativos, ainda assim sem qualquer entusiasmo.
A respeito dessa tendência humana, há uma interessante passagem evangélica. Nela, Jesus fala sobre os vínculos terrenos. Relaciona casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos e terras. E afirma que quem deixar tudo isso por amor ao Seu nome receberá cem vezes mais e herdará a vida eterna.
Trata-se da enunciação do dever de renunciar aos bens do mundo, para alcançar a vida eterna.
No entanto, é importante refletir em quê consiste tal renúncia.
Jesus explica que o êxito pertencerá aos que assim procederem por amor de Seu nome. Não se trata, portanto, de um mero abandonar. Não está em pauta a satisfação do orgulho, da vaidade e do egoísmo.
À primeira vista, o alvitre Divino parece um contrassenso. Como olvidar os mais sagrados deveres da existência? Afinal, o próprio Cristo cuidou de santificá-los!
Muitos cristãos precipitados não souberam atingir o sentido do texto, nos tempos mais antigos.
Numerosos irmãos de ideal recolheram-se à sombra do claustro. Com isso, olvidaram obrigações superiores e inadiáveis. Entretanto, é preciso atentar para o modo pelo qual Jesus renunciou. Aos companheiros que O abandonaram, aparece glorioso, na ressurreição. Não obstante as hesitações dos amigos, divide com eles, no cenáculo, os júbilos eternos. Aos homens ingratos, que O crucificaram, oferece sublime roteiro de elevação. Deixa-lhes o Evangelho e se desdobra em cuidados por eles, no correr dos séculos.
Assim, convém observar o que representa renunciar por amor ao Cristo. Trata-se de perder as esperanças da Terra, conquistando as do céu.
Por vezes, os pais não são compreensivos, a esposa, o esposo são ingratos e os irmãos parecem cruéis. Então, é preciso renunciar à alegria de tê-los melhores ou perfeitos. Urge se unir ainda mais a eles, a fim de trabalhar no aperfeiçoamento com Jesus.
Talvez você não encontre compreensão no lar. Quiçá, seus amigos e irmãos sejam indiferentes e rudes. Mesmo assim, permaneça ao lado deles. Somente desse modo estará renunciando por amor a Jesus.
E apenas com semelhante renúncia alcançará as bênçãos do entendimento, da paz e do genuíno amor.
Pense nisso.

terça-feira, 26 de março de 2013

SE VOCÊ SOUBESSE QUE HOJE IRIA MORRER – O QUE FARIA?





Esta pergunta foi feita a um homem, no século XIII. Era um homem iluminado. Nascido em berço de ouro, conheceu as delícias da abastança. Filho de rico mercador, trajava-se com os melhores tecidos da época. Sua adolescência e juventude foram impregnadas das futilidades daqueles dias, em meio a expressivo número de amigos.
Assim transcorria sua vida, quando um chamado se deu a esse jovem. Então, ele se despiu dos trajos da vaidade e se transformou no Irmão Francisco, o Irmão dos Pobres.
Sua alma se encheu de poesia e ele passou a compor versos para as coisas pequeninas, mas muito importantes, da natureza.
Chamou irmãos à água, ao vento, ao sol, aos animais. Sua alma exalava o odor da alegria que lhe repletava a intimidade.
Muitos amigos o seguiram, abraçando os lemas da obediência, pobreza e castidade. Amigos na opulência, amigos na virtude.
Certo dia, enquanto arrancava do jardim as ervas daninhas, Frei Leão, que o observava, lhe perguntou: - Irmão Francisco, se você soubesse que morreria hoje, o que faria?
Francisco descansou o ancinho, por um instante. Seus olhos, apagados para as coisas do mundo passageiro, pareceram contemplar paisagens interiores de beleza.
Suspirou, pareceu mergulhar o olhar para o mais profundo de si e respondeu, sereno: - Eu? Eu continuaria a capinar o meu jardim. E retomou a tarefa, no mesmo ritmo e tranquilidade.
Quantos de nós teriam condições de agir dessa forma? A morte nos apavora a quase todos. Tanto a tememos que existem os que sequer pronunciam a palavra, porque pensam atraí-la. Outros, nem comparecem ao enterro de colegas, amigos, porque dizem que aquilo os deprime, quando não os atemoriza. Algo como se ela nos visse e se recordasse de nos vir apanhar.
E andamos pela vida como se nunca fôssemos morrer. Mas, de todas as certezas que o mundo das formas transitórias nos oferece, nenhuma maior que esta: tudo que nasce, morre um dia.
Assim, embora a queiramos distante, essa megera ameaçadora que chega sempre em momentos impróprios, ela vem e arrebata os nossos amores, os desafetos, nós mesmos.
Por isso, importante que vivamos cada dia com toda a intensidade, como se nos fosse o derradeiro. Não no sentido de angústia, temor, mas de sabedoria. Viver cada amanhecer, cada entardecer e cada hora, usufruindo o máximo de aprendizado, de alegria, de produção.
Usar cada dia para o trabalho honrado, que nos confira dignidade. Estar com a família, com os amigos.
Sorrir, abraçar, amar.
Realizar o melhor em tudo que façamos, em tudo que nos seja conferido a elaborar. Deixar um rastro de luz por onde passemos.
Façamos isso e, então, se a morte nos surpreender no dobrar dos minutos, seguiremos em paz, com a consciência de Espíritos que vivemos na Terra doando o melhor e, agora, adentraremos a Espiritualidade, para o reencontro com os amores que nos antecederam.
Pensemos nisso.